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28 de Maio de 2014 - 07:00

Para tentar resolver discrepância, Secretaria de Saúde realiza recenseamento de usuários

Por Camila Caetano

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A agente comunitária Patrícia Maria Pires realiza o recadastramento de Maria Aparecida Bitencourt
A agente comunitária Patrícia Maria Pires realiza o recadastramento de Maria Aparecida Bitencourt
Mais de 30 pessoas em fila para solicitar cartão SUS no PAM-Marechal
Mais de 30 pessoas em fila para solicitar cartão SUS no PAM-Marechal

Dois milhões e meio de cartões do SUS estão em circulação em Juiz de Fora, apesar de a população do município ser de aproximadamente 545 mil habitantes. O dado é da Secretaria de Saúde e mostra que há uma discrepância nos números do documento, já que ele é individual, e cada cidadão deve possuir apenas um. O cartão SUS é obrigatório para que o usuário consiga qualquer atendimento de saúde na rede pública, como consultas, exames e ainda para acesso a medicamentos gratuitos. Apesar de já haver um excesso de cartões, a fila para conseguir um novo é grande diariamente no PAM-Marechal. Quem precisa de assistência fica indignado, já que nem sempre pode permanecer horas no local esperando para ter o documento.

De acordo com a secretaria, essa incongruência nos números se deve tanto pelo fato de algumas pessoas portarem mais de um cartão, quanto pela desatualização dos dados em Juiz de Fora, já que o último cadastro de usuários foi feito em 2012. Desta forma, uma das primeiras ações do Plano Diretor para a Atenção Primária à Saúde está sendo a realização do recadastramento de toda a população, a fim de verificar e cancelar os cartões que não são utilizados e ainda fazer a solicitação de um novo para aqueles que não o possuem. Esse projeto começou no dia 5 deste mês, e a expectativa é que seja finalizado em 30 de junho.

 

Espera

Apesar dos 540 agentes comunitários de saúde já estarem percorrendo as residências, ainda são frequentes as longas filas no PAM-Marechal. A Tribuna esteve no local e constatou uma série de pessoas que aguarda o atendimento. Júlio Ubirajara estava à espera por duas horas, e ainda havia 14 pessoas à sua frente. Além disso, outros juiz-foranos comentaram que foram à unidade duas ou três vezes, sem resultados. Valéria Cristina da Silva contou que há dois meses está com um pedido de exame, contudo, como perdeu seu cartão, não consegue marcá-lo. Por diversas vezes, ela esteve no PAM-Marechal para retirar a segunda via, mas desistiu por conta da fila.

Segundo relatos dos usuários, além das filas expressivas, outro problema são as constantes falhas no sistema on-line. De acordo com eles, muitas vezes, após horas de espera, os funcionários dispensam todos, alegando que o sistema não está em funcionamento. Mãe de um menino de 1 ano e 4 meses e uma menina de 9 anos, Jeiziane Beatriz de Paula Teodoro relatou que sua casa desmoronou há aproximadamente um ano e que todos os documentos da família se perderam. Desde então, ela tenta fazer a segunda via do cartão. Por não ter com quem deixar os filhos, todas as vezes, Jeiziane precisa levá-los até a unidade e ficar na expectativa de ser atendida. Ela afirmou que esteve no dia 9 de maio no local, mas o sistema não estava operando. Depois, retornou no dia 14, já que seu filho estava em crise asmática. A assessoria de comunicação da Secretaria de Saúde declarou que esse suporte está interligado com o do Governo federal, desta forma, a falha não seria do Município.

 

Sem organização

Uma senhora que preferiu não se identificar também contestou a falta de organização na fila para emissão do cartão. Ela disse que esteve no PAM-Marechal até às 18h do último dia 12, mas não pôde fazer a solicitação da segunda via, pois faltavam alguns documentos requeridos. Mesmo após esperar por mais de três horas para ser atendida, ela assegurou que não teve nenhuma preferência no outro dia. Silvio Cézar também reclamou sobre as informações fornecidas na unidade. Ele precisava obter o primeiro cartão do seu filho de 7 dias de vida. Contudo, Silvio não tinha certeza se estava com todos os documentos exigidos. Para ele, há deficiências na comunicação.

Vilma Maria Ezequiel Neto, que também estava na fila, foi assaltada e, na sua bolsa, estava o cartão do SUS. Ela esteve no PAM-Marechal às 15h40 do dia 12 para fazer uma nova solicitação, porém, as senhas já tinham sido entregues. A Tribuna estava na unidade e acompanhou a distribuição das fichas, que ocorreu às 15h30, para 34 usuários. Até às 16h, outras cinco pessoas estiveram no local e foram embora, já que não havia mais possibilidade de atendimento.

 

 

Após novo cadastro, emissão será em Uaps

De acordo com a Secretaria de Saúde, a partir do novo recenseamento, os agentes comunitários de saúde passam a verificar a situação do cartão SUS, de cada pessoa, e a coletar informações importantes em relação à saúde da família. Além disso, será possível obter o número de população referenciada em cada Uaps (Unidade de atenção primária à saúde) de Juiz de Fora. A estimativa é de que, até novembro, a Secretaria de Saúde possua o perfil da população. A partir de então, será possível ter um atendimento personalizado nas unidades, pois, haverá o levantamento de quantas pessoas necessitam de determinados medicamentos, por exemplo. "Qualquer política pública setorial que não tem cadastro fidedigno dos seus usuários comete o erro de não planejar de maneira correta. Preciso saber quem são essas pessoas, aonde estão e quais problemas de saúde possuem. A partir desse cadastro, nós teremos essas informações", relatou o subsecretário de Atenção Primária à Saúde, Thiago Horta.

Esse trabalho está na sua primeira fase, que consiste no cadastro das famílias. Os agentes comunitários de saúde, por meio de visitas às residências, preenchem dois formulários, um domiciliar e outro individual. No primeiro são feitas perguntas sobre a moradia da família, e, no segundo os questionamentos são direcionados a cada usuário, a fim de obter informações sobre doenças cardíacas, respiratórias, dentre outras. "Eu achei esse recadastramento muito bom, porque tem tanta coisa que muda. Eu por exemplo, não me lembrava da última vez que foi feito o censo. Se o assunto é saúde, nós temos que estar a par de tudo. E, às vezes, muitas pessoas reclamam do sistema de saúde, mas evitam ter uma conversa, um momento como esse em que podemos obter esclarecimentos", declarou a usuária Maria Aparecida Bitencourt, do Bairro Solidariedade, região Sudeste.

O subsecretário de Atenção Primária à Saúde afirma que, após esse procedimento, todas as fichas serão digitalizadas, e, em sequência, haverá uma higienização dos cadastros do cartão SUS, ou seja, cada juiz-forano passará a ter apenas um cartão, que será validado pela Secretaria de Saúde. Os novos cartões serão impressos e entregues a toda população.

A previsão é de que o recadastramento seja finalizado em 30 de junho. A partir dessa data, toda emissão de cartão SUS, primeira ou segunda via, será realizada apenas nas Uaps. De acordo com Thiago Horta, antes de 2002, o procedimento de emissão do cartão era dessa forma. "O grande erro foi retirá-lo das unidades de atenção primária", concluiu.

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