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26 de Dezembro de 2013 - 23:00

Por Daniela Arbex

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Em entrevista à Tribuna, na tarde desta quinta-feira (26), o prefeito Bruno Siqueira (PMDB) falou do temporal que arrasou parte da cidade no Natal. Além de lamentar a morte de uma moradora da Zona Norte, o chefe do Executivo afirmou que o trabalho de contenção de encostas, desenvolvido em 52 pontos do município, ajudará a evitar futuros deslizamentos. Na noite de 25 de dezembro, ele esteve na Defesa Civil para coordenar os trabalhos emergenciais e acionou secretários da administração. Nessa conversa, Bruno discutiu a dificuldade para realizar mais ações preventivas e comentou a incidência de buracos em Juiz de Fora.

 

Tribuna - Como a Prefeitura se preparou para enfrentar as chuvas de final do ano? A Administração foi pega de surpresa?

Bruno Siqueira - Realmente foi um volume muito acima do normal não só em Juiz de Fora, mas em toda a região Sudeste, haja vista a situação no Espírito Santo e em grande parte de Minas. No entanto, não fomos pegos de surpresa. A cidade sempre se preparou em relação às chuvas. A Prefeitura não conseguiu solucionar tudo, mas os maiores problemas foram resolvidos, como por exemplo o Rio Paraibuna, cuja barragem de Chapéu D'Uvas faz com que não ocorra aqui o que acontece em outros municípios: um alagamento generalizado. Além disso, estamos fazendo um trabalho de contenção de encostas. No Bairro Três Moinhos, onde há o risco de deslizamento, está sendo executada uma obra da Prefeitura de contenção de encostas. Estamos captando recursos para que, nos próximos anos, possamos continuar esse trabalho . Também fizemos a limpeza de praticamente todas as bocas de lobo, mas as pessoas acabam sujando. Há dois anos, uma empresa que executou obra no Cascatinha concretou uma boca de lobo. Infelizmente, alguns irresponsáveis acabam prejudicando várias famílias.

 

- Quais as principais ações que estão sendo desenvolvidas neste momento?

- A principal é o trabalho de contenção de encostas. Agora temos que fazer um projeto para captar recursos para melhorar a drenagem em alguns locais e já solicitamos um estudo específico do Bairro Industrial por estar abaixo do nível do Rio Paraibuna e apresentar problemas crônicos. Estamos tentando identificar uma solução.

 

- Por que a Prefeitura não faz as contenções necessárias antes do período das chuvas? Por que elas só ocorrem depois das tragédias?

- A grande concentração de recursos no Governo federal dificulta, não só em Juiz de Fora, mas em todas as prefeituras, a realização de obras no ritmo adequado. Tanto é que a presidente Dilma editou hoje (quinta-feira) uma medida provisória para liberar recursos que estão bloqueados, com dificuldades de serem gastos da forma adequada. No caso de Juiz de Fora, ocorreu esse planejamento, e começamos a execução de obras até em locais onde não houve problemas. Já há R$ 14 milhões licitados e em execução que vão beneficiar 1.422 famílias. Os trabalhos incluem não só os muros de contenção, mas drenagem, pavimentação, revegetação e obras complementares em 14 pontos de risco e nove bairros: Santa Tereza, JK, Três Moinhos, Ladeira, Santa Rita, Vila Fortaleza, Borboleta, Parque Guarani e Santa Cruz. Além dessas áreas já licitadas, entregamos à Caixa Econômica Federal o projeto para inclusão de mais 38 locais no valor de R$ 40 milhões, contemplando todas as áreas de risco mapeadas pela Defesa Civil até 2011. Será o maior pacote de obras de contenção da história da cidade.

 

- Em relação aos córregos, o que fazer para garantir mais segurança às famílias afetadas por constantes transbordamentos?

- Temos que pedir à população para não jogar entulho e lixo nos córregos. A Prefeitura vai continuar fazendo o trabalho de manutenção, mas se a população não ajudar isso acaba ocasionando entupimentos e, consequentemente, transbordamentos. Tem que haver um trabalho conjunto.

 

- Qual é a principal dificuldade para se fazer um trabalho de prevenção mais eficaz?

- No caso específico de Juiz de Fora, há 52 pontos que terão intervenção de encostas. Mas no Brasil inteiro há problemas ocasionados em períodos nos quais a chuva é muito forte. O trabalho da nossa gestão é diminuir a possibilidade de deslizamentos com essas ações de prevenção.

 

- Matéria recente, publicada pela Tribuna, mostrou que, na última década, as vítimas da chuva acabam retornando para as áreas de risco, sem que os locais sofram as intervenções necessárias pelo Poder Público para que haja mais segurança. Como reverter isso?

- O trabalho de contenção de encostas vai permitir que essas famílias possam retornar para seus locais com segurança.

 

- A malha asfáltica do município está comprometida há anos.O asfalto vem recebendo remendos sem intervenções capazes de garantir qualidade nas vias. O que o senhor está fazendo nesse sentido?

- Em Juiz de Fora, tanto a rede de água, quanto de esgoto não estão nas laterais da malha asfáltica. Com isso, a Cesama, por exemplo, tem que fazer um grande número de buracos para poder consertar a rede de água e fazer a recomposição do asfalto. No passado, muitas vezes, a recomposição não foi feita de forma adequada. Eu brigo muito para que isso não volte a acontecer. Para resolver definitivamente o problema, teria que fazer uma modificação em toda a rede de água pluvial, de esgoto, além de um novo recapeamento asfáltico. Esse é um gasto astronômico e um transtorno muito grande para a população. Estamos trabalhando bastante para que a recomposição asfáltica seja feita o mais rápido possível.

 

- A questão não é da falta de qualidade do asfalto?

- A qualidade do solo de Juiz de Fora também é ruim para a nossa camada asfáltica e tem o problema específico de reparos na rede de água. Isso acaba prejudicando a qualidade do asfalto na cidade.

 

- Tem como resolver?

- Tem como amenizar. A operação tapa-buracos é uma constante e estamos solicitando recursos para fazer um novo recapeamento asfáltico em várias partes do município. Executamos, através do Dnit, obras na Avenida Brasil. Também acordamos recentemente R$ 5 milhões para asfaltamento dos bairros Previdenciários, Nova Era I, Santa Lúcia, corredor de Santa Luzia, corredor de Santa Cruz, Milho Branco, corredor Centro/Bom Pastor e Poço Rico e corredor do Vitorino Braga. Dessa forma, vamos recompondo o asfalto na cidade no decorrer do tempo.

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