Um caso de violência que resultou em grande comoção em Juiz de Fora, no ano passado, teve um dos réus absolvido e o outro condenado na última semana. Foram julgados, na última sexta-feira (1), um rapaz de 22 anos e outro de 18. Este último foi considerado culpado pelo crime que terminou na morte da aposentada Ana Esther Scheffer, 79 anos. Ela foi vítima de latrocínio (roubo seguido de morte) dentro de sua casa, no Bairro São Pedro, em abril de 2012.
O juiz da 4ª Vara Criminal, Cristiano Álvares Valladares do Lago, absolveu o réu de 22 anos, que já está em liberdade. O outro réu, de 18, foi condenado a 20 anos de reclusão. A sentença revoltou os familiares da vítima, que irão interceder junto ao Ministério Público, para que o mesmo recorra da decisão. A promotora do caso, Kelma Marcenal Pinto, não quis comentar o assunto. O processo corre em segredo de justiça.
Na época em que ocorreu o crime, os dois jovens teriam confessado a autoria ao delegado Rodolfo Rolli, responsável pelo inquérito policial, e, desde então, aguardavam o julgamento no Ceresp. Porém, no desenrolar do processo, o rapaz de 22 anos voltou atrás, e, em juízo, afirmou que teria sido torturado e obrigado a confessar o latrocínio. "Ambos confessaram o crime na presença de duas testemunhas. Pelas investigações, eu estava convicto da condenação dos dois", disse Rolli.
O filho da vítima, Mário Scheffer, afirmou que a decisão foi uma "surpresa para a família. Estávamos na expectativa de uma condenação exemplar para os dois". Segundo ele, a família está indignada e preocupada. "Esperamos que o Ministério Público tenha este compromisso com a sociedade." Um sobrinho de Ana Esther, que preferiu não se identificar, afirmou que, apesar de os familiares lutarem para que o Ministério Público recorra da decisão, a sensação é de desânimo. "É uma perda total de forças, estou desiludido com a Justiça."



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