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28 de Fevereiro de 2014 - 06:00

Interdição do trânsito no Pórtico Sul mostra, mais uma vez, dependência do anel viário para quem acessa a região de São Pedro

Por Regina Campos (editora) e Eduardo Valente (repórter)

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Retenção afetou os acessos ao campus
Retenção afetou os acessos ao campus
Motoristas tentam "furar" fila para deixar o campus pelo Pórtico Norte
Motoristas tentam "furar" fila para deixar o campus pelo Pórtico Norte

A retirada de dois quebra-molas na manhã desta quinta-feira (27), na saída do Pórtico Sul da UFJF, causou grande congestionamento no anel viário do Campus e reacendeu a discussão sobre como os condutores que trafegam naquela área são dependentes do trânsito interno da instituição, usado por muitos apenas como passagem entre a Zona Sul e a Cidade Alta. A intervenção, que fechou a pista de saída do portão Sul e transferiu todo o fluxo para o Norte, não foi divulgada com antecedência e surpreendeu a todos, causando transtornos até mesmo para a Companhia de Prevenção e Vistoria do Corpo de Bombeiros, cuja a unidade está instalada dentro da universidade. Durante a obra, das 8h30 até por volta do meio-dia, a Tribuna flagrou um festival de infrações, abusos e descontrole de motoristas impacientes com a demora para cruzar o campus, que passava de uma hora. Carros trafegando na ciclovia, discussões entre condutores que tentavam "furar" a fila de veículos e dois abalroamentos foram presenciados (ver vídeo abaixo). As retenções tiveram reflexos até mesmo em vias do Bairro São Pedro, como a Avenida Presidente Costa e Silva e a Rua José Lourenço Kelmer.

Durante a confusão no Pórtico Sul, inclusive, uma ambulância do Resgate precisou fazer uma manobra arriscada, saindo do anel viário pela contramão. Os seguranças da UFJF agiram rápido e conseguiram interditar os carros que subiam a Avenida Presidente Itamar Franco. Os funcionários também tiveram que correr para impedir que outros carros de passeio fizessem o mesmo trajeto, ou seja, saíssem do campus pela faixa de entrada. "Pedimos para que o pessoal dos Bombeiros nos avisasse caso tivessem que deixar o campus para uma emergência, mas não fizeram isso. Foi arriscado, pois se tivesse algum carro entrando na UFJF iria dar de frente com o Resgate", reclamou um dos guardas, que pediu para não ser identificado. De acordo com o Coordenador Bombeiro da Unidade (CBU), tenente George Sant'Ana, a companhia foi surpreendida pela obra, pois não foi avisada com antecedência. "Algumas ocorrências daquela região, como no Bairro Cascatinha, tiveram que ser transferidas para o batalhão (na Avenida Brasil) porque o tempo de resposta era menor", esclareceu. Sobre o perigo da ambulância, o militar informou não ter tido conhecimento do fato.

 

Retenções

De acordo com a assessoria de comunicação da UFJF, até 9h15 o portão de entrada Norte, no Bairro São Pedro, se manteve aberto para o trânsito de automóveis. Depois desse horário, para evitar novas retenções, ele também foi fechado, mantendo exceção apenas para aqueles condutores que tinham o campus como destino. Conforme a instituição, a obra desta quinta foi realizada porque, com a instalação do conjunto de semáforos no Pórtico Sul (em 2012), os quebra-molas não eram mais necessários.

A intervenção foi feita pela Empav, por meio de um serviço contratado. A universidade alega que a empresa informou na quarta-feira da disponibilidade de executar o serviço na manhã desta quinta e, por este motivo, não houve tempo hábil de informar a população. Já a assessoria de imprensa da Empav esclareceu que a comunicação foi feita na manhã de quarta-feira, e a remoção só ocorreu após autorização da Pró-reitoria de Infraestrutrura (Proinfa). O objetivo seria aproveitar o menor fluxo de automóveis na área, em razão do pré-carnaval e das férias na UFJF.

