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26 de Abril de 2014 - 06:00

Após Tribuna mostrar pontos de risco pela cidade, leitores reclamam de outros locais com sinalização precária

Por NATHÁLIA CARVALHO

Repórter

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O perigo na travessia de pedestres em Juiz de Fora pode ser encontrado em todas as regiões. No último dia 18, a Tribuna mostrou o risco que a falta da faixa pode provocar, principalmente em ruas movimentadas e com grande fluxo de veículos, como é o caso da Avenida Olegário Maciel, da Rua São Mateus e do Acesso Norte. Após a publicação, novas denúncias de pontos problemáticos foram feitas por leitores, desta vez nas zonas Sul e Sudeste. Basicamente, as cenas de perigo iminente se repetem. Enquanto carros têm trânsito livre, quem anda a pé precisa esperar a boa vontade de condutores ou se arriscar em faixas apagadas ou inexistentes para conseguir atravessar. Somente em 2013, 21 pessoas morreram após serem atropeladas no trânsito da cidade, número três vezes maior do que o do ano anterior.

Para checar a situação, a reportagem visitou outros quatro bairros na última quinta-feira. Um dos pontos críticos é a rotatória na interseção das avenidas Itamar Franco e Doutor Paulo Japiassu Coelho, em frente à Ascomcer, no Cascatinha, Zona Sul. No local, assim como acontece na rotatória das ruas São Mateus e Doutor Romualdo, o movimento é intenso e não há faixas. Para piorar, veículos transitam em alta velocidade. "Aqui é terrível, muito perigoso. Não tem sinalização nenhuma para nós, e vêm carros de todos os lados. Vejo situações de risco o tempo todo", comenta a estudante Jéssica Teodoro, que passa pelo ponto diariamente.

No local, existem comércios e hospitais, e assistir à cena de uma pessoa aguardando por longo período para conseguir chegar ao outro lado é algo corriqueiro. "Em horário de pico, é impossível atravessar", comenta um comerciante. Jéssica acrescenta que as travessias mais próximas estão localizadas há uma grande distância da rotatória, impossibilitando o uso para quem precisa trafegar ali. Segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), para cruzar a pista de rolamento, o pedestre deve tomar precauções de segurança, levando em conta fatores como visibilidade, distância e velocidade dos veículos, e utilizando sempre faixas que existam numa distância de até 50 metros.

Conforme explicou a chefe do Departamento de Engenharia de Tráfego da Settra, Silvania Rodrigues Oliveira, a rotatória do Cascatinha não é um ponto indicado para travessia. "Ali é muito perigoso, é dentro de uma curva e com baixa visibilidade. Aconselhamos que os pedestres procurem atravessar em locais mais seguros, utilizando, por exemplo, o passeio da Ascomcer em direção ao Independência Shopping", explica. Além disso, ela conta que existe um projeto de mudança na sinalização para aquele trevo, na tentativa de melhorar a circulação de veículos e pedestres.

 

Falta faixa até ao lado de ponto de ônibus

Também na Zona Sul, outro conflito envolvendo pedestres e carros foi denunciado por leitores. O problema ocorre na Rua Dom Silvério, próximo à esquina com a Rua Morais e Castro, no Bairro Alto dos Passos. No local, ao lado de um ponto de ônibus, existe uma faixa de pedestres. Entretanto, a sinalização está muito apagada. Ali, carros não dão a preferência de travessia e, por falta de opção, pedestres transitam em locais próximos que, apesar de não terem faixa de pedestres, oferecem menos risco. "A pintura da faixa praticamente não existe de tão gasta, e o interessante é que pintaram outras esquinas próximas no mesmo bairro", comentou um leitor.

A doméstica Helena Matias garante que atravessar ali é um exercício diário da paciência. "Os carros não param para a gente. É raro encontrar uma pessoa educada. Enquanto isso, somos obrigados a ficar esperando e, quando dá, atravessamos correndo." Um agravante presenciado pela reportagem acontece em horários de pico, quando o sinal para carros da Dom Silvério no cruzamento com a Avenida Rio Branco fecha, e uma longa fila de veículos se forma na rua. Com isso, os carros ficam parados em cima da faixa já quase inexistente, prejudicando ainda mais os pedestres.

Sobre este ponto, a chefe do Departamento de Engenharia de Tráfego da Settra, Silvania Rodrigues Oliveira, explica que uma equipe está realizando a revitalização da sinalização no Alto dos Passos e que irá permanecer por mais duas semanas no bairro. Sendo assim, a faixa apagada deverá ser recuperada nos próximos dias. Além desta região, a profissional explica que, neste momento, a pasta também está finalizando trabalhos de recuperação e de melhoria da sinalização horizontal e vertical nos bairros Benfica, na Zona Norte, e Bandeirantes, região Nordeste.

 

Avenida Sete sem opção de travessia

A Avenida Sete de Setembro, principal via do Costa Carvalho, na região Sudeste, recebe um fluxo intenso de veículos que querem acessar outros bairros da região ou pretendem seguir para o Centro. O local é formado por vários comércios e pontos de ônibus, e são muitos os cruzamentos com outras ruas. Apesar dessa condição, faixas de pedestres são praticamente inexistentes na avenida. Para conseguir atravessar, é necessário ter paciência e contar com a boa vontade de condutores. A Tribuna flagrou pedestres se arriscando em meio dos carros e esperando a diminuição do fluxo para seguir a caminhada. "Está impossível atravessar no local em horários de pico. A sinalização é muito precária", comentou um leitor.

A dificuldade também foi presenciada na Avenida Brasil, próximo à Ponte Wilson Coury Jabour Jr., na região central. A diferença é que no local existem faixas de pedestres, na margem Manoel Honório/Centro da via, contudo, a preferência não é respeitada. A situação demonstra que, mesmo quando há sinalização, ela é ignorada por condutores.

Com relação à Avenida Sete, a Settra admite que há poucos pontos com faixas de pedestres, mas que o trabalho no local depende da inauguração da Ponte Luiz Ernesto Bernardino Alves Filho, que está sendo construída próximo ao Clube Tupynambás, no Santa Tereza. "Faremos algumas alterações de circulação nas avenidas Brasil e Sete. Só depois de concluídas as obras é que saberemos avaliar como ficará o trânsito e quais serão os pontos seguros para travessia na via", explica a chefe do Departamento de Engenharia de Tráfego da Settra, Silvania Rodrigues Oliveira.

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