Atualizada às 21h56
Um homem morreu soterrado, na tarde desta sexta-feira (1), em uma obra na Rua Vicente Adão Botti, no Bairro Bom Pastor, Zona Sul de Juiz de Fora. Edmar dos Santos, 29 anos, trabalhava com outros quatro funcionários em uma vala de fundação de um prédio, que estava sendo escavada a cerca 1,60m abaixo do solo. Às 15h40, houve um deslizamento de uma grande quantidade de terra, vinda de um barranco. Além de Edmar, um outro trabalhador de 31 anos também ficou com mais da metade do corpo encoberta. Os outros três conseguiram fugir. Vizinhos que ouviram o barulho chamaram o Corpo de Bombeiros, que deslocou cerca de 20 homem e mais quatro viaturas até o local. Trabalhando com pás, enxadas e escavando com as mãos, os bombeiros demoraram cerca de 30 minutos (ver vídeo no site) para retirar a primeira vítima, que foi encaminhada ao HPS.
Os trabalhos de busca pelo segundo soterrado continuaram debaixo de chuva, com auxílio da Defesa Civil, da Polícia Militar e suporte do Samu. A ação também foi acompanhada por um dos responsáveis pela construtora e pelos funcionários que tentavam informar a possível localização da vítima. Devido à grande quantidade de terra que encobria a fundação, uma retroescavadeira foi utilizada para ajudar a retirá-la com mais rapidez. "Tomamos muito cuidado para evitar que o homem fosse atingido pela máquina", afirmou o tenente-coronel Anderson Esteves, comandante do 4º Batalhão do Corpo de Bombeiros. Edmar foi encontrado duas horas depois dentro da vala da fundação. Ele já estava sem vida e prensado pelo material do deslizamento, que encobriu todo o buraco.

O responsável técnico pela obra não foi encontrado no local e, de acordo com o subsecretário de Defesa Civil, Márcio Deotti, a Polícia Civil seria chamada para fazer as verificações. "Não é adequado que esse tipo de serviço seja realizado debaixo da quantidade de chuva que caiu hoje. As condições do terreno não são favoráveis. É preciso que a pessoa que responde pela obra preste os esclarecimentos." De acordo com as informações do integrante do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea), Flávio Antônio Lima Vianna, uma das exigências do órgão é que as obras sejam sinalizadas com o nome de todos os engenheiros responsáveis. Na fachada, existia apenas o nome do engenheiro que respondia pelo cálculo estrutural.
A Defesa Civil interditou a obra e também fez a interdição parcial da casa ao lado, que teve as paredes danificadas por causa do deslizamento. Segundo o morador vizinho, o médico Igor Leitão, 34 anos, em janeiro do ano passado, houve uma outra movimentação de terra no mesmo local. O chefe de operações da Defesa Civil confirmou que, em dezembro de 2011, houve uma interdição na área. Os trabalhos foram retomados em agosto de 2012, após a regularização do projeto.
O acidente aconteceu no dia em o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou 44 milímetros de precipitação, o que corresponde a 42% do acumulado registrado no mês de fevereiro.




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