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13 de Setembro de 2011 - 07:00

Santa Catarina e Jesuítas encabeçam ranking local, seguidos pelo Colégio Militar, único público na listagem do município

Por Mariana Nicodemus e Júlia Pessôa

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Juiz de Fora tem três escolas entre as cem com melhor desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2010. Apenas 13 instituições públicas figuram na lista, entre elas, o Colégio Militar de Juiz de Fora. Com pontuação média de 695,87, o colégio ficou com a 71ª posição. Porém, foram os particulares Colégio Santa Catarina e Colégio dos Jesuítas que alcançaram as primeiras colocações na cidade, com 701,3 e 700,59 pontos, respectivamente. Os resultados divulgados ontem pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) apontam que o município obteve média superior à do estado e à do país (ver quadro).

O Coluni - Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa (UFV) - ficou em oitavo lugar geral no país e em primeiro entre as escolas públicas brasileiras. A classificação da entidade, assim como a do Colégio Militar de Juiz de Fora, é exceção diante da fragilidade preocupante do sistema educacional público convencional: nenhuma das escolas públicas que aparecem entre as cem melhores no Enem 2010 é unidade regular da rede estadual. Além de colégios de aplicação e militares, estão no topo do ranking institutos federais de educação profissional e escolas técnicas. Já na parte de baixo da lista, entre os piores desempenhos, a presença de escolas estaduais é maciça. Noventa e seis por cento das instituições que obtiveram conceito abaixo da média nacional são públicas regulares.

Das dez escolas com pior desempenho em Juiz de Fora - considerando que colégios com menos de 2% de participação ou de dez alunos inscritos não foram conceituados -, oito são do Estado. Segundo a diretora da Superintendência Regional de Ensino (SRE) de Juiz de Fora, Maura Couto Gaio, as unidades estaduais seguem as diretrizes dos conteúdos básicos curriculares do Ministério da Educação (MEC) e não oferecem preparação específica para o Enem. Porém, ela lembra que os alunos têm acesso a conteúdo direcionado, por meio de videoaulas veiculadas pela Rede Minas.

Ela afirma que o Estado incentiva a continuidade dos estudos, mas a participação no Enem é opção pessoal do estudante que, muitas vezes, dá preferência a cursos técnicos ou à seleção seriada da UFJF, o que justificaria o baixo percentual de participação das escolas estaduais no exame nacional. Quanto ao desempenho obtido pelos participantes, a diretora diz que a adoção de intervenções pedagógicas a fim de sanar dificuldades dos matriculados é feita com base nos resultados do Programa de Avaliação da Educação Básica (Proeb), e não do Enem.

Aumento da média

Por outro lado, o rendimento geral dos participantes do Enem 2010 que concluíram o ensino médio no ano passado foi superior ao dos de 2009. Enquanto no ano anterior a média nacional das provas objetivas - matemática, língua portuguesa, ciências humanas e da natureza - ficou em 501,58 pontos, na edição passada, a nota subiu para 511,21. Pró-reitor de Graduação da UFJF, Eduardo Magrone acredita que o aumento da nota possa ser decorrente da adaptação do ensino médio ao modelo diferenciado de educação proposto pelo exame nacional. "Isso pode representar uma consolidação do Enem enquanto processo de seleção para acesso ao ensino superior." Porém, o professor reforça que o teste não avalia o sistema de ensino ou a qualidade da escola. "O Enem analisa o desenvolvimento do aluno, sendo um indicador do aproveitamento, da capacidade de cognição e das habilidades e competências do estudante durante o ensino médio."

 

Formação humana e integral

Para a coordenadora pedagógica do Colégio Santa Catarina, Mariângela de Lacerda Guedes, embora não haja"fórmula para o sucesso", o bom resultado alcançado no Enem 2010 - melhor nota de Juiz de Fora - passa por uma instituição bem integrada. "A direção, a coordenação, o corpo docente e os alunos comungam da proposta pedagógica da escola, que se preocupa com a disciplina e a preparação dos estudantes para os desafios da vida. A formação humana e a estabilidade do quadro de professores também fazem diferença." Segundo a coordenadora, o estímulo a atividades não acadêmicas contribui. "Formar um aluno mais crítico facilita, pois as questões do Enem são interdisciplinares e dedutivas, então o estudante preparado para enxergá-las por ângulos diversos acaba se saindo melhor", completa.

O coordenador dos dois primeiros anos do ensino médio do Colégio dos Jesuítas, João Luiz Ribeiro de Oliveira, concorda que a formação integral é responsável pelo resultado positivo. "Se pegarmos a prova do Enem hoje, vemos que não basta conhecer o conteúdo específico da matéria, mas saber aplicá-lo no cotidiano. Este modelo pensa a educação como um todo, e o Jesuítas já faz trabalhos para o desenvolvimento da consciência e da cidadania, por exemplo."

Com 100% de participação no Enem 2010, o Colégio Militar foi a única instituição pública a entrar no ranking das dez escolas com melhor desempenho na avaliação. "O diferencial do Colégio Militar está na qualidade dos profissionais, todos com especialização, mestrado ou doutorado. O fato de eles trabalharem com dedicação exclusiva também facilita o comprometimento com a instituição. O próprio aluno também é muito dedicado. Fazemos parte de um sistema baseado em valores como disciplina, dedicação e hierarquia, um conjunto de coisas que favorece o bom rendimento dos alunos", diz o comandante do Colégio Militar, coronel Flavio Mora Guarnaschelli.

 

Coluni: estrutura de campus

Dedicação, empenho e qualificação. Para o diretor do Coluni de Viçosa, Hélio Paulo Pereira Filho, este é o segredo do bom desempenho da instituição no Enem, aliado a uma "soma de esforços" de alunos, professores e técnicos. O colégio de aplicação da Universidade Federal de Viçosa (UFV) ficou em primeiro lugar no ranking nacional de escolas públicas (ver quadro) e ocupa a oitava posição na classificação que inclui também as instituições privadas. "A maioria dos professores tem pós-graduação, além de muitos serem doutores. Sem dúvida, o fato de trabalharem em regime de dedicação exclusiva também influencia no rendimento dos alunos." Segundo Hélio, a presença dos educadores em tempo integral permite uma proximidade com os estudantes que acaba sendo refletida nos bons resultados. "Eles sabem que há profissionais para tirar dúvidas, orientar pesquisas e mesmo ajudar na escolha da profissão ou com assuntos pessoais."

De acordo com o diretor do Coluni, o fato de o colégio ser parte da UFV também é um fator decisivo para os bons números no exame nacional. "Aproveitamos muito da estrutura da universidade, como a biblioteca central e a praça de esportes. O Coluni fica dentro do campus, e o aluno é tratado como se fosse universitário. Participar deste clima certamente incentiva os esforços para o ingresso no ensino superior." Ainda de acordo com o diretor, os alunos não passam por uma preparação específica para o Enem, com os tradicionais simulados e resolução de questões anteriores. Também professor de biologia na instituição, Hélio acredita na realização de atividades extracurriculares e metodologias diferenciadas, que inserem o conteúdo programático em momentos de lazer para o sucesso no exame. "O cérebro precisa deste equilíbrio. Passamos muito do conteúdo através de atividades com filmes, música e literatura. Além disso, desenvolvemos ações culturais, ambientais e esportivas, parte delas em parceria com a universidade." Para o diretor, os próprios alunos, que enfrentam processo seletivo, são diferenciados. "Eles podem ter dúvidas quanto à profissão que vão seguir, mas chegam aqui sabendo que precisam entrar em uma universidade de ponta e estão dispostos a batalhar por isso."

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