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30 de Abril de 2014 - 07:00

Quadrilha de matadores desmantelada em ação conjunta das polícias Militar e Civil é suspeita de sete homicídios

Por Michele Meireles

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Leandro Piquet: "Quando há uma quebra na cadeia do tráfico, mortes são a resposta"
Leandro Piquet: "Quando há uma quebra na cadeia do tráfico, mortes são a resposta"

O grupo suspeito de realizar mortes por encomenda em Juiz de Fora e que começou a ser desmantelado na última semana cobrava entre R$ 2 mil e R$ 2.500 por cada assassinato. A informação foi divulgada pelas polícias Militar e Civil, que agiram em conjunto para chegar aos criminosos. Segundo o levantamento do Serviço de Inteligência da PM e da Delegacia Especializada de Homicídios e Antidrogas o grupo de matadores de aluguel agia principalmente na Zona Norte. Presos desde a última semana, quatro jovens, de 19, 20, 22 e 24 anos, são suspeitos de, pelo menos, seis homicídios ocorridos este ano, além de um no fim de 2013.

Ainda de acordo com as investigações, na maioria das vezes, a "encomenda" era feita por traficantes, que pagavam para verem executadas pessoas que tinham dívidas. A quadrilha foi desbaratada na última quinta-feira, quando três integrantes foram detidos durante a operação 'Impacto". O quarto suspeito foi preso no dia seguinte pela PM, quando seguia em uma das motos utilizadas nos crimes. Na noite de terça-feira, dia 22, a Polícia Civil prendeu um dos mandantes de um crime. Segundo o titular da especializada, Armando Avolio, o homem seria um traficante, que pagou R$ 2 mil pela morte de Samuel Marques da Silva, 24 anos, ocorrida no dia 2 de abril na Vila Esperança II (ver quadro).

 

Modus operandi

De acordo com informações do serviço reservado da PM, a suspeita é de que o grupo, conhecido como "Quebra-coco", agia há cerca de um ano. Mas em 2014 começou a ganhar força e a ser conhecido e temido no mundo do crime. Os levantamentos das duas polícias apontam que eles sempre agiam da mesma maneira: utilizavam uma motocicleta, geralmente uma Falcon ou uma Twister, sempre com dois homens a bordo. O carona efetuava os disparos, e, nas imediações, havia sempre um terceiro integrante para dar cobertura. Este último, em alguns casos, estava de carro, para ajudar em uma possível fuga.

Esta é a primeira vez que as polícias têm notícias de ação desta natureza na cidade. A atuação do quarteto chamou a atenção das autoridades policiais. O assessor organizacional do 27º Batalhão, capitão Jean Michel do Amaral, falou sobre a atuação do grupo: "Tínhamos notícia de pessoas que matavam uma pessoa a mando de alguém, mas não de um grupo armado que cometeu tantos crimes em tão pouco tempo." Armando Avolio também ressalta que a atuação chamou atenção das autoridades. "Mas vemos que eles não eram profissionais. Estavam caminhando para isso, mas conseguimos fechar este ciclo antes."

Para o pesquisador do Instituto de Relações Internacionais e Núcleo de Pesquisas de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (USP), Leandro Piquet Carneiro, o fato de traficantes recorrerem a matadores para executarem desafetos e devedores, "é um indicador de presença agressiva do tráfico de drogas naquela determinada região, demonstra que a situação é séria. Quando há uma quebra na cadeia do tráfico, mortes são a resposta. A desarticulação destes grupos precisa ser prioridade, e com certeza terá um impacto positivo na segurança pública".

Segundo o delegado, a maior dificuldade foi conseguir juntar provas para ligar os assassinatos aos matadores de aluguel. Segundo ele, nos homicídios ocorridos na Zona Norte há diversos elementos que relacionam os suspeitos aos crimes, mas não está descartada a participação dos suspeitos em mortes violentas em outras regiões da cidade. "Na visão deles, eram crimes perfeitos, pois eles não tinham qualquer ligação com as vítimas. Eles não tinham motivação, eram o meio para os crimes ocorrerem." Além disso, Avolio afirmou que há informações de que eles estavam ostentando armas nas ruas dos seus bairros e ameaçavam moradores. "Por este motivo, testemunhas tinham medo de falar. Algumas pessoas viram os assassinatos, mas não diziam nada para a polícia. Este foi um dos motivos para eu pedir a prisão temporária."

A Polícia Civil ainda investiga onde os criminosos conseguiam as armas utilizadas nos homicídios. Uma das hipóteses é de que elas seriam alugadas. "Levantamos que estes materiais eram escondidos em diversos locais. Uma das armas que possivelmente foi utilizada em um homicídio, foi apreendida no Parque das Águas." Os quatro jovens estão presos no Ceresp.

 

Fim de ciclo

Com a prisão do grupo, as polícias Civil e Militar acreditam que haverá uma queda significativa no número de homicídios na cidade. "Eles eram nossos alvos prioritários e estavam envolvidos em vários inquéritos. Acredito que já há um reflexo da prisão deles. No último final de semana, já não ocorreu homicídio na cidade." O assessor organizacional do 27º Batalhão, capitão Jean Michel do Amaral, acrescentou que "as prisões põem fim a um ciclo que estava crescendo. Eles vinham ganhando confiança e poder no mundo do crime", finalizou.

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