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31 de Dezembro de 2013 - 07:00

Último homicídio aconteceu na tarde desta terça-feira, na Vila Olavo Costa, onde adolescente de 17 anos foi baleado no peito e não resistiu

Por Renata Brum (colaborou Kelly Diniz)

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Crime atraiu curiosos à rua Filonilia Carlota de Jesus
Crime atraiu curiosos à rua Filonilia Carlota de Jesus

O ano chega ao fim marcado como o mais fatal de Juiz de Fora: 139 pessoas foram vítimas de mortes violentas na cidade, entre 1º de janeiro e esta segunda-feira (30), uma média de 11 assassinatos a cada mês. O levantamento, realizado pela Tribuna com base nas ocorrências policiais, mostra que o número é 40% superior ao registrado no ano passado - quando 99 perderam a vida - e bem superior ao dobro do que em 2011 - quando foram contabilizados 52 homicídios. Sem investimentos na área social e na segurança pública, a perspectiva para 2014 não é nada animadora, alertam especialistas.

Março e setembro foram os meses que mais registraram mortes, com 16 casos em cada. Em segundo lugar no ranking, aparece dezembro, com 15 registros, seguido de janeiro e fevereiro, com 14 assassinatos em cada mês. Maio e outubro foram os meses com menos ocorrências de homicídios (seis em cada). A maioria das vítimas foi vítima de disparo de arma de fogo, e os motivos relacionados ao tráfico de drogas e brigas de gangues.

Zona Norte novamente foi a região mais violenta, com 46 ocorrências, seguida da área Sudeste (39 casos). A Região Leste aparece em terceiro lugar, com 25 mortes. Das 139 vítimas, apenas 13 eram mulheres, com faixa etária entre 26 e 48 anos de idade. O restante era de homens. Entre eles, a maior parte é de jovens até 25 anos (65 vítimas). Vinte e duas eram adolescentes.

Um deles foi Rodrigo Gonçalves Bahia, 17, morto na tarde desta segunda, com um tiro no peito na Vila Olavo Costa, região Sudeste. Ele estava em um imóvel na Rua Filonilia Carlota de Jesus, na companhia de outros dois adolescentes, quando um homem teria chegado atirando. A vítima foi atingida por um único tiro.

Polícia Militar e Samu foram acionados e, quando chegaram ao local, o jovem ainda apresentava sinais vitais, mas não resistiu. Segundo o subtenente da 135ª Companhia da PM, Glauco Antônio Dornelas, os procedimentos de reanimação foram tentados por cerca de uma hora. A perícia da Polícia Civil foi acionada e o caso será investigado pela Delegacia Especializada de Homicídios.

 

'Previsão já era essa'

Para o coordenador do Núcleo de Estudos sobre Violência e Políticas de Controle Social da UFJF, o cientista social André Moysés Gaio, o índice não fugiu do que era esperado. "A previsão de que o quadro iria piorar era esperada desde o início do ano. Não só em relação aos homicídios e tentativas, mas em relação aos danos físicos às vítimas. As razões são óbvias. O Estado não investe em Juiz de Fora. Grande parte dos investimentos é destinada à Região Metropolitana e ao Triângulo. Aqui faltam equipamentos, efetivo e programas. Fica evidente também que o Poder Público municipal precisa ter suas ferramentas próprias. Tenta-se resolver tudo com palestras, simpósios, mas já passou da hora de realizar pesquisas de vitimização, a hora agora é de testar projetos robustos que já deram certo em outros municípios."

Segundo Gaio, a pulverização das ocorrências, dificultando a prevenção da polícia, associada ao despejo de armas, corrobora ainda mais para agravar o cenário. "O revólver calibre 38 é vendido por R$100. O policiamento é pouco ou mal distribuído. As razões para a violência são tão claras que acabamos nos repetindo nos diagnósticos. Precisamos abrir os olhos, pois a qualidade de vida na cidade vem caindo devido ao aumento da violência. Isso não é mais tendência, é realidade e não há sinal de que o ano que vem seja diferente, que esse cenário seja revertido."

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