Publicidade

27 de Abril de 2014 - 06:00

Segundo religiosos, João Paulo II e João XXIII são considerados pela Igreja modelos de vida e de amor a Deus

Por BÁRBARA RIOLINO

Compartilhar
 
Arcebispo dom Gil Antônio Moreira participou da abertura das celebrações em homenagem a João Paulo II, na paróquia do Nova Era
Arcebispo dom Gil Antônio Moreira participou da abertura das celebrações em homenagem a João Paulo II, na paróquia do Nova Era

Os beatos João XXIII e João Paulo II serão canonizados hoje em celebração no adro da Basílica de São Pedro, no Vaticano. A santidade dos pontífices representa, para os católicos, o reconhecimento de seus feitos, sobretudo ao apoio às normas propostas pelo Concílio Vaticano II, iniciadas em 1961, durante o papado de João XXIII, e encerradas em 1965. O conjunto de constituições, decretos e declarações tinha como propósito discutir a atuação da Igreja Católica na atualidade, promovendo a abertura, a renovação da fé e dos costumes dos cristãos, adaptando a disciplina eclesiástica às condições do mundo moderno. Anos à frente, João Paulo II também procurou aplicar estas mudanças durante o seu papado, que ocorreu entre os anos de 1978 e 2005 (ver quadro).

Em Juiz de Fora, na Paróquia Beato João Paulo II - localizada no Bairro Nova Era, Zona Norte - a primeira no Brasil a ter o pontífice como padroeiro, o clima é de satisfação. Desde a última quinta-feira, estão sendo realizadas missas, terços e procissões em homenagem ao Santo Padre. Hoje a comunidade prepara outras atividades (ver quadro). "É um momento de grande entusiasmo e ação de graças ao poder testemunhar a canonização dos Papas, que muito fizeram pela Igreja e foram modelos de vida e de amor a Deus, além, é claro, de terem iniciado a modernização da Igreja, sobretudo sobre João Paulo II, que foi o maior exemplo de retidão de vida católica, que deve ser seguido por todos os cristãos", destaca o arcebispo metropolitano da Arquidiocese de Juiz de Fora, dom Gil Antônio Moreira.

O padre Laureandro Lima da Silva, da Paróquia Beato João Paulo II, conta que a criação da paróquia, fundada em 22 de outubro de 2011, veio ao encontro do desejo da comunidade, que é composta por muitos devotos do Papa. "Temos muitas histórias de pessoas que dizem ter alcançado graças por intermédio dele", comenta. Entre estes relatos está a experiência da advogada e escritora infantil Vera Lúcia Ribeiro Guedes, 52 anos. Anos antes de o marido ser diagnosticado com a síndrome de Guillain-Barré - doença rara e autoimune, que atinge o sistema imunológico e paralisa o organismo -, ela escreveu uma oração ao Papa João Paulo II e tentou enviá-la ao Vaticano para publicação, mas não obteve respostas. Uma semana antes de o esposo ficar doente, no dia 22 de outubro de 2008, ela encontrou a oração em seu e-mail e tornou a enviá-la e, desta vez, recebeu uma resposta autorizando a publicação.

"Na semana seguinte, ele passou mal e precisou ser hospitalizado. Ao todo, incluindo um mês em coma, foram 40 dias de internação e, neste período, pedi a um amigo no Rio de Janeiro para publicar a oração, para que amigos e familiares pudessem fazer uma corrente de fé em prol de sua recuperação. Passado o período, ele foi curado e não teve nenhuma sequela. Acredito que João Paulo II intercedeu por ele", disse. Ainda de acordo com Vera, o curioso desta história é que o dia de fundação da paróquia coincide com a data em que a oração foi aprovada, porém, três anos mais tarde.

"Quando o processo de beatificação de João Paulo II teve início no Vaticano, encaminhei este testemunho como prova de milagre para fazer parte dos documentos, mas novamente não obtive respostas. Tenho uma profunda admiração por ele, inclusive, acompanhei suas duas visitas ao país. Ele trouxe o Vaticano aos católicos de todo o mundo", ressalta Vera.

A dona de casa Ivone Luz de Abreu, 50, também carrega lembranças positivas do Papa, inclusive, pode ter premeditado a criação da paróquia. "No dia em que João Paulo II faleceu, tive um sonho em que precisava ir até a igreja à noite - Igreja Nossa Senhora Aparecida, matriz do bairro. Me levantei e fui até o templo sozinha, abri o portão e subi as escadas. Quando entrei, a igreja estava toda aberta e iluminada e, ao olhar para o lado, vi João Paulo II. Ele veio andando em minha direção e me abraçou. Neste momento, eu acordei." No dia seguinte ao sonho, ela comprou um quadro com a imagem do Papa e a colocou no templo. Passados cinco anos do sonho, Ivone conta que a comunidade foi informada de que faria parte de uma nova paróquia, que iria homenagear João Paulo II.

Para o pároco Laureandro, o pontífice deixou um grande legado aos católicos. "Ele deixou a Igreja mais próxima das pessoas e estimulou valores, como a solidariedade e a misericórdia. É o Papa mais conhecido do mundo e, também, o que mais viajou, chegando a receber o título de "Papa peregrino". É uma honra para a paróquia receber seu nome." Segundo o arcebispo, após a cerimônia de hoje, a paróquia passará a se chamar São João Paulo II.

Galeria de Imagens

Publicidade

Publicidade

Mais comentários

Ainda não é assinante?

Compartilhe

Publicidade

Encontre um tema na

Pesquisa

Edição impressa

Enquete

Você acha que alertas em cardápios e panfletos de festas sobre os riscos de dirigir sob efeito de álcool contribuem para reduzir o consumo de bebidas por motoristas?