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17 de Fevereiro de 2013 - 06:00

Nutricionistas alertam para a necessidade de lanches balanceados, que melhoram o rendimento dos estudantes e promovem bem-estar

Por BÁRBARA RIOLINO

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Alunos devem ser orientados pela família e escola
Alunos devem ser orientados pela família e escola

Coxinha, refrigerante e chocolate. Esta seria uma combinação perfeita para a merenda escolar na visão das crianças, porém, nem um pouco recomendada por nutricionistas. Com o início do período letivo, cresce a preocupação dos pais em manter a alimentação saudável dos filhos fora de casa. Mesmo após a proibição do comércio de alimentos com alto teor calórico e de baixo valor nutricional em cantinas de escolas públicas e privadas, conforme a Resolução da Secretaria de Estado de Educação nº 1.511, de fevereiro de 2010, rechear as lancheiras das crianças com alimentos nutritivos, gostosos e que contribuam para o desenvolvimento escolar ainda é um desafio diário.

"A boa alimentação vem de casa", destaca a nutricionista Adriana Domingues. Segundo ela, o hábito alimentar se forma até os 2 anos. A partir dos 6 meses, a mãe deve ofertar ao filho alimentos saudáveis para treinar o paladar, que será levado para o resto da vida. "Uma alimentação adequada traz vários benefícios para a criança, pois é nesta fase que elas desenvolvem a parte psicomotora e cerebral. A alimentação correta deixa a criança mais calma, menos ansiosa e ajuda a liberar hormônios como a endorfina e a serotonina, que proporcionam bem-estar e bom humor. Isto reflete no comportamento delas, que passam a ter mais vontade de estudar. Quando há consumo de gorduras, alimentos processado e com conservantes, a criança fica apática, ganha peso e tem seu desenvolvimento abalado, o que afeta o aprendizado."

Conforme a coordenadora da educação infantil da Escola Internacional Saci, Mônica Gervason, é possível notar quando a família da criança possui hábito alimentar saudável. "A diferença está na educação das famílias, pois querem manter a alimentação na escola. Percebemos que as crianças são mais saudáveis e comem alimentos naturais, mas, infelizmente, não acontece com todas. Alguns pais apresentam resistência às nossas campanhas de alimentação saudável. Caminhamos bem devagar", ressalta.

A nutricionista Aurélia Faria Ramos, da mesma escola, destaca que a preocupação está em fornecer uma alimentação equilibrada e os nutrientes necessários em conformidade com cada faixa etária. "É uma forma de aproveitar o ambiente escolar para trabalhar questões alimentares. Com isso, a criança fica de frente com o discurso que estuda em sala de aula, levando o aprendizado para a casa."

O diretor pedagógico do Sistema Degraus de Ensino, Rodrigo Mendonça Pereira, ressalta que a alimentação saudável na escola é trabalhada em dois princípios: preventivo e corretivo. "A prevenção acontece por meio de campanhas educacionais com a nutricionista e docentes da escola, além de acadêmicos da UFJF. O conteúdo é trabalhado junto à horta e nas aulas de culinária, onde as crianças aprendem que tipos de alimento devem consumir e como cultivá-los de forma saudável, sem agrotóxicos. A correção funciona com o acompanhamento e identificação de hábitos e costumes alimentares de cada aluno. Ao percebermos distorções, procuramos a família." Rodrigo comenta, ainda, que são perceptíveis mudanças no comportamento da criança que se alimenta de forma equilibrada. "Ela fica bem consigo mesma, melhora a autoestima e o rendimento escolar."

Uma alimentação saudável deve ser equilibrada. Segundo a nutricionista Adriana Domingues, um lanche completo precisa oferecer um carboidrato, uma proteína e uma fruta. "Esta combinação é perfeita para dar a energia necessária para as crianças." A Tribuna ouviu alguns pais sobre a preparação da merenda dos filhos. A autônoma Nara Fagundes Hauache, 30 anos, informou que procura deixar duas opções, uma salgada e uma doce. "É interessante para que meu filho (6 anos) escolha o que comer. Coloco sempre um sanduíche, uma fruta, biscoito recheado, um suco de soja ou um achocolatado."

Já o aposentado José Benedito, 66, prepara todos os dias o lanche que o casal de filhos, 7 e 10, leva para a escola. "Nunca falta fruta, iogurte, pão integral com requeijão light ou uma fatia de bolo na mochila. Tenho a preocupação de dosar, por isso, evito excesso de sal, gordura e açúcar." A professora Eliane Van Gasse, 43, não abre mão de preparar a merenda do filho, 4 anos. Ela tem o cuidado de seguir a combinação recomendada pela nutricionista: carboidrato, proteína e fruta. "É um hábito que temos na família e conseguimos manter na escola." O lanche que o filho (7) do professor Ricardo Santos, 39, leva para a escola vem todo de casa. "É uma forma de garantir a qualidade do alimento sem expô-lo aos riscos que corre ao comprar lanches fora de casa", comenta o pai.

"É possível fazer vários lanches e deixar a criança bem alimentada (ver quadro). Na escola, ela pode optar por um suco de frutas feito na hora e vitaminas com leite, frutas e aveia, pão de queijo, sanduíche natural e salada de frutas. Com as lancheiras térmicas, é permitido ampliar o cardápio como iogurtes e sanduíche de peito de peru com queijo branco, por exemplo. Nada é proibido, desde que seja consumido com moderação", destaca Adriana.

 

 

 

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