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07 de Junho de 2014 - 07:00

Média de 8 autuações por semana é feita no trecho íngreme, onde não podem circular veículos acima de seis toneladas

Por Bárbara Riolino

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Tribuna flagrou caminhões passando pelo ponto
Tribuna flagrou caminhões passando pelo ponto

Uma média de oito caminhões é flagrada e autuada semanalmente pela Settra, por trafegar em desacordo com as regras aplicadas na Avenida Rio Branco, na altura da Garganta do Dilermando. Mesmo com sinalização visível indicando a proibição, motoristas de veículos com capacidade de carga acima de seis toneladas - que equivale a caminhões de grande porte - insistem em transitar pela via, oferecendo riscos a outros condutores e pedestres que circulam no trecho. No intervalo de dois dias, a Tribuna flagrou dois caminhões passando pelo ponto, sendo que um deles apresentou problemas e ficou parado por horas em uma das pistas no sentido Centro/bairro. O caso aconteceu no dia 23 de maio, uma sexta-feira, e obrigou os demais motoristas a realizarem manobras de desvio invadindo a contramão da via.

A cena soma-se a outras recentes já denunciadas pelo jornal, que chamaram a atenção pelo tamanho dos veículos e a carga transportada. Em menos de um ano, um caminhão com 22 metros de comprimento, que carregava cerca de 26 toneladas de vidro, quebrou na Garganta e só foi removido 12 horas depois. Em 2012, outra ocorrência chamou atenção. Desta vez, uma carreta com 35 toneladas de madeirite não conseguiu subir e, ao tentar realizar o retorno, de ré, formou um "L" na avenida, interditando as duas pistas por três horas. Por sorte, a carga não se desprendeu da carroceria.

Para os moradores da região, conviver com a subida inadequada destes veículos virou rotina e, também, motivo de críticas. "A placa indicando o limite de carga deveria ser colocada antes da subida, na esquina com a Rua Américo Lobo. Como a sinalização fica bem na subida, acredito que os motoristas só se dão conta da proibição quando já não dá para o caminhão subir", aponta a gerente Lúcia Bisaggio, 44 anos, acrescentando que outros vizinhos já sentiram dificuldades em entrar e sair de suas garagens por conta de engarrafamentos causados nestas ocasiões. Outra vizinha, a aposentada Maria das Graças Silva, 66, atribui os transtornos às tentativas de manobras. "O pior acontece na descida, pois tem muito movimento e sempre dá problema. Já presenciei muitas destas ocorrências, mas graças a Deus, nenhum acidente grave."

Na visão do chefe do Departamento de Fiscalização de Transporte e Trânsito da Settra, Paulo Peron Júnior, o problema é recorrente, pois o trânsito de caminhões na cidade é flutuante. No entanto, ele reitera que a sinalização existente em qualquer via precisa ser respeitada. "O condutor precisa ficar mais atento às regras de circulação implantadas em cada trecho. Falta de atenção não é desculpa."

 

Fiscalização

Embora o efetivo de agentes de trânsito na cidade esteja longe do ideal, a fiscalização na região da Garganta é feita toda semana, em dias e horários aleatórios. "A preocupação está mais voltada para a segurança do que para a multa em si. Tanto na subida, como na descida, é preciso considerar o peso da carga e o comprometimento da visibilidade", explica Peron. A Settra informou que o caminhão que apresentou problemas no dia 23 de maio foi notificado pelos agentes.

O professor da UFJF e especialista em trânsito José Alberto Castañon explica que a proibição no trânsito de caminhões em regiões íngremes, como na Garganta, acontece em função de quatro fatores: incapacidade de frenagem e tração, altura, peso e segurança. "Durante a subida, muitos não conseguem tracionar e acabam quebrando e, na descida, o freio pode não aguentar e, com o peso da carga, ganhar mais força e causar acidentes graves. A altura é outro ponto importante a se observar, pois os caminhões podem ficar presos, como já aconteceu no Mergulhão, ou derrubar algum elevado, como aconteceu na Linha Amarela, no Rio de Janeiro. A visibilidade também fica comprometida por ser um veículo longo, impossibilitando a visão de pedestres e de outros veículos."

Castañon pontua que as placas precisam ser observadas com mais atenção, sobretudo por serem diferentes nas estradas e no perímetro urbano. "No primeiro caso, elas são maiores e espaçadas, no outro, são menores e colocadas juntamente com outras. O que também não justifica o não cumprimento das regras."

 

Trechos problemáticos

Além da Garganta do Dilermando, em outros pontos da cidade são registrados problemas semelhantes. Segundo a Settra, a proibição do tráfego de caminhões também acontece na Alameda Ilva de Mello Reis, que liga o Bairro Santo Antônio ao Retiro, região Sudeste, e a região central. Na primeira via, não é permitida a circulação de veículos com cargas acima de 4,5 toneladas. No entanto, a regra não é cumprida. Só em abril passado, 18 caminhões foram autuados pelo Departamento de Fiscalização de Transporte e Trânsito por não respeitarem a legislação.

Em algumas vias do Centro, o decreto municipal 9.357, de 2007, define que veículos com capacidade de carga acima de quatro toneladas não podem circular, entre 11h e 20h, no polígono central de Juiz de Fora, compreendido entre as ruas Santo Antônio e Barão de Cataguases, Avenida Francisco Bernardino, Travessa Doutor Prisco Vianna, Praça Antônio Carlos e Avenida Itamar Franco, e todas as vias incluídas neste perímetro. Nesses locais, é permitido o trânsito de caminhões, com capacidade de carga de até 14 toneladas, entre 20h e 11h. Mesmo com a legislação, a Tribuna frequentemente registra flagrantes de motoristas infringindo a lei, sobretudo nas avenidas Rio Branco e Itamar Franco.

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