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10 de Junho de 2014 - 09:26

Operação "Athos", com 250 homens, foi realizada em 6 estados com apreensão de carros de luxo, aviões, dinheiro e drogas

Por Daniela Arbex, Sandra Zanella e Michele Meireles

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Nove carros estão entre os bens apreendidos no município durante a ação
Nove carros estão entre os bens apreendidos no município durante a ação
Depois de cumprir mandados, agentes encaminharam os presos para a sede da PF
Depois de cumprir mandados, agentes encaminharam os presos para a sede da PF
Aeronave modelo Cessna 182, de 4 lugares, também foi apreendida na cidade pela PF
Aeronave modelo Cessna 182, de 4 lugares, também foi apreendida na cidade pela PF
Além do avisão apreendido em JF, outra aeronave foi recolhida em Americana (SP)
Além do avisão apreendido em JF, outra aeronave foi recolhida em Americana (SP)
Policiais chegam à sede da Federal com documentos
Policiais chegam à sede da Federal com documentos
Presos foram encaminhados para o Ceresp no início da tarde
Presos foram encaminhados para o Ceresp no início da tarde

Atualizada às 22h15

A Polícia Federal desarticulou ontem um esquema milionário de tráfico de drogas internacional e lavagem de dinheiro, cuja base principal estava em Juiz de Fora. Dos 17 mandados de prisão cumpridos em seis estados brasileiros pela operação "Athos", 12  foram efetuados na cidade, levando para a cadeia empresários, um policial militar e um dos suspeitos de liderar o tráfico na Zona Leste da cidade. Entre os 12 homens detidos no município, quatro nomes foram confirmados pela Tribuna no sistema de entrada do Ceresp: os empresários Aurélio Salgado e Saulo Marion, além de Peterson Pereira Monteiro, conhecido como "Zói", um dos irmãos Metralha, e Jefferson José Azarias. Eles estão em prisão provisória desde às 14h de ontem. Já o sargento da PM Helber Pereira Machado, lotado no 21º Batalhão da PM em Ubá, está recolhido no 2º Batalhão de Juiz de Fora, em Santa Terezinha, onde ficará à disposição da Justiça Militar. Além deles, outros sete suspeitos foram para a unidade prisional, mas a reportagem não teve como confirmar no sistema, já que seus nomes estavam incompletos.  A expectativa é que todos os recolhidos no Ceresp sejam transferidos para Contagem.

  Além das prisões já efetuadas, novas detenções poderão acontecer nos próximos dias. Entre os materiais apreendidos nos seis estados estão dois aviões, diversos carros de luxo, lanchas, jet ski, entorpecentes, R$ 120 mil em espécie e uma pistola (ver quadro).

O delegado responsável pela operação, Paulo Henrique Barbosa, de Belo Horizonte, informou, por meio de assessoria, que o grupo era financiado por um núcleo com alto poder econômico e movimentava milhões de reais, através de dinheiro em espécie, doleiros e contas bancárias. Conforme nota divulgada pela Polícia Federal, a "lavagem desses lucros era feita por meio de empresas de transporte de passageiros de São Paulo e de comércio em geral. Além de documentos falsos, a quadrilha também contava com uma rede de tráfico de influência". O chefe da Polícia Federal na cidade, delegado Cláudio Dornelas, disse que os envolvidos agiam em Juiz de Fora há cerca de seis anos. Ele também destacou que esta é uma das maiores operações de combate ao crime organizado realizada na cidade. "O foco da investigação era Juiz de Fora, já que a base do grupo estava aqui, e as ramificações pelo país. Os detidos tinham ligação com o tráfico de drogas. Foram presos os braços financeiro, operacional e a gerência, que fazia a distribuição dos entorpecentes."

