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10 de Dezembro de 2013 - 07:00

Por Michele Meireles

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Além das fotografias de jovens com armas e frases com ameaças explícitas feitas por integrantes de gangues rivais nas redes sociais, como mostrou a Tribuna na edição de domingo (8), os adolescentes usam músicas para mandar recados aos oponentes. Durante o levantamento feito pelo jornal nos últimos dois meses, diversos vídeos foram encontrados no Facebook e no YouTube, e a constatação é a mesma: as afrontas feitas nas letras, muitas vezes, se consolidam nas ruas. Nas publicações, há promessas de vingança e afirmações ousadas, como planos de resgatar suspeitos de crimes que estão apreendidos no Centro Socioeducativo ou presos no Ceresp.

Este é o caso de um vídeo publicado no Youtube e compartilhado por diversos jovens no Facebook, no qual integrantes do "Bonde dos Beckham", do Bairro São Judas Tadeu, Zona Norte, prometem libertar os companheiros. "Vamos invadir o Ceresp para libertar o Leozim, vamos pular de paraquedas, enquadrar os agentes. Invadir o Cerespinho para libertar o Dênis." Além disso, se passam por "bandidos e traficantes" e afirmam portar armas, ameaçando os 'inimigos' que entrarem no bairro. "Tem que ter disposição para vir botar a cara, ferramenta da cintura. Eu aconselho nem tentar, o buraco é mais embaixo. Se botar no 23 (em referência à linha de ônibus 723), vocês vão morrer à toa" (sic). Na música, eles ainda dizem que há tráfico de drogas no bairro. "Para os bairros vizinhos, podem ficar à vontade pra buscar droga no morro, estamos na atividade. Mas pra quem tá no vacilo, se aparecer no morro, vai ser recebido à bala" (sic).

Em resposta, os integrantes do "Bonde do Scooby", grupo do Bairro Santa Cruz, exibem em um vídeo, publicado em outubro, sua nova formação e declaram guerra aos rivais do São Judas. Em um vídeo postado no You Tube no mesmo mês, eles afirmam que "estão prontos para guerrear". "Nosso exército fardado de Adidas e Nike, pros alemão temos oitão (referência ao revólver de calibre 38)." Em outra parte da publicação, dizem ter armas mais poderosas do que as usadas pela polícia. "Quando as peças estão na mesa, alemão (inimigo) fica tremendo. Se enfiar na nossa reta, a chapa vai esquentar. Munição pra nois é mato, você já ouviu falar" (sic).

O delegado titular da 3ª Delegacia de Polícia Civil, Rodolfo Rolli, responsável pela apuração dos crimes na Zona Norte, acredita que 80% dos crimes violentos ocorridos na região têm ligação com as gangues. "O que eles fazem é tentar copiar grupos do Rio de Janeiro. Apesar de não ter poder como dizem, estão se formando verdadeiras facções na cidade. "Ele garantiu que a Polícia Civil está atenta aos grupos na internet e que o Bonde do Scooby foi extinto por meio de informações extraídas do Facebook.

Já na Zona Sul, o "Bonde dos Lindovick" compara o Bairro Santa Luzia ao Complexo da Maré, no Rio, e responde uma afronta feita em outra música produzida por jovens do Santa Efigênia. "Vocês falo que era o tal, que fazia e acontecia, que ia invadir o Gaúcho (Jardim Gaúcho) e tomar Santa Luzia. Mas tava despreparado e com nóis não aguentou. Descemos trocando tiros porque noís é o terror" (sic).

Para o assessor organizacional da 4ª Região da Polícia Militar, major Jeferson Ulisses Pires, a situação "transcende a ação da polícia. É necessário o envolvimento de vários órgãos. Se focarmos só na questão policial, vamos prender, e, em seguida, vão surgir outros grupos." No entanto, ele acrescenta que "a polícia vai estar sempre pronta para cumprir sua função de controle social, de não deixar as coisas extrapolarem".

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