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19 de Janeiro de 2014 - 07:00

Entre as medidas previstas para atendimento às vítimas de desastre, está a disponibilização de casas paroquiais pela Arquidiocese de JF

Por Daniela Arbex

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Telhas e colchões integram estoque da Defesa Civil, mantido para atender as vitimas das chuvas
Telhas e colchões integram estoque da Defesa Civil, mantido para atender as vitimas das chuvas
Pluviômetros, como o do Aeroporto, ajudam a monitorar quantidade de chuva na região
Pluviômetros, como o do Aeroporto, ajudam a monitorar quantidade de chuva na região

O Plano Municipal de Contingência para o atendimento de desastre, em fase de execução pela Defesa Civil, entra em 2014 com a consolidação de uma estratégia considerada fundamental para o sucesso da proposta: a mobilização da sociedade civil no apoio às ações de socorro em ocorrências relacionadas às chuvas, mas também a outras situações de risco. Participante da estratégia, a Cúria Metropolitana disponibilizou as casas paroquiais da Arquidiocese de Juiz de Fora com melhor infraestrutura para abrigar as vítimas dos temporais na cidade. Apesar de ainda não terem sido utilizadas, elas continuam abertas para as famílias que precisarem. Já o Exército, também com representante no plano, colocou as unidades locais e até de outras cidades à disposição quando houver necessidade de assistência. Embora ainda seja cedo para avaliar a eficácia da proposta que nasceu a partir de legislação federal de 2012 e que começa a ser colocada em ação, a adesão de instituições públicas e privadas já pode ser considerada um avanço.

"A missão de todos nós, cristãos, é acolher pessoas que, no momento de maior necessidade, precisam de abrigo. Todas as paróquias que tiverem locais para acomodar vítimas das chuvas estão sendo colocadas a serviço da sociedade. Acredito que o plano representa um grande avanço nas ações, pois é preciso ter uma organização dentro da cidade. É uma iniciativa humana", destaca o padre José Custódio de Oliveira, da Paróquia Santana, localizada na Vila Ideal.

Segundo o oficial de operações da 4ª Brigada de Infantaria Leve de Montanha, major Ricardo Augusto Montella de Carvalho, a soma de esforços é uma das vantagens do trabalho que começa a ser desenvolvido em Juiz de Fora. "Antes havia pouca integração. No entanto, sempre que há trabalho em parceria, nós só temos a ganhar. O grande objetivo atualmente é trabalhar de forma integrada, sempre na complementaridade, suprimindo possíveis limitações." Para o tenente-coronel Jeferson Ulisses Pires, apesar de a Polícia Militar já estar mobilizada no atendimento aos municípios que não possuem a estrutura da Defesa Civil, a mobilização criada pelo plano é positiva. "Quando se tenta organizar um atendimento, dentro da missão institucional de cada órgão, é muito válido. Apesar de termos as outras prioridades de segurança pública, um plano como esse é positivo porque define papéis e congrega vários esforços com objetivos comuns", afirma. Ulisses lembra que o depósito regional da Defesa Civil estadual, localizado no 2º Batalhão, está sob responsabilidade da PM.

 

Auxílio mútuo

Representante das empresas no plano municipal, Paulo Roberto Sales Rocha, que preside o Plano de Auxílio Mútuo (PAM), explica que a função do órgão, prevista em estatuto, não é atender situações de emergência que envolvam a cidade, mas ocorrências relacionadas a alguma das dez empresas participantes, quando houver problemas relativos, por exemplo, ao fogo ou a acidentes químicos. No entanto, ele diz que o PAM, em vigor desde 2006, pode disponibilizar conhecimento técnico em situação de desastres no município, como já aconteceu em outras situações. Em 2011, o PAM ofereceu auxílio no incêndio que destruiu a Tetê Festas e outras cinco lojas do Centro. Um ano antes, garantiu apoio no atendimento ao incêndio da loja Scio Lustres. Em 2012, o próprio Paulo, que é técnico em segurança do trabalho, forneceu orientações técnicas para conter vazamento de amônia em uma câmara frigorífica demolida, em 2012, na Zona Norte.

