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03 de Abril de 2014 - 07:00

Por Tribuna

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Loteamento virou território livre para traficantes
Loteamento virou território livre para traficantes

Corrigida em 04/04/14 às 18h15

Moradores do Bairro Linhares, região Leste de Juiz de Fora, denunciam a invasão de imóveis no condomínio residencial Porto Seguro, construído por meio do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS). A informação é de que as casas populares estão sendo ocupadas por traficantes, que comercializam entorpecentes no local, intimidando a comunidade da região. "Vendem drogas a qualquer hora do dia e da noite, inclusive circulam com armas", relata um homem, cuja mãe, que é idosa, reside perto do condomínio. Ele conta que a casa dela já foi roubada, e que tem crescido o registro de assaltos nas redondezas. "O tráfico toma conta de tudo e ninguém enxerga. Ninguém faz nada. Estamos só por nossa conta."

(Anteriormente, a Tribuna havia publicado que o condomínio fazia parte do programa "Minha casa, minha vida")

O loteamento tem 120 unidades e, das residências sorteadas pela Emcasa, apenas 12 foram repassadas para os respectivos proprietários. Mesmo assim, parte deles optou por não ocupar seus imóveis, devido aos problemas de segurança no local. Outro grupo chegou ao endereço, mas encontrou a casa já ocupada por estranhos. "Teve proprietário que veio aqui, mas desistiu," observou uma moradora da área. Segundo ela, a questão mais agravante é que os invasores, em sua maioria, são traficantes. "Aqui a droga rola solta. O bicho pega toda semana. Dia sim, dia não, tem tiroteio."

Moradores observam que alguns pontos negativos de infraestrutura no bairro contribuem para a ação dos criminosos, como terrenos baldios tomados pelo mato, que facilitam a fuga de suspeitos e o armazenamento de entorpecentes. "Perto da minha casa, o matagal está enorme, lugar fácil para esconderem drogas, tenho até medo do que podem jogar lá. Escuto tiroteio e fico morrendo de medo," declarou outra pessoa residente na área.

Na avaliação da comunidade do Linhares, o tráfico de drogas ainda estaria relacionado com o aumento da violência e dos assaltos na área. A informação é de que a população tem mudado sua rotina em função da insegurança. "Tenho medo de sair e, ao voltar para casa, não ter mais nada. Aqui está igual às comunidades do Rio de Janeiro, não temos mais sossego, depois das 20h não dá para sair. Eu fico só dentro de casa. Nesses lugares assim, o jeito é evitar."

 

Emcasa

Por meio de nota, a Emcasa informou que os moradores do condomínio Porto Seguro foram selecionados para o Programa de Habitação de Interesse Social da Emcasa em 2008. No período de finalização das obras, algumas casas foram depredadas, paralisando a entrega das residências. Ainda conforme a nota, no ano passado, após a posse da nova administração, as obras foram retomadas e as casas passaram a ser entregues de cinco em cinco unidades para evitar novas depredações. Apesar disso, algumas residências foram invadidas. A informação é de que a Emcasa registrou boletins de ocorrência junto à Polícia Militar e está agindo conforme a lei para que seja dado andamento aos processos de reintegração de posse no condomínio.

 

Polícia Militar

Já o comandante da 70ª Companhia da PM, responsável pelo patrulhamento na área, capitão Marcelo Alves, a Prefeitura registrou uma ocorrência referente à invasão no residencial em fevereiro deste ano. Segundo o comandante, devido à gravidade da situação - invasão por traficantes - será necessário fazer um planejamento específico para realizar uma operação no local. Até o momento, não houve nenhum mandado de prisão cumprido no residencial Porto Seguro.

 

Invasões

No último mês, a Tribuna mostrou que em Juiz de Fora mais de 20% dos imóveis do programa "Minha casa, minha vida" tiveram o uso desviado, sendo ocupados por pessoas que não foram contempladas oficialmente. A Caixa Econômica Federal já instaurou 89 ações de reintegração de posse, que estão em tramitação.

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