"Sabemos do problema, o que não se sabe é a solução", afirmou o presidente da Câmara Municipal, Julio Gasparette (PMDB), na abertura do seminário sobre "Violência Urbana em Juiz de Fora: O que deve ser feito?", promovido pela Câmara em parceria com a OAB, Prefeitura, UFJF e Instituto Vianna Júnior, nos últimos dias 14 e 15. A afirmativa do vereador parece ter servido de estopim para uma série de reflexões e alternativas apontadas para frear o avanço da criminalidade no município durante o evento. Uma força-tarefa entre diversos segmentos da sociedade despontou como estratégia para o início da luta por mais segurança nas ruas. As discussões surgiram no momento em que a Tribuna mostrou, na série "Basta de violência!", o "prende e solta", no qual infratores são capturados e liberados em seguida, fazendo crescer a sensação de impunidade. Abordou ainda o derrame de armas de fogo na cidade em função do desvio de armamento que já havia sido recolhido pela Polícia Federal e encaminhado ao Exército. O fato pode ser a explicação para tantas armas em circulação na cidade, resultando no aumento de 122% de vítimas baleadas atendidas no HPS, entre 2009 e 2012.
Como uma das autoridades presentes no seminário, o prefeito Bruno Siqueira ressaltou que o Executivo entra nesse combate com a implantação do programa "Olho vivo", que prevê a instalação de 58 câmeras de monitoramento em vários bairros. Segundo ele, está agendada, para abril, reunião de trabalho, da qual sairão metas para o início da instalação dos equipamentos. "O monitoramento irá nos permitir melhorar a segurança da população. Apenas isso não basta, temos que avançar mais. Entretanto, é um passo importante", avaliou o prefeito.
A UFJF também irá somar esforços. O secretário geral da instituição, Sebastião Marsicano Junior, anunciou a criação do curso de especialização em Segurança Pública e Cidadania destinado, inicialmente, a policiais militares. "A universidade pode atuar de forma a desvincular as pessoas da violência e vinculá-las à sala de aula, à educação e à formação profissional, tornando a educação uma das pernas no combate à violência", enfatizou o secretário, acrescentando que a nova pós-graduação irá qualificar melhor os agentes de segurança no que diz respeito à lida com estratégias e trato com as pessoas a partir dos direitos humanos.
O comandante do 27º BPM, tenente-coronel Moisés Ricardo Pinto, que fez parte de uma das mesas, mostrou que segurança pública não se faz só com a PM. "Depende dos demais órgãos e do apoio da comunidade", reforçou. Ele também falou a respeito da denúncia de desvio de armas do Exército. "Em havendo a confirmação desse fato, é de considerá-lo pernicioso, pois nosso trabalho busca, com maior incidência, retirar armas de circulação. Então, quando elas voltam para as ruas, é um retorno nefasto. Mas nosso trabalho é continuar apreendendo."
Entre os conferencistas do seminário, Leandro Piquet Carneiro, doutor em ciência política e pesquisador do Núcleo de Pesquisas em Políticas Públicas da Universidade de São Paulo, falou de parcerias que estão sendo realizadas entre esferas diferentes para amenizar a violência. Ele citou como a Guarda Municipal pode ter papel importante nessa questão. "Do ponto de vista constitucional, ela tem atribuições limitadas, mas pode cuidar das infrações administrativas, englobando normas e posturas municipais. Então, se está na rua, patrulhando aquilo que é próprio da esfera municipal, como ocupação de calçadas e praças e irregularidades envolvendo o comércio, pode ser fundamental no combate ao crime, porque o ambiente urbano se ordena, passa a mostrar que há regras, o que irá incidir sobre a criminalidade e, consequentemente, contribuir para redução da violência. Neste sentido, a guarda pode atuar de forma complementar ao trabalho da PM."




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