 

 

Instituições ainda precisam aderir

Apesar do envolvimento coletivo para que o Plano Municipal de Contingência seja eficaz, algumas instituições chamadas a participar permanecem ausentes das discussões. É o caso da Polícia Rodoviária Federal (PRF). O inspetor da PRF, Armstrong de Carvalho, admitiu que está em falta com o projeto. "É interesse nosso participar, mas ainda não conseguimos enviar para as reuniões um representante da PRF. Este ano, vamos colocar isso na agenda." O chefe da Polícia Federal de Juiz de Fora, Cláudio Dornellas, disse que a sobrecarga de trabalho tem dificultado sua participação. "A Polícia Federal passa por um momento difícil em termos de efetivo e de volume de trabalho. Nossa delegacia atende a 142 municípios, uma população estimada em três milhões de pessoas. Gostaria muito de ir às reuniões, mas, às vezes, os horários agendados são um empecilho para mim", explica.

 

 

Objetivo é melhorar o tempo de resposta

Na prática, o Plano Municipal de Contingência não se limita às ocorrências relacionadas às chuvas, mas ao atendimento conjunto a qualquer situação de emergência e acidente na cidade relacionados a produtos perigosos e incêndios urbanos. O principal objetivo da proposta é melhorar o tempo de resposta no atendimento aos casos. Para isso, foi garantido, por meio de decreto do Executivo Municipal, publicado em outubro do ano passado, a prestação de apoio material e de recursos humanos às ações de defesa civil pelas unidades da administração direta e indireta do município que poderão ser acionadas a qualquer momento, com garantia de prioridade sobre outras ações de rotina.

"Somos o órgão responsável pela administração do desastre. Como precisamos dar respostas rápidas, resolvemos profissionalizar a Defesa Civil de Juiz de Fora. O plano define os critérios para cada situação de desastre e todos os passos para qualquer tipo de acidente. Isso é importante porque, no momento do desastre, não posso ficar sem saber quem eu chamo. O plano ajudou o município nas chuvas do final do ano em relação à velocidade de resposta. Estamos conseguindo envolver as pessoas certas na hora certa. E ainda temos o ano todo de 2014 para aprimorar o sistema", aposta o coordenador da Defesa Civil, Márcio Deotti. Um exemplo do trabalho integrado foi o atendimento de uma ocorrência de chuva no mês passado no Bairro Solidariedade, onde uma casa da Rua Jorge Angel Livraga amanheceu com rachaduras. Em menos de uma hora, vários órgãos da administração já estavam no local, entre eles a Cesama e a Secretaria de Obras. Em dois dias, a demolição no imóvel foi iniciada.

O acumulado de chuva em 2013 foi de 1.547,70 milímetros, o maior registro desde 2010, quando choveu 1.704 milímetros no ano. Em 2014, a previsão orçamentária para o Fundo Municipal de Calamidade Pública é de aproximadamente R$ 113.158,90. O valor pode ser usado, por exemplo, para a manutenção do estoque da Defesa Civil. Atualmente, a unidade tem armazenada 123 cestas básicas, 2.600 metros de lona, 760 colchonetes, telhas, 400 cobertores, além de telhas e roupas.

 

 

Pluviômetro de Igrejinha falha na pior chuva

Além do Plano Municipal de Contingência, outra aposta da Defesa Civil no combate aos danos ocasionados pelas chuvas são os pluviômetros. Implantados na cidade desde o ano passado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), órgão ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, as 26 estações pluviométricas automáticas em Juiz de Fora integram um sistema de previsão de ocorrência de desastres naturais em áreas suscetíveis no Brasil com o intuito de melhorar a previsão de ocorrências, reduzindo danos socioeconômicos e ambientais. O equipamento, instalado próximos a áreas de risco, tem como função recolher e medir, em milímetros, a quantidade de chuva precipitada durante um determinado tempo e local.

"Os pluviômetros têm sido muito úteis. Em função da disponibilização de dados e dos estudos feitos, eles informam onde choveu, o quanto e o grau de saturação do terreno", afirma o coordenador da Defesa Civil, Márcio Deotti. Apesar da disponibilidade de dados, nas chuvas de 25 de dezembro, que deixaram um saldo de uma morte no Jardim Natal e 200 desalojados em Igrejinha, o equipamento instalado neste último bairro não funcionou, o que poderia ter ajudado na avaliação dos riscos.

A assessoria de imprensa do Cemaden admitiu que o pluviômetro em questão estava inoperante por causa de "problemas técnicos" e que já está agendada uma manutenção para reparo. "Todos os outros aparelhos, porém, estão funcionando normalmente", informou o órgão.

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