Atualizada às 22h02
Um jovem de 19 anos foi assassinado a tiros, na noite de quarta-feira, no Bairro São Judas Tadeu, Zona Norte. De acordo com o boletim de ocorrência da Polícia Militar, por volta das 22h, Bruno do Nascimento Santana estava sentado na calçada da Rua Ernesto Pancini, na companhia de uma amiga, 19, moradora do local. Dois homens teriam passado pela via, seguido até a esquina e voltado. Um deles teria apontado uma arma na cabeça da mulher, dizendo para ela correr. Amedrontada, a jovem obedeceu a ordem e, em seguida, ouviu os tiros. Ao retornar, ela encontrou Bruno caído no chão com várias perfurações à bala. O rapaz foi socorrido e levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Norte, mas não resistiu. Conforme informações obtidas pela PM, dois tiros transfixaram o crânio da vítima, que ainda foi atingida no ombro, nas costas e de raspão na coxa direita.
Segundo relatos feitos à PM por dois moradores, momentos antes do homicídio, um carro prata foi visto percorrendo as ruas do bairro e, depois, houve os estampidos. Quando os rapazes seguiram até o local do crime, teriam visto dois supostos criminosos entrando no mesmo veículo. Com base nas informações, militares, iniciaram rastreamento e conseguiram prender dois suspeitos, de 18 e 19 anos, nas residências onde moram, no Santa Cruz, Zona Norte. Ambos negaram participação no assassinato. No quintal da casa do mais velho, os policiais apreenderam 37 pedras de crack escondidas em um tênis. A arma não foi localizada. Os suspeitos tiveram o flagrante confirmado na 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil e foram encaminhados ao Ceresp. O delegado Armando Avolio Neto, da 3ª Delegacia, instaurou inquérito para apurar o crime. Ele também adiantou que irá apurar o assassinato do adolescente, 17, morto com um tiro no peito, na última terça-feira, na Vila Esperança II.
Espera no IML
Depois de perder o filho de forma brutal, o pai de Bruno, o pedreiro José de Oliveira Santana, 42, teve que esperar pela abertura do Instituto Médico Legal (IML) na manhã de desta quinta-feira por, pelo menos uma hora, já que o posto não funciona mais em plantão de 24 horas. José contou que Bruno era o mais velho de quatro filhos e morava com a família no Bairro Jardim dos Alfineiros, também na Zona Norte. "Me contaram que ele estava na rua do São Judas conversando com a amiga, e chegaram dois rapazes procurando outra pessoa. Mandaram a menina correr e falaram 'já que não tem ele, vai você mesmo'. Parece que o mataram 'do nada'", lamentou.
A amiga da família da vítima, Juliana Oliveira Saint'Clair, 39, disse ter ficado decepcionada com o atendimento no IML. "Chegamos às 7h30, e o portão estava fechado. Uma hora depois, apareceu a médica legista e, logo depois, um policial. Mas eles ficam lá para dentro, e nós ficamos aqui, sem informações. É um descaso com a população, que já está sofrendo com a morte de um familiar." Ela disse também estar chocada com a violência. "O sossego de Juiz de Fora acabou. Não há mais aquela coisa de cidade pacata. E os jovens estão sendo vítimas, porque estão sendo levados para o mundo do crime por não pegarem cadeia." O delegado regional de Juiz de Fora, Paulo Sérgio Xavier Virtuoso, informou que o horário do início de funcionamento do IML é 8h30, inclusive para os exames de necropsia, e, quinta, por ter havido troca de funcionário, ocorreu um atraso que pode ter colaborado para a espera no local. Contudo, ele afirmou que o problema foi sanado, e a família da vítima atendida.
Disparos no Santa Cruz
Ainda na noite de quarta-feira, um adolescente, 15, foi baleado no Santa Cruz, Zona Norte, mesmo bairro em que os dois suspeitos de homicídio foram presos. O crime teria acontecido cerca de uma hora após o assassinato. A vítima relatou à PM que estava na Rua Maria Joaquina Motta, quando dois homens em uma moto passaram atirando. O jovem correu para casa e percebeu que havia sido atingido por um tiro na mão esquerda. Ninguém foi preso. O assassinato também já esta sob investigação da 3ª Delegacia de Polícia Civil.
Revólver e faca em velório
Uma operação da 3ª Companhia de Missões Especiais (CME) da Polícia Militar foi realizada na manhã desta quinta para evitar tumulto e garantir a segurança durante o velório e enterro de outro jovem assassinado, o adolescente Bruno Fabiano Rabelo, 17 anos. Ele foi morto com um tiro no peito, na noite de terça-feira, na Vila Esperança II, também na Zona Norte. A partir de informações sobre a suspeita de que jovens poderiam estar armados no local, cerca de 20 militares foram mobilizados e estiveram no interior e entorno do Cemitério Municipal. Pessoas que estavam no local para o último adeus a Bruno foram abordadas e submetidas a buscas. Um adolescente, 16, assumiu a posse de um revólver calibre 22, carregado com cinco munições, encontrado na bolsa de uma garota, 13. Um rapaz, 18, também foi flagrado com uma faca na cintura. A arma branca tinha cerca de 20cm de lâmina.
"Recebemos denúncia de que moradores de diferentes bairros iriam se encontrar no velório para brigar, com a possibilidade de alguns deles estarem armados. Fizemos operação e achamos um revólver e uma faca durante abordagens, por volta das 8h30", informou o subcomandante da 3ª CME, capitão Rubens Valério. "Agimos preventivamente para evitar que acontecesse algum crime. A denúncia não foi específica. Os dois jovens que estavam com as armas são amigos da vítima e disseram que não estavam com intuito de vingança. Alegaram que estavam se protegendo." Os dois envolvidos foram levados para a 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil. O adolescente foi entregue ao responsável, e o jovem liberado.




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