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01 de Maio de 2014 - 06:00

Reitor tenta solução em Brasília, mas já estão cancelados diversos procedimentos e internações

Por Kelly Diniz

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Diretor-geral do HU diz que várias tentativas de revisão de contrato foram feitas sem sucesso
Diretor-geral do HU diz que várias tentativas de revisão de contrato foram feitas sem sucesso

O Hospital Universitário (HU) da UFJF suspendeu todas as internações e procedimentos eletivos, assim como a admissão de novos pacientes que necessitem de terapia renal substitutiva, conhecida como hemodiálise, devido à escassez de recursos para a manutenção das unidades. Outros procedimentos, como consultas, exames laboratoriais externos, procedimentos de endoscopia, exames de imagem e as cirurgias ambulatoriais, também estarão suspensos a partir de segunda-feira. Em nota de esclarecimento enviada para várias autoridades locais, o HU ressalta que encontra-se em dívida com diversos prestadores e fornecedores, acarretando em "um grave desabastecimento no hospital com sérios prejuízos à assistência e ao ensino". O problema afeta as duas unidades da instituição: a localizada no Dom Bosco e a do Santa Catarina.

Só no setor de consultas serão cerca de cinco mil pacientes desassistidos mensalmente, já que esta é a média de atendimentos realizada pelo hospital. Dos 140 leitos existentes no HU, somente 50% deles estão ocupados devido à greve dos servidores técnico-administrativos da UFJF. "Como não vamos realizar novas internações, o número de leitos vagos deve aumentar e pode chegar até a 80%", conta o diretor-geral do hospital, Dimas Augusto Carvalho de Araújo. Tal situação irá agravar ainda mais o problema de superlotação de leitos e falta de médicos enfrentado na cidade. "Quem assumirá os novos pacientes renais crônicos? O HU é responsável por consultas especializadas justamente devido à escassez de profissionais no PAM-Marechal. O caos só vai aumentar", enfatiza o presidente do Sindicato dos Médicos, Gilson Salomão.

O HU necessita de R$ 2.884.616,62 mensalmente para desenvolver as suas atividades. Ele recebe uma receita mensal de R$ 916.903,50, o que resulta em um déficit de R$ 1.917.713,12 por mês. De acordo com a nota de esclarecimento emitida pela instituição, já foram realizadas várias tentativas de revisão desta contratualização com o Ministério da Saúde, Ministério da Educação e com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) que não surtiram resultados. "Essa é a única e exclusiva causa para a suspensão dos serviços. Se forem liberados os recursos, nós voltaremos a funcionar normalmente", esclarece Dimas. O diretor-geral ainda ressalta que os serviços estão sendo suspensos para garantir a segurança de quem está internado e a continuidade do atendimento daqueles que estão em tratamento.

Recursos

O secretário de Saúde do município, José Laerte Barbosa, disse que enviou nessa quarta-feira (30) um comunicado ao Ministério da Saúde relatando a situação. "Há uma contratualização entre Prefeitura e hospital. O dinheiro destinado ao HU já vem descontado no recurso do Fundo Municipal de Saúde, e o Ministério da Saúde repassa diretamente a quantia para o HU. Caso os atendimentos não sejam realizados, iremos precisar desse recurso para contratar outros prestadores que queiram oferecer esses serviços."

A Secretaria de Comunicação da UFJF informou que o reitor Henrique Duque se encontra em Brasília "empenhado na busca por alternativas para saldar a dívida do HU, de forma a minimizar os impactos causados pela interrupção do repasse".

Já a assessoria da Ebserh esclarece que, "no ano de 2014, já foram descentralizados recursos por meio do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf) no montante de R$ 1,094 milhão para o Hospital Universitário de Juiz de Fora. Além disto, foram repassados outros R$ 134.606,00 pela ação orçamentária que trata do funcionamento e gestão de instituições hospitalares federais. A unidade também recebeu pela produção assistencial o valor de R$ 5,6 milhões". No entanto, a primeira parcela de recursos do Rehuf ainda não foi descentralizada para nenhum hospital da rede, o que deverá ocorrer dentro dos próximos 15 dias, de acordo com a Ebserh. A assessoria ainda enfatizou que, para solucionar o problema de recursos do hospital, que tem grande gasto com a folha de pagamento, é preciso ocorrer a assinatura de contrato com a empresa. Assim, "a Ebserh fará a recomposição da força de trabalho, desonerando o hospital com a questão da folha de pagamentos".

 

Prejuízos a alunos e usuários

Alunos da Faculdade de Medicina da UFJF que realizam estágio no Hospital Universitário (HU) estão preocupados com a suspensão dos serviços realizados pela instituição. Eles relatam que há um número limitado de pacientes e falta de medicamentos e insumos. "Não tem medicação. Estamos tendo que adequar a medicação existente para a necessidade do paciente. Também não tem papel para pedir exame. Não podemos imprimir exame. Não tem reagentes. Daqui a pouco, vai começar a não ter pacientes", contou uma estudante do último ano de medicina, que preferiu ter a identidade preservada.

Além dos alunos, professores também estão preocupados com a qualidade do ensino. "Nossa preocupação é ensinar o aluno a fazer um trabalho de qualidade no atendimento. Para ensinar boa medicina, não precisamos de muitos pacientes, mas precisamos ter qualidade. Vai chegar um momento que isso não será possível. Podemos ter poucos pacientes, mas precisamos ter a estrutura funcionando", relata o coordenador-geral de estágios da Faculdade de Medicina, Ronald Roland. Ele explica que, se o problema evoluir, alternativas serão analisadas para que os alunos não fiquem prejudicados.

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