Publicidade

26 de Janeiro de 2014 - 07:00

Próxima etapa será elaborar um regimento para definir ocupação do alojamento

Por CÍNTIA CHARLENE

Compartilhar
 
Quartos terão capacidade para até três estudantes
Quartos terão capacidade para até três estudantes

Uma antiga reivindicação dos alunos da graduação da UFJF finalmente tomou forma. A moradia estudantil foi concluída depois de quatro anos do início das obras, mas os estudantes ainda terão que esperar para fazer uso do espaço, já que um regimento será elaborado para determinar as regras de ocupação e os critérios que serão levados em conta para a escolha dos candidatos. A edificação foi dividida em dois blocos e vai oferecer 205 vagas a serem distribuídas entre um pavimento feminino e outro masculino.

De acordo com o pró-reitor de Planejamento, Carlos Elizio Barral, nos próximos dias, o reitor Henrique Duque deve publicar uma portaria para que uma comissão técnica, composta por setores envolvidos na questão, possa ser formada, para a elaboração do regimento. "A comissão será integrada por representantes das pró-reitorias, apoio estudantil, representantes dos alunos e demais órgãos envolvidos. A proposta da Reitoria é que, entre os processos de discussão, elaboração do regimento, aprovação pelo Conselho Superior, abertura do processo de inscrição e seleção dos candidatos, esta etapa seja concluída até meados de abril." Segundo Barral, paralelamente a isso, um edital para a compra do mobiliário será lançado pela Pró-Reitoria de Planejamento. "Esperamos que, entre 60 e 70 dias, os móveis já estejam disponíveis para serem instalados no alojamento estudantil. Acredito que o prédio estará pronto para receber os estudantes antes mesmo do término do processo de seleção para sua ocupação."

As obras começaram em janeiro de 2010, e a previsão era de que o serviço fosse entregue em novembro do mesmo ano. No entanto, a empresa responsável decretou falência, e os trabalhos foram paralisados. "Tivemos que fazer um levantamento do que havia sido feito e elaborar um projeto de tudo que era necessário para concluir as obras, e isso precisou de tempo", relatou o pró-reitor de Infraestrutura, Paschoal Tonelli. O empreendimento, que custou R$ 3,16 milhões, foi construído em uma área de 2.250 metros quadrados na Rua José Lourenço Kelmer, no São Pedro, a 200 metros da entrada da universidade pelo Pórtico Norte. Além dos dormitórios, o imóvel possui área de estudo, minibiblioteca, espaço de lazer, lavanderia, cozinha e banheiros coletivos. A proposta é de que cada quarto abrigue três estudantes. O imóvel também vai contemplar estudantes com necessidades especiais, com cômodos adaptados para eles.

Demanda

De acordo com a Secretaria de Comunicação da UFJF, atualmente, existem na instituição cerca de 9.600 estudantes oriundos de outras cidades, o que representa 60% do total de alunos da graduação. Como forma de atender a demanda, é oferecida aos estudantes uma bolsa de auxílio moradia, no valor de R$ 310. Segundo a instituição, atualmente 1.036 alunos são beneficiados pela Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis com este apoio, modalidades exclusiva para quem reside em república, pensão e/ou residência familiar de não parentes mediante pagamento de aluguel e cuja família não tenha casa própria em Juiz de Fora. Para ter direito ao benefício, o candidato é submetido a uma avaliação feita a partir da situação de vulnerabilidade social, baseada em um critério nacional definido pelo Decreto lei nº 7234/2010. O documento estabelece o Programa Nacional de Assistência Estudantil e cria critérios para concessão do benefício, que é a renda familiar per capita de até um salário-mínimo e meio. Segundo a assessoria da UFJF, este não será o mesmo critério a ser levado em conta para seleção dos candidatos a uma vaga no alojamento oferecido pela universidade.

