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21 de Março de 2014 - 07:00

Após acidente com morte no domingo, comunidade se mobiliza e exige redutores de velocidade e melhor sinalização

Por Nathália Carvalho

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Cerca de 200 pessoas participaram do protesto, fechando estrada por 20 minutos
Cerca de 200 pessoas participaram do protesto, fechando estrada por 20 minutos
Rosalina perdeu parte da perna ao ser atropelada em 2010
Rosalina perdeu parte da perna ao ser atropelada em 2010

Moradores do Bairro Igrejinha e das comunidades de Vila São José e Cachoeira, na Zona Norte, fecharam a BR-267 nesta quinta-feira (20) por 20 minutos em protesto contra a falta de segurança na rodovia. No trecho que divide as localidades, há uma grande movimentação de pessoas que dependem da via para ter acesso a comércios, farmácias, unidades de saúde e escola. Contudo, o trajeto é arriscado e já vitimou muitos moradores. No último domingo, um motociclista de 37 anos morreu após seu veículo chocar-se contra um carro na altura do trevo de Humaitá. Dez minutos depois, um Chevrolet Ipanema capotou e saiu da pista no km 124, a cerca de um quilômetro do primeiro acidente. Revoltados, moradores fecharam a rodovia por duas horas e meia, exigindo a implantação urgente de sinalização.

Já no protesto desta quinta-feira, cerca de 200 pessoas, segundo estimativa da Polícia Rodoviária Federal (PRF), participaram do movimento, que teve início às 17h. Faixas com os dizeres "BR-267. Cuidado, aqui sua vida não vale nada" foram levantadas, enquanto os moradores exigiam soluções. Durante o período de interdição, uma longa fila de carros se formou nos dois sentidos, causando cerca de um quilômetro de engarrafamento de cada lado da rodovia. Toda a manifestação foi acompanhada pela PRF.

Segundo uma das organizadoras do protesto e moradora da Vila São José, Maria José Dornellas, será dado um prazo de 30 dias para que o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit) tome providências. "Se eles não resolverem, vamos fechar a rodovia de novo", explica. Ela conta que, em 2010, a comunidade encaminhou um abaixo-assinado com 2.500 assinaturas ao órgão pedindo um redutor de velocidade para o local. "Na época, eles estiveram aqui e prometeram que seria resolvido o problema. Contudo, até hoje nada foi feito."

De acordo com a assessoria do Dnit, está prevista a instalação de lombadas eletrônicas, do tipo que mostram a velocidade dos veículos, no local. Os equipamentos fazem parte de uma nova remessa de dispositivos eletrônicos que serão instalados em várias rodovias. A previsão é de que o projeto seja executado ainda neste semestre. Segundo o inspetor da PRF, Flávio Loures, será marcada uma reunião com o Dnit na próxima semana para acertar os detalhes da instalação, que deverá ocorrer nos quilômetros 122,7 e 123,1.

 

Medo e insegurança

No mesmo ano em que foi entregue o abaixo-assinado, a pensionista Rosalina Fernandes, 58 anos, sofreu um grave acidente no local. Ela estava sentada em um ponto de ônibus próximo ao trevo de Humaitá, quando um carro a atropelou. O motorista fugiu sem prestar socorro, e Rosalina perdeu uma parte da perna esquerda. "Já passei por duas cirurgias e gastei cerca de R$ 5 mil com o tratamento. Tive que parar de trabalhar e pego quatro ônibus por dia quando preciso ir para o hospital", conta.

Conforme o presidente da Associação de Moradores do Bairro Igrejinha, Luiz Carlos Cachoeira, o principal apelo é em virtude deste perigo que a comunidade sofre diariamente. Há quatro anos, seu avô de 82 anos morreu ao ser atropelado na rodovia. "São anos vendo os acidentes acontecerem diariamente aqui. Nossa revolta é contra a falta de acostamento e de redutores de velocidade, além do abuso dos motoristas que passam em alta velocidade. Meu avô e tantos outros perderam a vida pela falta de segurança." O problema é ainda pior próximo aos trevos e pontos de ônibus. "Não tem faixa de desaceleração e nem de pedestres. Por isso tem tantas batidas, engavetamentos e atropelamentos. Isso sem contar o grande volume de caminhões, que passam por aqui para fugir do pedágio da BR-040", explica Maria José.

Os amigos Daniel e Felipe, de 13 anos, e Leonardo, de 9, atravessam a rodovia várias vezes ao dia de bicicleta e a pé. É a única forma de as crianças que moram do outro lado de Igrejinha frequentarem a Escola Municipal Padre Wilson, que fica no bairro. "A gente tem que ir pro colégio, depois levar o irmão mais novo, às vezes buscar carne no açougue e ir à farmácia. Atravessamos toda hora, mas é muito difícil, ficamos um tempão esperando. Uma vez eu estava passando, e o carro bateu na roda traseira da bicicleta. Por pouco, não vou pro chão", conta Daniel. "Os piores dias são os que têm neblina. Não dá pra ver nada, e os carros ainda passam com o farol desligado", acrescenta Leonardo. Segundo a professora da escola Solange Louzada, 40, a instituição possui cerca de mil crianças, sendo a maioria moradora da região e dependente da travessia.

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