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17 de Maio de 2014 - 07:00

Polícia vai investigar se morador agiu em legítima defesa, suspeitando de furto em sua residência

Por Marcos Araújo e Eduardo Valente

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Um homem de 25 anos morreu depois de ser agredido e esfaqueado pelo proprietário de um imóvel que ele tentava invadir. O crime foi registrado na madrugada desta sexta-feira (16), na Rua Inês Garcia, Bairro Benfica, Zona Norte. De acordo com o boletim de ocorrência da Polícia Militar, o homicídio foi cometido por um caminhoneiro de 32 anos. Ele contou que estava em casa quando ouviu um barulho no quintal e, ao sair para verificar do que se tratava, deparou-se com o suposto ladrão, Diego Fladimir de Oliveira. O invasor teria pulado o muro e começado a subir uma escada, quando o morador armou-se de uma faca e correu atrás de Diego, que fugiu. A perseguição ocorreu por cerca de um quilômetro, quando, em determinado ponto, segundo o relato do caminhoneiro, outro homem, não identificado no documento policial, o teria abordado, passando a agredi-lo com pauladas, como forma de defender o fugitivo. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil.

Conforme o documento policial, o caminhoneiro conseguiu se desvencilhar do seu agressor e entrou em luta corporal com Diego. Com posse de uma faca, teria começado a golpeá-lo várias vezes, na altura do tórax e do abdômen. Mesmo ferido, Diego ainda tentou fugir e pedir ajuda a outros moradores, mas sem êxito. A PM foi acionada e comunicou o fato ao Samu. A equipe médica que esteve no local ainda tentou reanimá-lo no interior da ambulância, mas o óbito foi confirmado antes de ele ser encaminhado a uma unidade hospitalar. A perícia da Polícia Civil esteve no local e realizou os primeiros levantamentos antes que o corpo fosse conduzido ao IML.

Segundo a delegada Patrícia Ribeiro, o caminhoneiro, que alegou legítima defesa, teve o flagrante confirmado e foi autuado por homicídio simples. Ele se apresentou aos policiais próximo ao local do crime. Nos próximos dias, a delegada determinará a realização de diligências com o objetivo de identificar testemunhas do crime.

A arma utilizada não foi encontrada e, segundo o autor, o objeto foi jogado em um córrego próximo ao local da violência. O boletim de ocorrências também menciona que a vítima fatal era conhecida no meio policial pela prática de outros crimes. Com este caso, sobe para 68 o número de mortes violentas contabilizadas este ano em Juiz de Fora, sendo três apenas esta semana.

Raiva

Para a antropóloga Marcella Beraldo de Oliveira, professora do curso de Pós-graduação em Ciências Sociais da UFJF, uma hipótese a ser levantada que pode justificar a ação de pessoas que tentam fazer justiça com as próprias mãos é o descrédito com as instituições públicas brasileiras. Ela acrescenta, no entanto, que não seria correto relacionar este crime com outros ocorridos no país nos últimos dias. "O caso de Juiz de Fora pode ter sido causado por extrema raiva. Devemos também salientar que o uso da arma branca é muito comum em crimes com forte apelo emocional. Para matar com este instrumento, é preciso utilizar muita força, o que demonstra a fúria deste homem, tomado pela intensa emoção. Esta seria uma prova da importância de a venda das armas de fogo ser proibida. Nem todos estão preparados para manuseá-las."

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