Publicidade

10 de Maio de 2014 - 07:00

Alunos e professores enfrentam escuridão perto de instituições, onde criminosos e traficantes aproveitam para agir

Por Cíntia Charlene (colaboraram Michele Meireles e Kelly Diniz)

Compartilhar
 
Depois da aula, alunos da Fernando Lobo têm que enfrentar escuridão na Rua Coronel Pacheco
Depois da aula, alunos da Fernando Lobo têm que enfrentar escuridão na Rua Coronel Pacheco
No Bairro de Lourdes, população evita usar a Rua Maria Garcia por causa da iluminação precária
No Bairro de Lourdes, população evita usar a Rua Maria Garcia por causa da iluminação precária
No Linhares, quatro postes estão com as lâmpadas apagadas próximo a dua instituições de ensino
No Linhares, quatro postes estão com as lâmpadas apagadas próximo a dua instituições de ensino

Medo e insegurança estão presentes na rotina de alunos, educadores e vizinhança de algumas escolas cujos entornos estão às escuras. Em alguns pontos, a iluminação é precária, enquanto em outros ela é inexistente, o que torna-se um empecilho à mais para aqueles que frequentam as aulas no período noturno. Além disso, aliciadores do tráfico de drogas agem com mais facilidade nestes locais, aproveitando-se da situação. Após denúncia de leitores, a Tribuna percorreu instituições em vários pontos da cidade onde encontrou o problema.

Estudantes da noite de dois colégios do Linhares, na Zona Leste, têm que enfrentar a situação. A falta de luz afeta a região da Escola Estadual Dilermando Costa Cruz e da Escola Municipal Professor Helyon de Oliveira (Caic). Na Rua Diva Garcia que dá acesso aos colégios e ao Ceresp, quatro postes estão com as lâmpadas apagadas, o que compromete a visibilidade. De acordo com moradores, a via é deserta e perigosa, por isso, muitos evitam passar por ela à noite. A praça localizada em frente às escolas está às escuras, fator que compromete ainda mais a segurança.

Um funcionário, 45 anos, que trabalha na área, conta que o cenário é o mesmo há algum tempo. "Se as luzes do Dilermando Costa Cruz tiverem algum problema, vai ficar ainda pior, e a possibilidade de alguém cometer algum delito é maior. Se houvesse iluminação, as pessoas se sentiriam mais seguras." No local, muitos moradores tiveram receio em expor sua opinião sobre a situação. O vice-diretor da Escola Estadual Dilermando Costa Cruz, Vando Victal, explica que trabalha há nove anos na escola e que a situação sempre foi assim. "Aquela região é muito escura. Quando eu trabalhava à noite, tinha medo de ficar sozinho ali por causa da escuridão. Pela manhã, os funcionários deveriam começar o serviço às 6h, mas a gente pede para chegarem às 6h20, 6h30 quando está mais claro e por já ter mais gente na escola."

No entorno da Escola Estadual Fernando Lobo, no Bairro São Mateus, o caso se repete. Ao lado do colégio, a Rua Coronel Pacheco tem postes com iluminação insuficiente, o que deixa grandes trechos no escuro. Segundo moradores, a situação que se arrasta há anos favorece a ação de indivíduos que realizam o comércio de drogas na via. No dia 24 de abril, um adolescente de 17 anos foi apreendido e dois rapazes de 20 e 23 anos foram presos por suspeita de tráfico de drogas nas proximidades da escola. O caso foi descoberto quando policiais militares realizavam patrulhamento e suspeitaram da atitude dos três jovens. Com eles foram encontradas seis buchas de maconha. Os detidos foram levados para a delegacia.

O quadro incomoda a comunidade. "Já fizemos vários pedidos, discutimos em reuniões, colocamos em pauta. É uma coisa que as autoridades já têm conhecimento. A pessoa mal intencionada aproveita da situação de penumbra para agir", afirma o membro do Conselho Comunitário de Segurança Pública de São Mateus, José Luiz Britto Bastos. Ele ainda completa: "Acho que a área perto das escolas precisa ter toda a atenção das autoridades. Não só com relação à iluminação, mas sinalização de trânsito, policiamento e até mesmo câmeras de proteção para que possamos saber o que está ocorrendo na via. São medidas preventivas."

