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15 de Junho de 2014 - 06:00

Tribuna flagra excessos que revelam falta de conscientização nas ruas

Por BÁRBARA RIOLINO

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Na Getúlio Vargas, pedestres  ignoram seus deveres na travessia
Na Getúlio Vargas, pedestres ignoram seus deveres na travessia
Apesar de estar perto da faixa, transeunte pula canteiro na Av. Francisco Bernardino
Apesar de estar perto da faixa, transeunte pula canteiro na Av. Francisco Bernardino
Jovens atravessam no meio dos carros na Rua Bernardo Mascarenhas, no Fábrica, forçando condutores a pararem
Jovens atravessam no meio dos carros na Rua Bernardo Mascarenhas, no Fábrica, forçando condutores a pararem
Pedestres se arriscam na Avenida dos Andradas, em trecho de grande movimento
Pedestres se arriscam na Avenida dos Andradas, em trecho de grande movimento

A ausência de faixas e locais seguros para a travessia é um problema em vários pontos de Juiz de Fora, mesmo onde há grande fluxo de veículos. O dilema vivido pela população já foi mostrado pela Tribuna em reportagens mostrando os riscos vividos pelos pedestres. Porém, em outros locais da cidade, a situação acontece de maneira inversa, com os abusos sendo cometidos pelos próprios transeuntes. O desrespeito à sinalização faz com que os condutores precisem redobrar a atenção ao volante.

A reportagem voltou às ruas e realizou flagrantes de pedestres. Em muitos deles, os transeuntes insistiam em realizar a travessia em ponto errado, mesmo estando a poucos metros da faixa ou traffic calming. Na Rua Bernardo Mascarenhas, no Bairro Fábrica, na Zona Norte, os excessos podem ser observados todos os dias, sobretudo em horários de pico. No trajeto feito pela Tribuna, um grupo de jovens tentou atravessar a pista de rolamento entre as duas faixas de pedestres. Para realizar a travessia, os rapazes permaneceram por alguns segundos no meio da via, forçando os condutores a pararem os veículos para que pudessem passar.

A mesma situação se repete na região central. Na Avenida Getúlio Vargas, os flagrantes acontecem a todo o momento. Mesmo com vários carros em movimento, pessoas tentam atravessar fora das faixas. Na esquina com a Rua Halfeld, muitos não esperam o sinal que autoriza a travessia e passam sem olhar para os lados. A situação também é recorrente nas avenidas Francisco Bernardino e Andradas, sobretudo em locais de acesso aos pontos de ônibus.

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) define "trânsito" como a utilização das vias por pessoas, veículos e animais, isolados ou em grupos, conduzidos ou não, para fins de circulação. Ao cruzar a pista de rolamento, a legislação pede ao pedestre para tomar todas as precauções de segurança, levando em conta, principalmente, a visibilidade, a distância e a velocidade dos automóveis, utilizando sempre as faixas ou passagens a ele destinadas, sempre que estas existirem.

 

Desequilíbrio

As regras, porém, têm sido violadas de forma constante. A assessora técnica setorial da Subsecretaria de Mobilidade Urbana da Settra, Ana Beatriz Chaves, que coordena e supervisiona programas e projetos educativos voltados para todo o tipo de pedestres em qualquer escolaridade (crianças, adultos e idosos), explica que é impossível ter um trânsito seguro se o tripé formado por engenharia, fiscalização e educação estiver em desequilíbrio. Aliado a isso, ainda existe um outro conjunto de fatores que faz com que o cidadão busque o comportamento inseguro no trânsito: o individualismo, a pressa e as distrações.

"Os abusos nas travessias estão intimamente ligados a estes fatores. Estamos todos muito acelerados e precisamos, a todo custo, nos deslocar para chegarmos ao nosso destino, dentro de um determinado tempo, mas esquecemos que estamos inseridos em um espaço de convivência. A tecnologia, que nos ajuda em muitos aspectos, nos atrapalha neste momento, seja pelo uso de celulares ou qualquer outro acontecimento que nos tire a atenção no momento da travessia", afirma Ana Beatriz Chaves.

 

Cultura e respeito nas ruas é um desafio

Para tentar conscientizar os jovens pedestres sobre o risco do trânsito, alguns projetos vêm sendo desenvolvidos pela Administração Municipal. A assessora técnica setorial da Subsecretaria de Mobilidade Urbana da Settra, Ana Beatriz Chaves, destaca que, atualmente, 40 escolas da rede municipal estão inseridas no projeto "Território escolar seguro". A ação envolve um grupo de trabalho formado por outros departamentos da Prefeitura, com o objetivo de delimitar a área escolar, abrangendo também a comunidade em que a escola está inserida. "É uma forma de ultrapassar os muros das instituições e trazer a responsabilidade da conservação e respeito daquela localidade para alunos, professores e população." As outras atividades que a Settra realiza se concentram no programa "Monitores de travessia", para o qual funcionários das escolas são capacitados com a finalidade de fornecer mais segurança na entrada e saída de alunos e para participar das blitze educativas.

A assessora ressalta que estabelecer a cultura e o respeito à sinalização é um desafio. "A pressa para buscar caminhos mais curtos é natural do ser humano, o que não quer dizer que é da forma mais segura."

Na visão da cientista social e especialista em trânsito Andreia Santos, o problema esbarra exatamente na questão pontuada acima: a cultura do brasileiro, que não permite pensar nas regras como forma de segurança. "O pedestre age na rua como se aquele espaço pertencesse a ele e a mais ninguém. É um comportamento para tentar garantir, à força, a sua cidadania, ao mesmo tempo em que a mesma não existe. A cidadania é a relação entre a pessoa e o cidadão e, no trânsito, é estabelecida entre o respeito de pedestres e veículos."

Para a especialista, é preciso estabelecer um plano para a cidadania, de forma que ela seja de apropriação de todos, deixando de lado as relações pessoais, criando uma rede de soluções, independente de quem cada um é ou conheça. "O individualismo não é o fator principal, mas a nossa cultura em si, que não nos permite pensar e agir para toda uma coletividade. As regras de circulação são para a segurança de todos. É preciso reforçar o trabalho de educação."

Ana Beatriz adianta que a Settra prevê a implantação, ainda neste ano, do programa "Pedestre na faixa: respeite", que terá como objetivo orientar e conscientizar pedestres para formas mais seguras de circulação. "Pretendemos, com essa iniciativa, mudar o comportamento dos juiz-foranos, pois queremos trabalhar de forma contínua. A expectativa é que, em um futuro muito breve, consigamos obter resultados mais concretos."

Atuando na educação para o trânsito desde 1991, a Transitolândia da Polícia Militar busca implementar a educação para o trânsito em crianças de 4 a 12 anos, para que elas recebam noções básicas sobre o tema. A ideia é que,, no futuro, venham a se tornar usuários conscientes e mais seguros sobre as regras de circulação.

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