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22 de Janeiro de 2014 - 07:00

Bugio invade residências em busca de comida, e há relatos de ataques a outros animais

Por Renata Brum

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Tribuna flagrou o bugio pulando de um telhado para o outro e entrando nos quintais da vizinhança
Tribuna flagrou o bugio pulando de um telhado para o outro e entrando nos quintais da vizinhança

A presença de um macaco bugio preto, também conhecido como barbado, na Rua Barão de Santa Helena, no Bairro Granbery, região central, chama a atenção dos moradores e pedestres. Mas, além de virar atração, o macaco, que apareceu na via há cerca de três dias, tornou-se um problema para a vizinhança. Com fome, o animal tem entrado nos imóveis à procura de comida. Um gato teria sido atacado, e filhotes de passarinhos também são alvos, conforme relato dos moradores.

"Ontem ele estava aqui em casa. A empregada varria o terraço, quando ouviu um barulho e deu de cara com ele. O gato daqui apareceu todo arrepiado e machucado e, como não sai de casa, a suspeita é de que tenha sido atacado pelo macaco. Ele também entrou na vizinha para comer banana", contou a advogada Lúcia Valmira, 60 anos.

Há medo ainda de que o bugio seja vítima de ataque de cães ou sofra uma descarga elétrica. "Estamos tendo que fechar a casa com medo de que ele entre na cozinha e, como muitos aqui na rua têm cachorros nos quintais, nosso temor é de que o macaco seja mordido por eles", contou a passadeira Margarete Lopes Nascimento, 41. "Ele vai e volta sobre os telhados e pela fiação. Veio parar no prédio, passando pela rede de telefonia, e ficou no pátio, do nosso lado. Cheguei a passar a mão nele", contou o aposentado Valter Strehle, 58.

A suposição da vizinhança é de que o macaco tenha migrado de áreas que vêm sendo desmatadas na região em função do adensamento urbano, mas, segundo as autoridades ambientais, pode ser que ele tenha fugido de um cativeiro próximo. "O bugio não é comum em área urbana. Ele fica muito restrito à beira-mata, pois a mata é sua proteção. Como está numa área distante de vegetação, e se aproximou das pessoas, possivelmente é um animal que foi domesticado e se soltou do cativeiro", explicou o veterinário especialista em animais silvestres, Rômulo Castro.

Os moradores da rua informaram que chegaram a acionar a Polícia Ambiental, o Ibama e o Corpo de Bombeiros na última segunda-feira, depois de encontrar o animal em cima de uma árvore, mas ninguém conseguiu capturar o primata. Na tarde desta terça-feira (21), a Tribuna flagrou o bugio pulando de um telhado para o outro e entrando nos quintais da vizinhança. "Vieram só com uma gaiola, assim não vão conseguir prendê-lo", declarou um morador.

 

Risco da aproximação

Na sede da 4ª Companhia de Meio Ambiente e Trânsito Rodoviário (4ª Ciamat), a informação é de que os policiais estiveram no local, registraram a ocorrência, mas não conseguiram fazer o recolhimento. "Quando os militares chegaram perto, ele fugiu. A orientação é para que os moradores não deem água ou comida porque, se o alimentarem, a tendência é de que permaneça na área. Mesmo não aparentando agressividade, com a aproximação, ele pode se sentir acuado e atacar", orientou o sargento Anderson Milione.

O veterinário Rômulo Castro também alertou para o risco da aproximação. "Ele parece inofensivo, mas, se a pessoa chegar muito perto, pode ser atacada, e é uma espécie que tem muita força na mandíbula. A dica é não tentar pegá-lo." Conforme o Instituto Estadual de Florestas (IEF), o órgão não faz recolhimento de animais, função que cabe à polícia. O IEF recebe as espécies, após a apreensão.

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