A estudante de Ervália (MG) Jordana Maria de Souza Lopes, 24 anos, que cursa bacharelado em artes, recebe atualmente o auxílio, mas precisa gastar com transporte para chegar ao campus. "Moro no Centro e, se eu conseguir uma vaga, vai me ajudar muito, principalmente porque vou morar ao lado da universidade. Com o dinheiro do benefício, pago aluguel, mas preciso da ajuda do meu pai para custear as passagens até a faculdade."

A aluna de educação física Tatiane Oliveira Soares, 27, é do município de Campo Belo (MG) e prefere continuar recebendo o benefício a ter que trocá-lo por uma vaga no alojamento. "Não sei como vai funcionar. A moradia estudantil vai ajudar muitas pessoas. É, de certa forma, uma segurança maior para quem mora longe. Mas prefiro continuar recebendo o benefício, moro com mais uma pessoa e posso receber minha família. Se morasse no alojamento, ficaria difícil, já que o espaço é pequeno."


DCE defende outros benefícios para alunos

A conclusão do espaço representa a conquista de um direito por parte dos estudantes. No ano de 2011, um abaixo-assinado recolheu cerca de três mil nomes, solicitando a inauguração da moradia estudantil. "Vemos com bons olhos a conclusão das obras, apesar de percebermos o descaso por parte da instituição, devido à demora na entrega da moradia. Mesmo com o atraso, percebemos que estamos sendo ouvidos. Lutamos para que a universidade preste mais atenção e dê mais importância às pautas levantadas pelos estudantes. Queremos ser ouvidos e, mais do que isso, queremos mais agilidade em relação aos resultados", declara o secretário-geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Victor Cezar Rodrigues.

Para o acadêmico, só a conquista da moradia não basta para garantir a permanência do aluno da graduação na universidade. Por isso, o órgão defende a permanência do bolsa moradia. "Isso é ponto fundamental para o aluno cursar a graduação com qualidade, além de poder oferecer a oportunidade de moradia para outros. Junto com esta questão vêm outras lutas, como o aumento das vagas com a construção de novos prédios, o reajuste das bolsas e dos auxílios oferecidos, além da melhoria do transporte e da comida servida no Restaurante Universitário. Queremos que o aluno receba, além da moradia, os outros benefícios para que não tenha com o que se preocupar, e assim se dedicar à faculdade." O representante do DCE ainda completa: "Se o aluno tiver que optar pela moradia ou pela bolsa, isso é trocar cebola e não garante a permanência do aluno com qualidade." Segundo a assessoria de comunicação da universidade, os candidatos que possuem a bolsa moradia terão que optar apenas por um dos benefícios.

Sobre a participação do DCE na elaboração do regimento para o uso do espaço, Rodrigues afirma que aguarda uma posição da universidade. "Em reuniões anteriores, colocamos nossa posição e deixamos claro que queremos participar da elaboração do regimento, assim como das propostas que irão determinar os critérios que serão usados para escolher os alunos. Ainda não fomos procurados para discutir o assunto."

Outras construções

Além da moradia estudantil já concluída em Juiz de Fora, outros três blocos serão erguidos na Rua José Lourenço Kelmer, a 150 metros do alojamento já existente. O anúncio foi feito em novembro do ano passado pelo reitor Henrique Duque. A nova edificação vai custar R$ 10.281.160,33 e será construída em uma área de 4.887,62 m². A moradia irá oferecer 512 vagas. O início das obras estava previsto para este mês. De acordo com a Secretaria de Comunicação da UFJF, no momento, está sendo finalizada a homologação da empresa vencedora da licitação, assim, posteriormente, as obras serão iniciadas.

Publicidade

Publicidade

Mais comentários

Ainda não é assinante?

Compartilhe

Publicidade

Encontre um tema na

Pesquisa

Edição impressa

Enquete

Você acha que os resultados do programa "Olho vivo" vão inibir crimes nos locais onde estão as câmeras?