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20 de Abril de 2014 - 06:00

Data lembra o fim da escravidão dos judeus no Egito, e a ressurreição de Jesus Cristo, após a crucificação

Por BÁRBARA RIOLINO

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Dom Gil: "A Páscoa é a passagem de uma vida pior para uma vida melhor"
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Pastor Aloizio: "Jesus é para nós o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo"
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Os cristãos celebram neste domingo a Páscoa, a festa mais importante do Cristianismo. De origem hebraica, a palavra Páscoa significa passagem, simbolizando o fim da escravidão vivida pelos judeus no Egito. A libertação, liderada por Moisés, se deu pela travessia do povo pelo Mar Vermelho até a chegada à chamada Terra Prometida, onde puderam ter acesso a uma vida livre e digna. A passagem continuou sendo comemorada pelos judeus, inclusive, por Jesus Cristo, até a data de sua morte e ressurreição, quando ganhou mais um significado: a vitória do filho de Deus contra a morte e a conquista da vida eterna. Os adeptos do Cristianismo - católicos e evangélicos - reservam a Páscoa para reflexão e remissão de pecados, simbolizados pela cruz carregada por Jesus antes de ser crucificado.

Durante a semana que passou, as paróquias da cidade recontaram a trajetória vivida por Jesus, desde sua entrada triunfal em Jerusalém, aclamado pelos judeus, lembrado no Domingo de Ramos, passando pela Procissão do Encontro - marcada pelas imagens de Nosso Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores, representando o encontro de Maria com Jesus a caminho do seu calvário -, a Paixão de Cristo, com a Última Ceia, Lava-pés e Via-sacra. Para este domingo, estão previstas missas e cultos (ver quadro).

Católicos e evangélicos se unem nesta data, porém, dão à Páscoa significados distintos para as reflexões. Para o arcebispo metropolitano, dom Gil Antônio Moreira, a Páscoa dos cristãos vai além da Páscoa dos judeus. "Na Páscoa de Cristo, não é vencida só a escravidão humana, mas a própria morte, que é o pior de todos os inimigos do homem. Jesus vence a morte e ressuscita dos mortos, por isso, cristãos católicos e não católicos celebram a Páscoa da Ressurreição, da vitória sobre a morte, abrindo as portas do paraíso a nós e a vida eterna", ressalta.

Na visão do pastor da Igreja Metodista Central de Juiz de Fora, Eliseu Peroni, a Páscoa simboliza a memória de Jesus como o projeto de Deus para a salvação da humanidade. "A Semana Santa representa os últimos dias de Jesus na Terra, tendo como ponto mais importante a Última Ceia, que é a grande mensagem da Páscoa. No momento em que ele partilha com seus apóstolos o pão e o vinho, representando seu corpo e sangue, entendemos que ele partilhou sua vida conosco, servindo como nosso alimento de vida."

Para o presidente das Igrejas Batistas de Minas Gerais, pastor Aloizio Penido Bertho, a Páscoa está relacionada à celebração dos judeus e à ressurreição de Cristo. "Jesus Cristo é para nós o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Antes de o povo judeu ser libertado, houve as dez pragas do Egito, sendo a última destinada à morte dos primogênitos. Segundo a Bíblia, um cordeiro precisou ser sacrificado e seu sangue foi passado em algumas portas de casas, como forma de proteção às crianças, que não foram vítimas do anjo da morte. Quando Jesus veio ao nosso mundo, ele completou o significado. Logo, seu sangue nos salva de todos os pecados."

Na Igreja Presbiteriana, o sentido é mais físico do que simbólico e interpretativo. O pastor Jefferson Marques Reinh explica que, para os presbiterianos, a fé está moldada por fatos contados na Bíblia e evidências históricas retratadas em documentos, que comprovam a morte e ressurreição de Cristo. "É um fato histórico, aconteceu. A data para nós tem a mesma importância que o Natal, que é marcada pela encarnação, quando Deus deixa sua glória e nasce como um de nós. Temos na Bíblia nossa regra e prática. A ressurreição é o nosso foco, que representa a tranquilidade. Por mais que tenhamos sofrimento, sabemos que ele não dura para sempre."

Embora cada religião interprete a Páscoa com particularidades, na prática, o respeito e a reflexão são os mesmos. "Algumas coisas nos separam destes irmãos, mas na Páscoa, isso não ocorreu. Esta união é justamente um sinal de que nem tudo está perdido, que estamos unidos no amor a Jesus e na veneração de sua morte e ressurreição. A Páscoa é o momento da paz, da passagem de uma vida pior para uma vida melhor. É um momento de alegria, de festa, de abraçar a todos que querem amar a Cristo e unidos na mesma igreja, assim como Jesus desejou", pontua dom Gil.

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