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04 de Maio de 2014 - 07:00

Por Cíntia Charlene

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Interior das casas também precisou de reparos
Interior das casas também precisou de reparos
Telhados quebrados, rachaduras, trincas e infiltrações são problemas recorrentes para quem vive no conjunto habitacional Parque das Águas, na região do Monte Castelo, Zona Norte. As casas, construídas por meio do programa "Minha casa, minha vida", do Governo federal, são alvo de inúmeras reclamações. Mas, de acordo com os moradores, nas últimas semanas, engenheiros e arquitetos da Caixa Econômica Federal e da construtora Cherem, responsável pelo empreendimento, realizaram vistorias nos imóveis. Um levantamento prévio da comunidade contabilizou 120 moradias precisando de algum tipo de reparo. Das 565 unidades existentes, 70% já se cadastraram para passar pela vistoria. Deste percentual, 50% já receberam a visita dos engenheiros e aguardam posteriormente os serviços de reparo. Atendida esta parcela, os profissionais retornam para realizar o restante das vistorias. Até o momento, 22 famílias foram atendidas com reformas. Entre elas, duas mobilizaram toda a equipe de pedreiros. Em um dos casos, a frente da residência precisou ser toda destruída para ser reerguida novamente.
 
Segundo a presidente da Associação de Moradores do Parque das Águas, Fabiana Batista Salmer, todas as visitas feitas são acompanhadas por um membro da entidade, e as residências em situação mais crítica estão sendo priorizadas. "Assim que acontece a vistoria, a casa entra em uma lista de espera para receber a equipe de pedreiros e serventes. É um processo demorado, já que existem casos em que os servidores precisam trabalhar por mais tempo. Por isso, é importante a compreensão por parte da comunidade." Segundo Fabiana, os reparos estão sendo realizados por várias equipes. "Com o objetivo de agilizar o processo, a construtora pediu que a associação indicasse pessoas do bairro para trabalhar. Acho isso favorável, já que existem vários pais de família que não estão empregados. No momento, cerca de 15 pessoas, entre moradores e funcionários da construtora, trabalham nos reparos."
 
O proprietário Luiz Carlos Barbosa, 59 anos, está otimista com a iniciativa. "É uma grande conquista nossa. A gente ligava para a construtora, e eles falavam que não iam mexer. Quando a veracidade das denúncias foi confirmada, a Caixa resolveu tomar a frente junto à construtora. Tem gente que pensava que nunca seríamos atendidos, mas finalmente seremos." A tesoureira da associação, Ana Paula Aparecida Barbosa Maier, 31, acompanha a visita dos profissionais às casas. "Estamos avisando a todos os moradores para procurar a associação, com o contrato do imóvel em mãos, e fazer o cadastro. Só depois é que o engenheiro vai às casas para identificar o problema. A maioria deles tem a ver com os telhados." Segundo a presidente da associação, até o momento, 70% dos imóveis já foram cadastrados. "Ainda estamos enfrentando resistência de alguns moradores. Alguns não acreditam que suas casas irão receber os reparos. É importante que as pessoas façam o cadastro. Só assim serão atendidas."
 
A doméstica Vânia Lúcia Severiano, 38, foi uma das contempladas. Há três meses, o problema em uma das paredes da casa rendia a ela uma conta de água mensal de R$ 200. "O engenheiro descobriu um cano quebrado no banheiro, a equipe veio e arrumou. Além disso, pintaram as paredes que estavam com mofo." 
 
Medo
A auxiliar de serviços gerais Magaia Aparecida Lima, 28, explica que a casa onde mora com o marido e sete filhos apresenta vários problemas, como rachaduras e buracos no chão. O aquecedor é outro transtorno. O equipamento está solto, e o telhado não sustenta o peso. "Meu medo é ele cair. Mas o pior é o piso que se afastou da parede. Os revestimentos estão levantando."
 
Em nota, o diretor-presidente da Emcasa, Luiz Carlos dos Santos, informou que os moradores do loteamento Parque das Águas contam com o auxílio de uma equipe social da pasta, encarregada de fazer o levantamento das solicitações e encaminhá-las aos responsáveis pelas reformas, a Caixa Econômica Federal e a construtora Cherem.  Ainda segundo Luiz Carlos, "a Emcasa tem uma equipe técnica, que faz a avaliação dos trabalhos realizados". 
 
A Tribuna entrou em contato com a construtora Cherem, mas não obteve resposta. Por meio de nota, a Caixa Econômica esclareceu que "já notificou a construtora responsável para fazer os reparos necessários, conforme prevê o projeto "De olho na qualidade do programa Minha casa minha vida". A nota informou ainda que, caso a construtora não realize os reparos, será incluída no cadastro restritivo e fica impedida de efetuar novas contratações com o banco. Dessa forma, a Caixa contrata outra empresa para realizar o serviço e aciona a construtora na Justiça para ressarcimento dos custos.

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