Um aposentado de 85 anos, que prefere ter a identidade preservada, só sai à noite em caso de necessidade. "Não vejo policiamento nem de dia e nem de noite. É horrível. Até a Rua São Mateus, depois da 23h, é complicada, tem muitos assaltos. Pagamos impostos e não temos assistência."A estudante Léia Gonçalves, 38, que é aluna do período noturno na Fernando Lobo, tem receio de passar pela área, mas utiliza a travessia para cortar caminho. "Tenho medo, saio da escola às 22h, e, muitas vezes, evito passar pela rua. Só passo por lá quando tenho companhia, se não dou a volta." Outra estudante completa: "Acho a rua sinistra e escura. Quando saímos do colégio, não dá para ver se tem alguém escondido. E, às vezes, vemos alguns meninos parados na esquina. Não sabemos se eles irão nos abordar."

 

 

Esquina perto de colégio é ponto de uso de drogas

A Escola Estadual Ali Halfeld, localizada na Praça Doutor Jair Garcia, no Bairro de Lourdes, região Sudeste, também tem o entorno com iluminação precária. A Rua Maria Garcia, ao lado do colégio, que faz esquina com a Doutor Dilermando Cruz, está com um poste apagado. Segundo moradores, a esquina entre as vias é ponto principalmente para o uso de drogas. Um comerciante, 42, que trabalha nas proximidades e prefere ter a identidade preservada, revela que já teve a loja assaltada e arrombada algumas vezes. "A falta de iluminação afasta os clientes que têm receio de transitar pela via à noite, e isso reflete nas vendas. Além disso, ficamos apreensivos e de olho principalmente na esquina, onde alguns jovens ficam sentados. Tem gente que aproveita a escuridão para fumar maconha. Tenho receio até de sair na hora de fechar a loja. Passei a abrir mais tarde, por questão de segurança." Uma dona de casa, 45, conta que a escola já foi arrombada várias vezes . "Na esquina, fica uma molecada. Não sei o que ficam fazendo. Acho que a falta de iluminação acaba favorecendo isso. Quando preciso passar, prefiro dar a volta pelo outro lado."

A Cemig, empresa responsável pela iluminação pública, informou, por meio de sua assessoria, que a solicitação de instalação de lâmpadas com maior luminosidade e para colocação de novos pontos de luz é responsabilidade da Prefeitura. Já com relação às lâmpadas queimadas, equipes serão enviadas aos locais na próxima semana para verificação. Pessoas que constatarem problemas como este podem ligar para o número 116.

A assessoria da Empav informou que, sobre a situação do Bairro São Mateus, um técnico da pasta será enviado na segunda-feira para analisar o caso. Se houver necessidade de fazer uma melhoria na iluminação no local, a Prefeitura vai enviar um projeto para a Cemig executar. Sobre a escassez de luz na praça do Linhares próximo às escolas do bairro, a pasta informou que um técnico irá ao local na segunda-feira para verificar a situação e providenciar os reparos.

 

Policiamento

Quanto à reivindicação de policiamento na região das escolas no Linhares, área de responsabilidade da 70ª Companhia da PM, o assessor organizacional do 2º Batalhão da Polícia Militar, tenente José Augusto Viana, destacou que a corporação já tem atenção especial com a região. "Os locais já são conhecidos pelos problemas de tráfico de drogas. É lançado policiamento rotineiro na área. Também temos um posto policial próximo ao Caic e realizamos patrulhas escolares." Já em relação à insegurança por conta da falta de iluminação ao redor da Escola Ali Halfeld, no Bairro de Lourdes, o oficial afirmou que são feitas rondas policiais pela 135ª Companhia. Em relação ao patrulhamento em torno da Escola Estadual Fernando Lobo, no Bairro São Mateus, o comandante da 32ª Companhia, capitão Ricardo França, afirmou que a "Patrulha escolar" é feita em todas as instituições de ensino da Zona Sul. "O entorno da Fernando Lobo apresentou alguns problemas no início deste ano, e os fatos vêm sendo acompanhados", relatou o policial.

Publicidade

Publicidade

Mais comentários

Ainda não é assinante?

Compartilhe

Publicidade

Encontre um tema na

Pesquisa

Edição impressa

Enquete

Você escolhe seu candidato através de: