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07 de Dezembro de 2013 - 07:00

Visitantes têm dificuldades para encontrar hospitais, rodoviária, aeroporto, universidade e até pontos turísticos

Por Nathália Carvalho

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A falta de sinalização indicativa no trânsito de Juiz de Fora dificulta a locomoção principalmente de quem vem de fora e busca encontrar serviços importantes, como hospitais, cemitérios, rodoviária, Prefeitura, aeroporto, universidade e delegacias, ou pontos turísticos, de lazer e de consumo, como shoppings. Quem não conhece a cidade e não conta com aparelhos que auxiliem na localização, como GPS, tem dificuldades diante da falha das indicações no tráfego em algumas regiões. Em análise de alguns pontos principais da região central, é perceptível o gargalo de indicações para unidades e instituições da cidade. Condutores que circulam pelos principais corredores, como avenidas Rio Branco, Itamar Franco, Francisco Bernardino e Getúlio Vargas, não conseguem esclarecer as dúvidas apenas se orientando pelas placas ao buscar os serviços. Um exemplo é o Hospital de Pronto Socorro (HPS), localizado na Rio Branco, no Alto dos Passos. A única placa indicando a localização da instituição de saúde identificada pela reportagem fica em frente à unidade.

O representante comercial de Belo Horizonte Carlos Augusto diz só conseguir trafegar pela cidade utilizando o GPS. "Já conheço um pouco de Juiz de Fora, mas, quando comecei a vir pra cá, sempre pedia muita ajuda aos moradores. Hoje minha maior dificuldade é encontrar alguns locais, como hotéis e hospitais." O farmacêutico Bruno Demartini, 24, encontrou uma série de dificuldades na primeira vez que veio à cidade como motorista. "Já conhecia Juiz de Fora, mas sempre andei de ônibus. Quando precisei das sinalizações para me localizar, não consegui e fui obrigado a pedir informação a moradores na rua." Vindo de Alfenas (MG), ele e um grupo de amigos chegaram pela BR-267 e precisavam se dirigir a uma fábrica do Bairro Granjas Bethânia, região Nordeste. "Achei muito difícil encontrar o lugar, principalmente por ser um bairro longe, quase na outra saída da cidade. Estava com anotações baseadas no mapa do Google, mas não adiantou." Para o especialista em mobilidade urbana José Luiz Britto, a cidade carece de um planejamento viário consistente, dentro do qual incluem-se as sinalizações. "Em Juiz de Fora, faltam investimento e revisão das placas já existentes. Além disso, é fundamental a ampliação de indicações para pontos turísticos e de utilidade pública."

A subsecretária operacional de Transporte e Trânsito da Settra, Iza Machado, admite que a sinalização no município está deficitária e, há muito tempo, não ocorre um projeto de grande porte para tal setor. "Reativamos em agosto o projeto de sinalização turística, que estava praticamente parado desde 2007. A primeira ordem de serviço para iniciar a confecção das placas foi dada em outubro e, agora, estamos readequando alguns pontos, que estavam defasados", explica. No total, já foram instaladas 120 placas, e faltam outras 99 para serem colocadas. Com recursos da Caixa Econômica Federal, o projeto prevê a utilização de R$ 220 mil. Existe ainda um projeto em andamento para sinalização de estradas vicinais. O prazo para conclusão é outubro de 2014.

Ainda segundo Iza, a pasta recebe um grande contingente de pedidos, provenientes de empresas privadas e outros órgãos, para colocação de placas indicando sua localização. "Temos uma lista com mais de 20 nomes, mas não temos como atender a todos, então priorizamos os polos mais importantes. É relevante pensar na poluição visual da cidade também", diz. Ainda segundo ela, por enquanto, a pasta consegue apenas implantar sinalizações indicativas de determinados locais próximos a eles. "Vamos tentar selecionar os pontos com base em estudo que aponte aqueles que causam maior volume de viagens por veículo."

 

 

'Se erramos o caminho, é um transtorno para voltar'

Para especialistas em trânsito, o problema da falta de placas indicativas é agravado pelo fato de a cidade servir como ponto de passagem para muitos motoristas, como é o caso dos que chegam da MG-353 e pretendem seguir viagem para o Estado do Rio de Janeiro, pela BR-040. Quando o problema envolve caminhões, a situação piora já que um erro do condutor pode trazer consequências graves para o tráfego. O caminhoneiro Antônio Marcos Eduardo, de Cachoeiro do Itapemirim (ES), diz ter vivido momentos de tensão na rotina de viagens no último dia 20 de outubro. Trafegando em Juiz de Fora, vindo da região de Ubá, ele seguia para Bicas, mas não conseguiu identificar as placas de sinalização e acabou entrando em um local proibido para veículos pesados. A situação foi relatada em um vídeo, publicado no Youtube. "Foi notório o meu desespero. Passei em uma subida íngreme e quase aconteceu uma tragédia. Só fiquei sabendo que não poderia ter passado por ali quando já estava na via, e aí era tarde demais", conta. Segundo ele, o fato ocorreu durante a noite, quando chovia muito na cidade, o que dificultou a visualização de informações. De acordo com o caminhoneiro, todo o trajeto na área urbana foi feito com dificuldade. "Mesmo com o GPS, tive que pedir informação várias vezes porque a sinalização é muito falha. Usei Bicas como referência, mas a primeira placa que vi foi só na Avenida Brasil. A cidade é muito usada para quem segue para a Rio-Bahia (BR-116) por exemplo, mas não tem placa suficiente." Para ele, as sinalizações de proibição de tráfego de caminhões devem ser inseridas com bastante antecedência. "Para nós, é difícil manobrar e, se errarmos o caminho, é um transtorno para voltar."

