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12 de Abril de 2014 - 16:57

Por Tribuna

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Grupo  defende a autonomia pelo próprio corpo
Grupo defende a autonomia pelo próprio corpo

Na manhã deste sábado (12), em Juiz de Fora, foi realizada uma manifestação contra a violência obstétrica, organizada pela Aliança de Mulheres por uma Maternidade Ativa (Amma), em apoio a Adelir Carmen Lemos de Góes, mulher que foi forçada e coagida pela Justiça da cidade de Torres, no Rio Grande do Sul, a ser submetida a uma cirurgia cesariana. O movimento é nacional, e conta com o apoio de grupos ativistas relacionados à saúde da mulher e aos direitos sexuais e reprodutivos femininos.

O movimento visa orientar a sociedade sobre o assunto e chamar a atenção do Ministério Público para a necessidade de investigação desses atos médicos, pois a autonomia pelo próprio corpo é garantida por lei, uma vez que trata-se de um direito assegurado pela Convenção Americana de Direitos Humanos, da qual o Brasil é signatário.

Em Juiz de Fora, o ato público começou em frente à Câmara Municipal, e a maioria dos participantes estava com roupas pretas e cartazes com dizeres "Somos todas Adelir", "Meu corpo, minhas regras" e "Cadê nosso direito de escolha". "Além de apoiar as ações que estão demandando processos a favor da Adelir, o nosso objetivo é esclarecer a população sobre o que é a violência obstétrica. Nós não estamos lutando só pela via de parto mas sim pela autonomia da mulher optar pelo que ela considera mais seguro e fazer com que os mitos parem de ser usados para amedrontar as gestantes a fazerem cirurgias cesarianas que elas não querem", relatou a assistente social e coordenadora da Amma, Soraya Perobelli.

Algumas ativistas não chegaram a passar por traumas durante a gestação, mas ainda assim participam de grupos sobre partos naturais, pois consideram a causa de extrema importância, assim como Soraya, que foi motivada pelo seu trabalho: "Minha monografia foi sobre humanização na saúde e pesquisando sobre as temáticas eu encontrei a humanização do nascimento. E me apaixonei. Entrei para grupos de email como o Parto nosso e o Parto do princípio. Depois de muitos anos na militância que tive filho. Sou o inverso da maioria, porque geralmente as militantes entram para o mundo da humanização após sofrerem uma cesariana desnecessária ou alguma violência obstétrica".

Uma gestante de nove meses, Simone Lima Ferreira, com o parto previsto para esta segunda-feira, esteve presente no manifesto e afirmou que há maior possibilidade de conseguir o nascimento natural do seu filho por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). "A minha ginecologista me informou que seria mais fácil pelo SUS. Eu vou esperar entrar em trabalho de parto para ter meu filho no Hospital João Penido ou na Santa Casa. Vou ver quais ginecologistas obstetras que estão de plantão nesses locais, e olhar quais são favoráveis a fazer o parto sem intervenção."

O caso Adelir

Esse assunto ganhou maiores proporções quando a história de Adelir veio a público. Ela já havia sido induzida a outras duas cesáreas, pretendia ter um parto normal no terceiro filho. Mas, após algumas dores, ao procurar o Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, em Torres, a médica ordenou que ela se internasse para uma cesariana imediatamente. Adelir não aceitou, assinou um termo de responsabilidade e voltou para casa com o objetivo de esperar o trabalho de parto.

A médica não concordou com a atitude da gestante e decidiu acionar a Justiça, alegando risco iminente de morte. Adelir com nove centímetros de dilatação e com contrações ritmadas de cinco em cinco minutos, sob ameaça de prisão, foi levada ao hospital com um oficial de justiça e duas viaturas policiais. Além disso, o seu marido foi impedido de acompanhar o procedimento, sendo que, desde 2005, a Lei 11.108 garante esse direito.

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