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27 de Março de 2014 - 07:00

Após matar marido e enterrá-lo no quintal, mulher foi encaminhada para penitenciária

Por Sandra Zanella e Michele Meireles

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A mulher de 27 anos presa por matar o companheiro com golpes de marreta e enterrá-lo no quintal de casa, no Cruzeiro do Sul, Zona Sul, foi encaminhada à Penitenciária Ariosvaldo Campos Pires por volta das 22h30 de terça-feira. Antes de ser levada à unidade prisional, ela prestou depoimento no plantão da 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil, em Santa Terezinha, e confessou o assassinato do servidor público federal, técnico em eletrônica da UFJF, Marcus Augusto Marcato Teodoro, 50. A mulher alegou "não suportar mais as agressões praticadas pela vítima" e afirmou que esperou o homem dormir para praticar o homicídio.

Ainda conforme as declarações prestadas, ela seguiu até o quintal da casa onde moravam, na Rua Aurora Torres, e pegou a marreta usada na ação criminosa. Ainda detalhou o crime, contando que seu companheiro ficou agonizando após o primeiro golpe na cabeça e morreu em seguida, ao ser atingido por mais duas marretadas. Ela também contou ter arrastado o corpo até o quintal, onde o enterrou em uma cova rasa.

O assassinato brutal teria acontecido entre o final da noite de segunda-feira e a madrugada de terça, mas só foi descoberto na tarde seguinte, quando a mulher teria tentado queimar as vestes usadas pela vítima e a roupa de cama, sujas de sangue. A fumaça teria chamado a atenção de vizinhos, e a PM foi acionada, sendo o corpo localizado e desenterrado com a ajuda dos bombeiros. Após relatar todo o ocorrido à Polícia Civil, a suspeita afirmou que "agiu desta forma porque não suportava mais ser agredida pela vítima e que já esteve cinco vezes no posto da PM em Santa Luzia para reclamar contra as agressões sofridas". Ainda conforme o depoimento dela, o relacionamento durou 14 anos.

 

 

Denúncias de agressão não foram formalizadas

Pelo menos quatro boletins de ocorrência relacionados ao casal foram registrados pela PM nos últimos quatro anos. Em dois deles, feitos em 2010, a mulher aparece como vítima, porém, em nenhum deles ela foi à delegacia fazer representação contra o marido. Em fevereiro de 2010, ela relatou à PM que seu companheiro havia chegado em casa, discutido, sem motivos aparentes, e desferido um soco contra a boca dela. Na ocasião, a mulher foi conduzida pelos policiais até o HPS, onde teria sido constatada a quebra de três dentes e edema no lábio superior, sendo medicada e liberada. Cinco meses depois, ela procurou a PM no município de Goianá, identificando Marcus como seu ex-companheiro, dizendo que ele esteve na residência dela e havia feito ameaças de morte, além de agredi-la a socos e chutes. Desta vez, a mulher não apresentava lesões.

Já em abril de 2011, foi o servidor federal quem registrou boletim de ocorrência contra a suspeita, afirmando que ela teria retirado um dos filhos do casal de um hospital e sumido sem dar notícias. O caso mais recente foi em outubro de 2012, quando ele voltou a procurar a PM, mas em Goianá. Acompanhado de uma conselheira tutelar, o homem informou que a mulher havia saído de sua casa em Juiz de Fora e levado o filho de 1 ano e meio para aquele município. No mesmo dia, a suspeita disse aos policiais que havia deixado a residência e ido para a residência da mãe para evitar ser agredida por seu companheiro.

Embora existam os registros policiais, conforme a titular da Delegacia de Atendimento à Mulher, Maria Pontes, a suspeita não procurou a especializada em nenhum dos episódios de violência. "Não há solicitação de medida protetiva ou formalização da denúncia. Se ela tivesse nos procurado, teríamos feito a investigação e dado todo o apoio a ela, talvez esta barbaridade não tivesse ocorrido", afirmou, chamando a atenção para o fato de que muitas mulheres desistem de dar continuidade às denúncias. Segundo a delegada, o volume de ocorrências recebidas é muito grande, porém, "é difícil investigar todos os casos ao mesmo tempo. Quando a mulher está se sentindo acuada, está sendo ameaçada, precisa nos procurar, temos um aparato multidisciplinar para atendê-la. Se não tiver cooperação da vítima, fica difícil agirmos".

Segundo informações do boletim de ocorrência relacionado ao homicídio, a mulher relatou que, por volta das 18h30 de segunda-feira, havia discutido com Marcus, afirmando serem recorrentes as brigas do casal. Cerca de meia hora depois, ela teria recebido um amigo em casa e consumido cerveja até por volta das 22h30, quando o visitante deixou o local. Em seguida, teria acontecido uma nova discussão. Já às 23h10, conforme o relato à PM, o homem já estava dormindo e foi atacado pelos golpes de marreta até a morte. A mulher afirmou à polícia que a garota de 9 anos e o menino de 3, filhos do casal, estavam dormindo durante o ocorrido. As crianças ficaram sob a guarda de parentes. Na delegacia, ela teve o flagrante confirmado por homicídio qualificado por meio cruel. O caso seguiu para investigação na especializada de Homicídios e Antidrogas. Segundo o delegado Armando Avolio, até a tarde desta quarta-feira (26), o inquérito não havia sido remetido a ele.

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