 

Entradas e saídas

Para checar a situação da sinalização indicativa em Juiz de Fora, a Tribuna percorreu diversos pontos do Centro e os principais locais de entrada e saída para outras cidades: BR-040, pelo Salvaterra e pela Zona Norte, MG-353, por Grama, Região Nordeste, e ainda a BR-267, pelo Bairro Retiro, Zona Sudeste. Com a maior número de falhas identificadas, a situação da entrada e saída para a região de Bicas, pela 267, é uma das mais preocupantes. A maioria das placas que indica o trajeto está na Avenida Brasil, algo que já deveria ser sinalizado por toda a área central. Já para quem está chegando em Juiz de Fora por este local, a situação é ainda pior. Na entrada, no trevo do Bairro Jardim Esperança, o motorista encontra as placas que demonstram as opções de seguir pelo Retiro ou pela rodovia União e Indústria, sem especificar quilometragem. Para quem é de fora, não há como saber o que as duas informações significam, deixando dúvidas na hora de optar por qual caminho seguir. A única indicação do Centro aparece em uma rotatória no final da Alameda Ilva Melo Reis, onde há a diferenciação para quem pretende entrar no Bairro Santo Antônio.

Seguindo o trajeto, outras falhas são identificadas. No Bairro de Lourdes, há placas quase apagadas orientando a direção do Centro, localizadas na calçada, fora da pista de rolamento. "Sempre param motoristas aqui, seja saindo ou entrando na cidade. Perguntam como fazem para ir a determinadas cidades ou qual o caminho seguir para a Zona Norte, por exemplo", conta a proprietária de um restaurante Denize dos Reis. Perto dali, a garçonete de um bar na Rua Padre Guilherme, Silvânia Leonel, afirma que os motoristas questionam a quilometragem para as cidades próximas. "Quem chega sempre pergunta qual o hotel mais próximo, hospitais, comércios, entre outros." As primeiras identificações precisas sobre o Centro, bem como outras localidades, como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Praça Antônio Carlos só aparecem na Avenida Brasil.

 

 

Em Grama, perguntam onde é Juiz de Fora

Percorrendo ruas e avenidas que dão acesso à saída da cidade pelo Bairro Grama, em direção à MG-353, a reportagem identificou várias placas indicando a direção de Ubá. Contudo, nomes de cidades menores da região só aparecem na altura do Hospital João Penido. Já para quem está chegando no município pelo local, a primeira placa indicando o Centro é no Grama, mas a falta de sinalização apontando a chegada em Juiz de Fora confunde condutores. "As pessoas param aqui para pedir orientação o tempo todo. Perguntam onde é Juiz de Fora, se demora para chegar na cidade, como se faz para seguir para o Rio, BH, entre outras cidades. Querem saber também como chegar ao aeroporto, Centro, hospitais", explica o comerciante Áureo Guedes. Ele reforça que um dos principais questionamentos é o rumo da BR-040. A primeira referência para estas localidades é vista no Bairro Quintas da Avenida, na subida da Garganta do Dilermando.

De todas as entradas percorridas pela Tribuna, a pelo Salvaterra é a melhor sinalizada. Condutores que estão no Centro e pretendem seguir para o Rio de Janeiro encontram inúmeras indicações do caminho. Já para quem está chegando, a primeira placa orientando sobre o Centro fica próxima ao Parque da Lajinha. No mesmo local, já é possível ver indicações para o Museu Mariano Procópio, Praça Antônio Carlos, Parque Halfeld, aeroporto, Estádio Municipal e UFJF. Continuando o trajeto, motoristas conseguem atingir o destino, caso seja central, com tranquilidade. A crítica nesta região está associada com placas apontando outras cidades, novamente na mesma perspectiva de que muitos motoristas, provenientes da região do Rio de Janeiro, necessitam utilizar a cidade como forma de passagem. A sinalização indicando Ubá e Bicas, por exemplo, não é vista até o final da Avenida Itamar Franco. A única cidade lembrada é Leopoldina, com placa próximo à Escola Normal.

Já para os condutores que pretendem entrar na cidade pela Zona Norte, as principais orientações estão na Avenida JK. Para quem entra pelo Jóquei Clube, há uma placa indicando Centro e Leopoldina. Depois disso, não aparecem outras até o Viaduto Ramirez Gonzalez. No local, cidades como Ubá e Leopoldina e pontos como a Praça Antônio Carlos e o Terminal Rodoviário Miguel Mansur são sinalizados.

 

Reestruturação

Para o especialista em planejamento de transporte urbano Luiz Antônio Costa Moreira, há a necessidade de realizar uma reestruturação do atual sistema de sinalização indicativa na cidade. Para ele, de uma forma geral, faltam informações aos usuários que pretendem passar pela cidade ou que necessitam ir direto para algum bairro. "Nosso projeto foi desenvolvido há mais de 20 anos e, durante este período, ocorreram algumas modificações de forma tímida. Contudo, o trânsito tem mudado de forma cada vez mais rápida, principalmente por conta do aumento do número de veículos, e as sinalizações não acompanham." Para ele, o correto seria que as sinalizações tivessem início onde começa o tráfego da cidade. "Depois que a pessoa já entrou no trânsito intenso da cidade, fica complicado pedir informação e se localizar."

Segundo ele, tal reformulação deve vir acompanhada da melhoria das sinalizações que indiquem a proibição de veículos pesados. "Muitas vezes, vemos caminhões trafegando em locais onde não poderiam estar por culpa da precariedade de sinalizações, que não orienta corretamente ou falha. A culpa nem sempre é do motorista. O correto seria o aviso vir com bastante antecedência e de forma repetitiva."

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