Com cartazes e apitos em mãos e com o grito de apelo por direitos igualitários, cerca de 200 pessoas percorreram as ruas do Centro nesta sexta-feira (8) durante a 1ª Marcha das Mulheres de Juiz de Fora. "Não podemos mais conviver com situações lamentáveis de todo tipo de violência que o país está vivendo. Nosso apelo é pelo respeito, pela igualdade, pela democratização da mídia, pela paz", explica uma das organizadoras do evento, Cristina Castro. O evento marcou as comemorações do Dia Internacional da Mulher na cidade. Os participantes percorreram a Rua Halfeld e seguiram até a Praça Antônio Carlos.
Uma ambulante de 43 anos marcou presença no movimento juntamente com uma de suas filhas. Ela conta que era constantemente agredida pelo ex-marido e, há pouco mais de um ano, levou cinco tiros do agressor. "Ele foi preso pela Lei Maria da Penha e fiquei totalmente vulnerável com três crianças para cuidar. Sofro de saúde em virtude da violência física e faço acompanhamento psiquiátrico", conta.
Além da temática da violência, as alas abordavam assuntos que pediam reforma política, soberania alimentar, fim do machismo e políticas públicas emancipatórias. O evento contou com a participação de representantes de partidos políticos, do Instituto Bruno, do MGM, entre outras instituições.
Projeto de combate à violência
Com intuito semelhante de chamar a atenção para a temática feminina, cerca de 50 pessoas se reuniram em forma de campanha no Calçadão da Rua Halfeld, no início da tarde desta sexta. Segundo uma das organizadoras do evento, a coordenadora municipal da OAB Mulher Júlia Carla Duarte, houve a distribuição de rosas juntamente com cinco mil cartilhas sobre a Lei Maria da Penha. "Nosso objetivo é conscientizar a população feminina de seus direitos e da masculina sobre o seu dever de não bater na mulher."
Durante a ação ocorreu, ainda, o lançamento oficial do Projeto de Combate à Violência Doméstica, ação desenvolvida pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas Idoso/Mulher) da Amac. De acordo com a coordenadora do órgão, Arlene Motta, o trabalho será realizado com base em um levantamento elaborado pela instituição que aponta as regiões Leste, Sul e Sudeste como de maiores incidências de crimes contra o sexo feminino. "Pretendemos encorajar as mulheres a procurar o serviço e mobilizar ações educativas dentro dos bairros mais afetados. Outra iniciativa será a criação do Plantão Mulher, um espaço onde ela consegue ser atendida prontamente."



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