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18 de Julho de 2014 - 09:03

Soldado de 19 anos foi atingido no tórax por tiro de fuzil durante troca de turno no Quartel da 4ª Brigada de Infantaria Leve, no Mariano Procópio

Por Michele Meireles, Marcos Araújo e Sandra Zanella

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Disparo ocorreu quando jovem iria assumir o serviço
Disparo ocorreu quando jovem iria assumir o serviço

Atualizada às 21h22

Um soldado do Exército de 19 anos morreu, na manhã desta sexta-feira (18), depois de ter sido atingido no tórax por um tiro de fuzil durante troca de turno, por volta das 7h, no Quartel General da 4ª Brigada de Infantaria Leve (Montanha), no Bairro Mariano Procópio, Zona Nordeste de Juiz de Fora. Um Inquérito Policial Militar (IPM) foi instaurado para apurar o caso, ocorrido no corpo da guarda, onde ficam os militares responsáveis por controlar a entrada e saída do lugar. A seção de comunicação da unidade informou que, no momento do disparo, era feita a troca de turno dos militares, e o jovem iria assumir o serviço. 

O Exército informou nesta sexta que ainda eram desconhecidas as circunstâncias do disparo. "Todos que estavam no momento do tiro já estão sendo ouvidos, ainda é prematuro apontarmos como ocorreu a morte. A investigação é que vai poder confirmar isto e dizer se foi acidental ou não", informou o chefe da seção, tenente-coronel Toni Fredman, acrescentando que o prazo previsto para a conclusão das apurações é de 40 dias.

O óbito do soldado foi confirmado pelo Samu, e a perícia foi acionada para realizar os levantamentos no local, sendo o corpo encaminhado para necropsia no Instituto Médico Legal (IML). No início da tarde desta sexta, o exame de necropsia já havia sido realizado. No fim da tarde, o corpo chegou ao Cemitério Municipal, onde foi velado e será enterrado às 8h deste sábado.

Com a bandeira do Brasil sobre o caixão, o soldado recebeu as últimas homenagens de familiares e amigos. Muito abalado, o pai do militar conversou com a Tribuna e pediu que seu nome e do filho fossem preservados. Residente de Benfica, Zona Norte da cidade, o jovem morava com os pais e tinha mais dois irmãos, um mais novo e outro mais velho."Ele sempre foi muito alegre, brincalhão. Era quem alegrava toda a família, não sei como vai ser agora, é uma dor que não tem como explicar", afirmou o pai, acrescentando que o jovem sonhava em seguir a carreira militar. Segundo ele, a família ainda não sabe com precisão o que ocorreu dentro do quartel. 

 

Ingresso no Exército

 De acordo com o tenente-coronel Toni Fredman, o jovem havia ingressado no início deste ano no serviço militar obrigatório e estava habilitado para o manuseio da arma de onde partiu o tiro, um fuzil automático leve. No entanto, ele não informou quem estaria portando o equipamento no momento do disparo. "Ele passou por treinamentos como qualquer outro militar que ingressa. Já havia passado pelo período básico de treinamento, agora estava no de qualificação e passaria para o que chamamos de adestramento, terminando seu tempo de serviço obrigatório, podendo ser dispensado", afirmou. Conforme o oficial, a vítima era da arma de Infantaria e servia na Companhia de Comando do Quartel General da 4ª Brigada de Infantaria Leve (Montanha). Em nota, o comando da Brigada lamentou o falecimento do militar, manifestou pesar à família e disse estar prestando apoio psicológico, religioso e médico. 

 

 

Segundo caso de morte em um ano e meio

 

Em um ano e meio, esse foi o segundo caso na cidade de morte de militar ocorrida dentro de unidade do Exército por disparo de arma de fogo. Em janeiro do ano passado, o soldado Jonathan Loures Rodrigues, 19 anos, foi morto com um tiro de fuzil na cabeça nas dependências do 4º Depósito de Suprimentos (4º D Sup), no Bairro Barbosa Lage, Zona Norte. Ele foi baleado enquanto encerrava o turno de sentinela, no qual ficava responsável pela vigilância da área.

Na época, o serviço era realizado em dupla, e o recruta de 19 anos que estava com ele portava a arma de onde partiu o tiro. Em maio, o jovem foi condenado, em primeira instância, a oito anos de prisão por homicídio doloso, aquele em que há intenção de matar, e o regime prisional inicialmente fechado. A condenação, decidida de forma colegiada pelo Conselho Permanente para Justiça no Exército, previa o direito de apelo com o réu em liberdade em segunda instância, no Superior Tribunal Militar. Imediatamente à condenação, a defesa entrou com recurso de apelação, a fim de reverter a condenação. 

A última movimentação do processo aconteceu na segunda-feira passada, dia 14, com envio dos autos para vista da Procuradoria-geral da Justiça Militar, a fim de que seja avaliado o pedido da defesa. Entretanto, essa definição a respeito da solicitação da defesa do réu não tem data prevista para acontecer. 

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