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10 de Janeiro de 2014 - 07:00

Na comparação com ano anterior, aumento foi de 52% dos casos que ocorrem por toda a cidade

Por Marcos Araújo

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Um jovem de 25 anos foi esfaqueado no Parque Halfeld, no Centro, durante o roubo de um celular, na noite da última quarta-feira, por volta das 21h. O assalto contra o rapaz, que sofreu um corte profundo no pescoço, vai fazer parte da estatística de 2014 de crimes violentos contra o patrimônio, modalidade que aumentou 52% em Juiz de Fora na comparação entre janeiro e novembro de 2012 e o mesmo período de 2013. Os dados são do índice mensal de criminalidade da Secretaria Estadual de Defesa Social (Seds). O percentual, junto com as ocorrências de homicídios consumados, fez crescer o índice de crimes violentos em geral na cidade, que também teve alta de 50%. Os números não levam em conta as ocorrências do último mês do ano, já que a Seds não disponibilizou o percentual de dezembro de 2013. Segundo a estatística, de janeiro a novembro de 2013, foram registrados 1.094 crimes violentos contra o patrimônio, enquanto, nos mesmos meses do ano anterior, foram 717 ocorrências. A secretaria considera crime violento contra o patrimônio os casos de extorsão mediante sequestro e roubo consumado, como o do jovem esfaqueado no Parque Halfeld.

Conforme o boletim de ocorrência, o crime no espaço público foi praticado por dois ladrões, que aparentavam ser adolescentes. Eles teriam se aproximado da vítima de forma repentina e exigido que ela entregasse seu celular. O rapaz, que estaria sentado, teria se levantado rapidamente, negando-se a entregar o aparelho. Diante da reação, um dos assaltantes desferiu um golpe com a ponta da faca contra o pescoço da vítima. O jovem foi socorrido por um enfermeiro, que estaria passando pelo local, e conduzido ao Hospital de Pronto Socorro (HPS), por uma unidade do Samu. A vítima precisou passar por cirurgia e permaneceu internada na sala de urgência da unidade, segundo a assessoria da Secretaria de Saúde. Ele ficou entubado devido ao procedimento cirúrgico, mas seu estado de saúde era considerado estável. Os suspeitos não foram localizados.

O recrudescimento da violência não é surpresa para a população do município, e a elevação dos roubos é sentida pelo juiz-forano, que se vê acuado diante dos crimes por todas as regiões da cidade. Conforme a Seds, foram 377 casos a mais do que o levantamento anterior. O resultado disso é a mudança de comportamento dos cidadãos e de diversos segmentos profissionais para driblar a insegurança.

Uma classe profissional que sente na pele a elevação dos roubos é a de taxistas. Nesta quinta-feira (9), um motorista, 41 anos, foi assaltado no Linhares, Zona Leste, na madrugada. De acordo com a ocorrência, ele estava no Vitorino Braga, quando um casal solicitou a corrida. Ao passar pela Rua Diva Garcia, o taxista foi surpreendido pelo homem, que estava no banco de trás e o agarrou pelo pescoço com um golpe de gravata. Já a mulher sacou uma faca e também fez ameaças ao condutor. A dupla roubou R$ 230 e dois celulares da vítima.

Depois que um taxista de 33 anos foi morto com um tiro na nuca, em novembro, em função de uma dívida de droga, como afirmou a PM, o temor só aumentou entre os profissionais. "Hoje trabalhar na praça não é fácil, e o medo faz parte da nossa rotina. Eu adoto algumas medidas para me sentir seguro. Por exemplo, quando recebo uma solicitação para ir num bairro, à noite, que é conhecido como violento, eu não recuso, como muitos amigos vêm fazendo, mas aviso ao passageiro que vou até certo limite e que não passo do local até onde me sentirei seguro. Se ele aceitar, a corrida é realizada", relatou um profissional, 38, que preferiu não divulgar o nome.

 

 

Insegurança leva população a mudar de hábitos

O cidadão comum também muda os hábitos para escapar da criminalidade. Na última quarta-feira, uma comerciante, 51, disse à Tribuna, depois de ter sido alvo de assaltantes em um posto de combustível, que só irá abastecer seu carro em horários mais movimentados. Ela e as filhas foram rendidas por bandidos armados, num posto, no Bairro Industrial, Zona Norte, por volta das 22h, na terça-feira. A dupla entrou no local e anunciou o assalto, rendendo primeiro a mulher, e as duas filhas. Mediante ameaças com arma, os ladrões roubaram delas dois celulares novos, ainda nas caixas; um terceiro telefone, cerca de R$ 100, aparelho de MP3, óculos de grau e documentos. Logo depois, os bandidos seguiram em direção aos funcionários, de 21 e 28, que foram obrigados a entregar R$ 417 e acabaram trancados em uma sala.