 

Refino

Em meio à realização da operação na cidade, foi descoberto um laboratório para refino de drogas no Bairro Santa Cruz, Zona Norte, com a apreensão de 375kg de maconha, seis quilos de cocaína, mais vasto material para refino e embalo da droga. Além deste material, a polícia apreendeu na cidade nove veículos de luxo, uma aeronave modelo Cessna 182, de quatro lugares, uma arma de fogo e dinheiro. Segundo Dornelas, há indícios de que o grupo de Juiz de Fora pode estar ligado à apreensão de cerca de 1,5 tonelada de entorpecente, entre cocaína, maconha e crack. O material foi recolhido em oito edições da operação "Invasão", desencadeada pela Federal de Juiz de Fora entre junho de 2013 e janeiro deste ano. 

A Superintendência de Polícia Federal, na capital mineira, informou, ainda, que "durante as investigações, identificou-se um núcleo responsável por financiar o tráfico de drogas gerido pelos investigados. A quadrilha, uma das principais distribuidoras de drogas do país, adquiria as mesmas na Bolívia e no Paraguai, trazendo-as de avião para o interior do Estado de São Paulo. De lá, a droga era distribuída pelo estado, além de Minas, Rio e região Nordeste."  A operação "Athos" vai continuar e novas diligências de investigação poderão ser efetuadas. 

Com relação à prisão do sargento da PM, a assessoria da 4ª Região da Polícia Militar informou que o policial passou por exame de corpo de delito no 2º Batalhão, em Santa Terezinha. A corporação afirmou que a Polícia Federal não informou a eles o motivo da detenção e que a PM vai adotar todos os procedimentos que o caso determinar. 

 

 

Megaoperação começou antes das 7h na cidade

 

Duzentos e cinquenta policiais federais foram mobilizados para a realização da manobra que ocorreu simultaneamente em Juiz de Fora, Belo Horizonte, Curitiba (PR), Brasília (DF) e São Paulo (SP). O trabalho foi iniciado na cidade antes das 7h, quando um condomínio de luxo localizado na BR-040 foi cercado por agentes. Outros endereços foram percorridos, resultando na efetivação das prisões pela manhã. Todos os detidos foram conduzidos para a sede da Polícia Federal, na Avenida Brasil. A maioria cobriu o rosto com toalhas ou blusas na tentativa de manter sua identidade em sigilo. Os depoimentos terminaram por volta de 13h30. 

Viaturas da Central Integrada de Escoltas do Sistema Prisional chegaram ao local para o transporte dos presos provisórios até o Ceresp, no Bairro Linhares, Zona Leste, onde os suspeitos deram entrada por volta de 14h. O diretor da unidade prisional, Giovane de Moraes Gomes, compareceu à sede da PF e acompanhou todo o trâmite para a condução dos envolvidos, que demorou mais de duas horas. O movimento também foi monitorado de perto por advogados. 

Entre os nove veículos recolhidos e levados para o pátio da PF na cidade estavam um Volvo XC60 e um Audi Q3. As equipes que atuaram no cumprimento dos mandados ainda recolheram malotes com documentos. A aeronave Cessna 182, prefixo PR-NLH, de quatro lugares, ficou apreendida na cidade. Antes de prender os envolvidos, a PF também trabalhou para desarticular o poderio econômico da quadrilha, já que valores e ativos depositados em instituições bancárias em titularidade de 28 CPFs e quatro CNPJs foram bloqueados. No total, houve o sequestro de pelo menos cinco aeronaves, quatro lanchas de luxo, um jet ski, 11 imóveis e 14 veículos. Os bens foram avaliados em cerca de R$ 70 milhões. No curso das investigações,16 pessoas já haviam sido presas. Nesse período, a PF apreendeu 594kg de cocaína (pasta base e cloridrato), cerca de uma tonelada e meia de maconha, uma pistola da marca Glock, calibre 380, munições, seis veículos, um caminhão, R$ 203.695 e U$ 390.228 (R$ 870.208,44). Ainda durante as investigações, outras 16 pessoas foram presas e uma detida.

Batizada de "Athos", a operação foi inspirada na mitologia grega e faz referência a uma batalha vencida por um gigante contra Zeus, o deus grego. O nome significa "aquele que nada teme", numa metáfora contra a sensação de impunidade dos investigados.

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