 

 

Condutores se irritam com falta de informação

Com apenas uma saída aberta, quem estava dentro da universidade não tinha outra opção senão encarar a fila do Pórtico Norte ou esperar a saída Sul ser liberada. Foi o que fizeram alunos do mestrado em biologia da UFJF que levavam para a Embrapa, no Dom Orione, um experimento realizado no Instituto de Ciências Biológicas. Os tabuleiros com material de pesquisa sobre carrapatos não podiam tomar sol, e o jeito foi descer do carro e esperar debaixo de uma sombra até que a saída Sul fosse liberada. "Não temos como passar pelo Pórtico Norte, a volta seria grande e ficaríamos expostos ao calor, o que prejudicaria a pesquisa", relatou uma estudante que pediu para não ser identificada. Caso os alunos tentassem dar a volta, eles levariam, no mínimo, uma hora para chegar ao Pórtico Norte, tudo isso debaixo do sol forte e de uma temperatura em torno de 32 graus.

O professor Francisco Zacaron, que gastou exatos 30 minutos para percorrer 650 metros, reclamou da falta de informação sobre o fechamento da saída Sul. "Fazem essa obra no horário de pico e não colocam uma placa de aviso. Teve uma aluna nossa que não conseguiu chegar para banca de mestrado." A estudante Isadora Brandão também precisou de paciência para enfrentar o congestionamento. "É um absurdo porque as pessoas vão furando fila, e a gente vai ficando mais tempo ainda". O engenheiro José Carlos Caruso Imbroisi também lamentou a situação. "Nem retornar, se eu quisesse, eu poderia. O jeito é ter paciência."

A fila dupla, aliás, foi motivo de algumas discussões presenciadas pela Tribuna. Motoristas que seguiam na faixa de saída tentavam impedir que condutores que vinham pela esquerda "furassem" a fila. Essa situação, inclusive, causou uma colisão entre dois carros, próximo ao afunilamento para o Pórtico Norte. Uma mulher bateu na traseira do carro da frente ao fechar a passagem para o veículo que insistia em ultrapassá-la. O condutor atingido preferiu relevar o ocorrido pois entendeu que a motorista, assim como ele, havia enfrentado a fila e não queria dar passagem para quem chegou por último.

 

 

Estudo para contorno viário em andamento

A falta de alternativas viárias entre a Cidade Alta e Zona Sul já é reconhecida pelo Poder Executivo. Atualmente, o município trabalha na concepção de um projeto que visa criar um via de contorno, transferindo o fluxo pesado, que hoje é dependente do anel viário, estipulado em 70% dos veículos que entram no campus, para um novo traçado. A ideia é estabelecer uma alternativa entre o Pórtico Sul e o fim da Avenida Presidente Costa e Silva, no São Pedro, passando próximo ao Estádio Municipal. A empresa que realiza este estudo, ao custo de R$ 138 mil, foi contratada em novembro. Ela tem até seis meses para apresentar uma proposta que pode, inclusive, resultar em desapropriação de imóveis ou terrenos.

De acordo com a Settra, uma primeira versão da proposta foi apresentada há alguns dias, mas a pasta solicitou algumas alterações. A expectativa é que um novo estudo seja mostrado na próxima sexta-feira (7 de março). Caso aceito, o projeto deverá ainda ser aprovado pelo prefeito. No entanto, o município ainda não dispõe dos recursos necessários para construir o contorno viário, inicialmente estimado em R$ 15 milhões.

A situação observada nesta quinta por condutores ainda poderá se repetir algumas vezes. Isso porque, ao mesmo tempo em que o município tenta captar recursos para a construção do contorno viário, a UFJF se prepara para iniciar uma obra de remodelação do anel viário. Já licitada e com recursos garantidos, o início das mudanças dependem de questões jurídicas, pois a empresa vencedora da licitação ainda estaria em negociação com duas firmas parceiras.

Entre as mudanças previstas estão o reposicionamento dos traffic calmings, a instalação de radares, que deverão ter velocidade máxima estipulada em 30km/h, além da substituição do asfalto, recuperação de calçadas, e melhorias na ciclovia, na iluminação pública e nos abrigos de ônibus.

Os pórticos e as vias paralelas também serão equipados com barreiras físicas de tráfego. Por uma decisão da universidade, estes dispositivos poderão ser acionados para fechar o trânsito interno. Esta medida pode ser utilizada em várias situações, como no caso de algum assalto no campus ou devido a algum evento que necessite da interrupção do fluxo de automóveis.

 

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