Um grupo de ciclistas em uma rede social, intitulado "Amigos do pedal", que reúne mais de 1.500 pessoas, também mudou seu comportamento na internet a fim de evitar serem alvos de assaltos. Eles tinham o hábito de trocar informações pela rede sobre trilhas, equipamentos, formas de segurança, marcas de bicicletas e passeios. Entretanto, depois que alguns membros tiveram suas bicicletas roubadas, eles passaram a restringir as informações sobre os roteiros dos passeios por medo de assaltos. Uma integrante, que solicita o sigilo do nome, teve duas bicicletas roubadas de dentro da sua casa, no mês de agosto, em um intervalo de 15 dias. "As bicicletas são muito visadas, pois o desmanche é rápido, e a venda, certeira. Os ladrões agiram quando não estávamos em casa, ou seja, já estavam de 'butuca'", contou a ciclista.

Também integrante do "Amigos do pedal", Eder Honori, 33, explica que, na internet, não há como proibir a entrada das pessoas no grupo. "Assim, marcamos o ponto de encontro e horário com acesso a todos, já que acontece em locais movimentados. Mas só divulgamos o roteiro de forma fechada, para as pessoas que realmente participam dos passeios", explica Eder, acrescentando que a atitude serve para dar mais segurança aos ciclistas. "Tivemos casos de pessoas roubadas em casa e dois episódios de assaltos a ciclistas numa trilha da Remonta e na Via São Pedro."

 

 

 

Delegacia para coibir modalidade

Na tentativa de combater a elevação dos crimes violentos contra o patrimônio, a Delegacia Regional de Polícia Civil de Juiz de Fora instalou, há cerca de um mês e meio, a Delegacia Especializada de Repressão a Roubos. "Estamos adotando as medidas necessárias para conter esse tipo de criminalidade na cidade", enfatizou a delegada Regional, Sheila Oliveira. A assessoria de comunicação da 4ª Região de Polícia Militar informou que a corporação possui acompanhamento sistemático da evolução criminal e, a partir disso, desencadeia ações preventivas e repressivas com o objetivo de reduzir a incidência criminal.

Conforme a PM, o ano de 2013 teve, em seu primeiro trimestre, a eclosão de várias ações violentas decorridas de briga entre gangues rivais que foram consideradas como fator determinante para esse acréscimo, que não é uma exclusividade de Juiz de Fora, já que os índices, de uma forma geral, em Minas, sofreram essa tendência de aumento. O órgão ressalta que, em análise da série histórica dos crimes violentos em cidade, nos últimos 13 anos, verifica-se que os números de crimes violentos em 2013 (1.441 ocorrências) é menor que no ano de 2001 (1.481). No que tange aos crimes violentos contra o patrimônio, o número em 2013 (1.095) é menor do que o ano de 2001 (1.233). A PM destaca que tem implementado várias ações e operações de combate a essa modalidade criminosa, inclusive com o emprego do efetivo administrativo nas operações "Impacto" e "Região segura".

No campo dos investimentos públicos para frear a subida da criminalidade, a população espera a efetiva instalação das câmeras do projeto "Olho vivo", que devem privilegiar 54 pontos no Centro e em outros sete bairros. Nas cidades onde foram instalados, os equipamentos surtiram efeitos, diminuindo em 30% as ações criminosas. Após anos de debate a respeito da necessidade da vinda do projeto do Governo estadual para Juiz de Fora, os dispositivos devem começar a funcionar até abril, de acordo com o secretário de Estado de Defesa Social, Rômulo Ferraz, que visitou o município em dezembro. Sua vinda foi considerada uma resposta ao aumento dos índices criminais e foi solicitada pelo prefeito Bruno Siqueira (PMDB), após a morte do taxista, em novembro, situação que provocou protestos por parte da categoria.

 

Homicídios

No que diz respeito aos homicídios consumados, o índice mensal de criminalidade da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) mostrou que o aumento, na comparação entre janeiro e novembro de 2012 e o mesmo período de 2013, foi de 53%. A estatística, baseada na natureza atribuída ao Registro de Eventos de Defesa Social (Reds), no momento em que é feito, aponta 89 casos de homicídios consumados na cidade nos 11 meses do ano passado, enquanto em 2012 foram 58, no mesmo período.

Mas a Tribuna, no final do mês passado, por meio de um levantamento próprio, mostrou que 139 pessoas foram vítimas de mortes violentas na cidade, entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2013. Em 2012, o levantamento do jornal apontou 99 vítimas fatais. Diferentemente da Seds, a estatística da Tribuna leva em conta as vítimas que já estavam sem vida, na hora do registro do Reds, e também aquelas que morreram depois, em função de tentativas de homicídios e crimes de lesão corporal.

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