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18 de Maio de 2014 - 06:00

Por BÁRBARA RIOLINO

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Animais entram nos imóveis em busca de comida, e moradores temem ataques
Animais entram nos imóveis em busca de comida, e moradores temem ataques

Dezenas de micos têm tirado o sossego de moradores de um prédio de quatro andares na Rua Olegário Maciel, no Bairro Paineiras, região central. Eles relatam que a presença dos animais é comum, porém, foi acentuada depois de uma chuva, ocorrida na Semana Santa, derrubar árvores em um terreno atrás do imóvel, deixando ramos sobre o muro. A situação pode ter facilitado o acesso dos micos aos apartamentos. Desde então, os vizinhos têm sido obrigados a manter as janelas de suas residências fechadas, para evitar que eles entrem, em busca de alimentos.

"Os micos escalam as paredes por fios e canos externos. Quando apareceram pela primeira vez, há cerca de quatro meses, havia quatro do lado de fora e eu acabei jogando uma maçã para eles comerem. Depois disso, começaram aparecer a todo o momento. Certo dia, cheguei na cozinha e havia dois lá dentro vasculhando as coisas. Tive que usar a vassoura para colocá-los para fora", conta a aposentada Tereza de Jesus Botaro, 65 anos, que mora nos fundos do terceiro andar.

Para tentar se livrar do problema, a pedagoga Liliane dos Santos, 31, chegou a mudar de imóvel, mas não adiantou. "Morava em outro prédio na Olegário e tinha o mesmo problema. Agora, morando no apartamento da frente, eles continuam invadindo. Entram, comem a comida e bebem a água do meu cachorro. Fazem uma bagunça." Outro vizinho, que preferiu não se identificar, conta que colocou telas de proteção na janela para que seus gatos pudessem ter mais segurança, mas os micos acabam passando pela tela. "Preciso manter as janelas fechada, como podemos viver enclausurados desta forma? Agora eles estão entrando pelos basculantes. É uma situação insustentável."

A síndica do prédio, Terezinha de Jesus Possato, 67, conta que outra vizinha encontrou o filho de 5 anos brincando com o mico em pleno quarto. "Outra moradora relatou que já teve um bolo totalmente comido por eles. Os micos não são o único problema, há outros bichos que acessam as casas, como as aranhas. Duas enormes já entraram em meu apartamento."

O biólogo e professor do curso de Ciências Biológicas do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (CES-JF), Rogério de Oliveira, que é mestre em comportamento animal, explica que a presença de micos nesta região é comum por conta da proximidade com a mata do Morro do Cristo. Porém, ele reitera que o contato deve ser evitado, mesmo diante da simpatia por parte das pessoas. "Os micos são animais pequenos e de aparência inofensiva, mas a aproximação pode propiciar ataques e até maus-tratos. Para evitar as visitas, é preciso que as pessoas parem de oferecer comida a eles. Os micos podem transmitir doenças, como a raiva, e morder as pessoas. A ferida pode infeccionar e trazer complicações."

 

Bugios

A invasão de animais silvestres na área urbana de Juiz de Fora foi retratada pela Tribuna em março, quando a presença de macacos bugios se tornou frequente na cidade. O último caso aconteceu no Bairro de Lourdes, região Sudeste, quando o animal se envolveu em uma briga com um cachorro, foi ferido e precisou receber atendimento veterinário.

No começo do ano, outros bugios foram capturados após acidentes na rede elétrica. Ainda em março, um flagrante feito pela reportagem mostrou um macaco de espécie não identificada que morreu eletrocutado no Bairro Cascatinha.

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