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13 de Dezembro de 2013 - 07:00

Por Eduardo Valente

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Depois de alagamento da véspera, lama tomou a Rua Bady Geara, no Ipiranga
Depois de alagamento da véspera, lama tomou a Rua Bady Geara, no Ipiranga
Córrego voltou ao nível normal nesta quinta
Córrego voltou ao nível normal nesta quinta
"Há muito tempo não via algo como desta semana", diz o comerciante João Mendes
"Há muito tempo não via algo como desta semana", diz o comerciante João Mendes

As inundações nos córregos da Zona Sul de Juiz de Fora, durante o período chuvoso, têm causado preocupação em moradores e comerciantes da região. No Bairro Santa Luzia, a forte correnteza observada na Avenida Santa Luzia, na última quarta-feira, chamou a atenção da comunidade e resultou em prejuízos. Na Rua Ibitiguaia, o proprietário de um açougue deverá pagar R$ 1.200 por um novo motor do freezer, que queimou-se ao entrar em contato com a água. Já na Rua Bady Geara, no Bairro Ipiranga, uma loja de móveis precisou ficar fechada por quase 24 horas para que a enchente não atingisse as mercadorias. Se na quarta a água era a vilã, nesta quinta o problema estava na lama e na poeira. Mais que lamentar, moradores e lojistas têm sofrido com a tensão durante o período chuvoso, pois a enxurrada tem invadido ruas rapidamente, e pouco pode ser feito para evitar as perdas.

"Na chuva de ontem (quarta-feira), a água subiu alguns centímetros, mas já houve anos de atingir até meio metro. Estou aqui há 23 anos e, há muito tempo, não via algo como desta semana. Pior quando é à noite, porque não consigo dormir e fico sem saber o que fazer", disse o comerciante João Mendes Martins, 72 anos. Conforme o também comerciante João Batista Xavier, 56, proprietário de uma padaria e de um açougue na Rua Ibitiguaia, a cada ano a situação está pior. "Qualquer chuva é motivo para entrar água no comércio. Santa Luzia está muito complicado. Várias vezes preciso deixar as lojas fechadas após as chuvas, porque entra muita barata, e preciso me dedicar à limpeza. Às vezes, fico muito desanimado, mas estou aqui há vários anos e não tenho vontade de mudar de lugar."

Segundo o cabeleireiro Carlos Alberto Alencar, 48 anos, a impressão na quarta-feira era de que a correnteza entraria até nos prédios, tamanha a força e velocidade com que a água se movimentava. Por sorte, segundo ele, as precipitações duraram poucos minutos, senão os danos seriam ainda maiores. "Estou pagando a primeira prestação do meu carro zero, e ele estava na rua ao lado do córrego. Corri para buscá-lo e deixá-lo em frente ao salão (na Rua Ibitiguaia)." Apesar de colocar o automóvel em uma área mais alta, a água chegou a atingir as rodas.

Ipiranga

Depois que o córrego voltou ao nível normal, restou a sujeira e a poeira na Rua Bady Geara, via de acesso aos bairros Sagrado Coração de Jesus e Vale Verde. Nas casas, a lama podia ser observada até nas janelas, resultado da combinação de rua alagada e veículos transitando em alta velocidade. Mônica Deize, 39, mora na região e mantém uma loja de móveis na Rua Bady Geara. Na quarta-feira, ela precisou fechar o comércio para que a água não invadisse, e no dia seguinte foi dia de limpeza. "Só abri a loja à tarde. Está muito difícil, e já pensamos na possibilidade de alugar outra loja. No bairro, quando há enchente, surgem muitas baratas, ratos e até cobra."

Segundo o diretor de Desenvolvimento e Expansão da Cesama, Marcelo Mello do Amaral, é responsabilidade da companhia limpar as margens e retirar os entulhos dos córregos, trabalho que, segundo ele, tem sido feito com frequência. "Na Zona Sul, as intervenções este ano foram até maiores, porque trabalhamos muito em conjunto com outros órgãos, como o Demlurb. Por isso, não há nada impedindo o fluxo." Ele informou que a parte estrutural, como a capacidade do leito de drenar água de chuva, é de responsabilidade da Secretaria de Obras. Por meio da assessoria, a pasta informou que atualmente está em estudo um projeto que visa a criar bacias de detenção das águas dos córregos Santa Efigênia e Salvaterra, para que elas não escoem diretamente no Córrego Santa Luzia, diminuindo o fluxo e evitando alagamentos. Por ser uma obra cara, a expectativa é que este projeto seja incluído no Plano de Saneamento Básico do município, em fase de finalização.

 

37 ocorrências na Defesa Civil

Entre 8h e 18h04 desta quinta, a Defesa Civil atendeu a 37 ocorrências relacionadas aos danos causados pelas chuvas. Destaque para dois imóveis, nos bairros Grajaú, Zona Leste, e Floresta, Sudeste. Neste último, na Rua Ipê 80, três moradores estão temporariamente na casa de vizinhos. Eles foram orientados a não voltar para a residência até que as correções sejam feitas. O problema na casa teria sido causado pelo abalo da cobertura e do telhado. Já a outra ocorrência foi registrada na Rua Rosa Sfeir 600, onde foi preciso demolir a varanda do imóvel, que ameaçava cair. No entanto, havia segurança para que a família permanecesse no local.

Ao longo do dia, a Secretaria de Obras trabalhou na retirada de barreiras em ruas e avenidas dos bairros Graminha, Novo Horizonte, Ipiranga, Marilândia e Salvaterra. Já a Cesama atuou na limpeza e desobstrução do Córrego São Pedro, na divisa entre os bairros Santos Dumont e Aeroporto.

 

Precipitações atípicas

Entre o dia 1º deste mês e esta quinta-feira choveu na cidade 237,7 milímetros, o que representa 72% do esperado para dezembro, conforme a média histórica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que é de 327,1 milímetros. O acumulado de chuvas deste mês já é 19% superior a todo dezembro de 2012, quando foram registrados 199,2 milímetros.

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