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15 de Março de 2014 - 06:00

Os 11 profissionais que chegaram nesta sexta-feira devem começar a atuar em uma semana; Zona Norte será priorizada

Por Kelly Diniz

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Prefeito fez a entrega simbólica de jaleco à equipe
Prefeito fez a entrega simbólica de jaleco à equipe

Os 11 médicos cubanos do programa "Mais médicos" do Governo federal, que irão atuar na atenção primária, chegaram a Juiz de Fora na tarde desta sexta-feira (14) e devem começar a trabalhar em uma semana. A cidade estava com déficit de 15 médicos na especialidade, e os contratos com os estrangeiros terão duração de até três anos. A Unidade de Atenção Primária à Saúde (Uaps) de São Judas Tadeu, na Zona Norte, será uma das beneficiadas. Os outros postos ainda não foram definidos, mas, segundo a assessoria da Secretaria de Saúde, as Uaps da Zona Norte serão priorizadas. A decisão da participação do Município no programa causou reação do Sindicato dos Médicos de Juiz de Fora. A entidade, que repudia a vinda dos profissionais, disse não ter sido consultada sobre a decisão.

Os médicos foram recepcionados nesta sexta pelo prefeito Bruno Siqueira (PMDB), que lhes entregou, em ato simbólico, jalecos e estetoscópios. De acordo com o subsecretário de Atenção Primária à Saúde, Thiago Horta, a pasta aguarda a liberação do registro médico pelo Ministério da Saúde, que deve sair em uma semana, para que os profissionais comecem a atuar. "Estes próximos dias serão para acolhimento e treinamento dos médicos." Segundo o supervisor do programa na cidade, Geraldo Luiz Guedes, o grupo passará por curso de especialização. Eles trabalharão em regime de 32 horas semanais, com oito horas de estudo.

Os 11 cubanos serão pagos de acordo com as normas estabelecidas pelo vínculo do Governo federal com o Estado cubano. A União repassa mais de R$ 10 mil por médico para a Organização Pan-americana de Saúde (Opas), que fica com a maior parte e paga cerca de R$ 3 mil aos profissionais. Caberá ao Município prover alimentação, moradia e transporte aos estrangeiros. O secretário de Saúde, José Laerte, informou que, inicialmente, eles ficarão em hotéis, enquanto a Prefeitura providência residências mobiliadas para a moradia definitiva. Bruno enfatizou que os custos para o Município são reduzidos em relação ao pagamento do salário de um médico.

O presidente do Sindicato dos Médicos, Gilson Salomão, aponta alguns fatores para a classe não apoiar a vinda desses intercambistas. "Temos três faculdades de medicina na cidade, que graduam profissionais qualificados para o mercado. Ao invés de empregar esses médicos, a Prefeitura está trazendo outros que não têm validação de diploma no território nacional, não são fiscalizados pelo CRM (Conselho Regional de Medicina) e têm domínio duvidoso do nosso idioma." Ele ainda ressalta que Juiz de Fora não se adéqua ao perfil das cidades para qual o programa é voltado, que são localidades distantes e que não tenham médicos disponíveis. Juiz de Fora forma mais de 300 médicos por ano e possui mais de três mil atuantes.

Entre a população, das nove pessoas ouvidas pela Tribuna, cinco são favoráveis e quatro contra. Alguns acreditam que a medida irá melhorar o atendimento ao usuário, tendo em vista a constante falta de médicos nos postos de saúde. Outros têm dúvidas sobre a qualidade técnica desses profissionais e acreditam que é uma forma de trabalho escravo (ver quadro).

 

Concurso

A participação no programa "Mais médicos" foi uma medida emergencial, segundo o prefeito. "Fizemos seleção pública durante todo o ano passado e continuamos com déficit de médicos. Os profissionais cubanos resolvem o problema momentaneamente." Também foram contratados outros 24 médicos brasileiros para atuação no programa Estratégia Saúde da Família.

Gilson Salomão considera que a forma mais atrativa de trabalho para os médicos brasileiros no SUS em Juiz de Fora é a realização de concurso público. O prefeito explica que está sendo elaborado concurso, que irá oferecer 42 vagas para médicos.

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