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31 de Janeiro de 2014 - 07:00

Por Marcos Araújo

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Com um saldo de sete homicídios em seis dias, o cenário da violência em Juiz de Fora, no início do ano, começa a ter contornos preocupantes, tanto para a população, quanto para as autoridades de segurança pública. Desde a última sexta-feira, dia 24, até a quarta-feira passada, dia 29, sete pessoas perderam a vida de forma brutal. Levando-se em conta o período desde o início de janeiro, já foram 13 assassinatos. Em igual período do ano passado, foram 14 registros de mortes violentas, enquanto, em todo o ano de 2013, foram 139. Diante desse quadro que se configura, a Polícia Militar, pensando de forma preventiva, aumentou o foco nas abordagens das motocicletas, veículo que tem sido o mais utilizado para a prática de assassinatos, tentativas de homicídios e roubos. A corporação também já busca outras estratégias para enfrentar o desafio de interromper a escalada dessas modalidades criminosas.

De acordo com o comandante interino da 4ª Região de Polícia Militar de Juiz de Fora (4ª RPM), tenente-coronel Moisés Ricardo Pinto, a corporação trabalha com o propósito de tentar evitar a eclosão de homicídios. "Percebe-se uma intolerância grande na maioria dessas execuções, com envolvimento de gangue e por dívida de tráfico de drogas. Neste sentido, percebemos que as pessoas estão fazendo justiça com as próprias mãos, quase que num cenário de se perder a noção de civilidade", analisa o oficial, acrescentando que a situação é preocupante e que os números não são confortáveis para a corporação. Ele assevera que todos os trabalhos de prevenção vêm sendo feitos, convergindo para as patrulhas de prevenção a homicídio. O comandante exemplifica que, no caso da área de responsabilidade do 2º Batalhão, há um grupo especializado para redução em ambientes mais críticos, como a região da Vila Olavo Costa, na Zona Sudeste, que se apresentava como zona de maior incidência no final do ano passado. "Lá, esse trabalho deu resultado. Hoje percebemos que não há uma concentração de homicídios em regiões determinadas. Temos um polvilhamento, algumas questões que têm que ser analisadas, novos cenários que não eram passivos de crise, como a Cidade Alta, e a região de Santa Luzia (Zona Sul). Nesse sentido, vamos fazer nova reavaliação do trabalho. Ver o que pode ser mudado, para traçar novas estratégias para dar uma sequência de tentar impedir o aumento da massa criminal, como vem acontecendo."

O tenente-coronel Moisés argumenta que já foi possível perceber a utilização das motocicletas nos crimes. "É uma questão complexa, que envolve o uso desses veículos, com chegadas eventuais em determinados momentos e saídas rápidas. Já adotamos, nas áreas do 2º Batalhão e do 27º, a abordagem constante e com mais incidência nas motos, pois esse tem sido um veículo extremamente crítico para a PM, utilizado na maioria dos crimes, seja nos roubos, homicídios e tentativas de homicídios", afirmou o tenente-coronel, que completou: "Inúmeras apreensões já foram feitas, mas o resultado ainda não surtiu efeito. Por isso, temos que mudar nossa estratégia e estudar o cenário que teremos a partir de agora. A PM também espera que seu efetivo seja reforçado com a substituição de 44 policiais por concursados de outras áreas no setor administrativo. Com a realização do concurso para assistente administrativo da PM, realizado em meados de 2013, policiais que hoje atuam na área administrativa serão transferidos para funções operacionais.

 

Drogas

A retirada de drogas de circulação, em parceria com as polícias Federal, Rodoviária Federal e Civil, também faz parte das ações para tentar barrar a onda violência, como na ação conjunta que resultou na apreensão de 122kg de cocaína, na operação "Invasão", divulgada no último dia 28. Para o tenente-coronel Moisés, a integração entre as polícias é importante, porque resulta em ações positivas, com a finalidade de retirar entorpecente das ruas. Segundo ele, a droga serve de origem para homicídios, tentativas de homicídios e roubos, e, ao ser tirada de circulação, contribui para diminuir o índice de criminalidade.

 

 

Execução caracteriza crime contra jovens

Das 13 vítimas de mortes violentas em Juiz de Fora, neste mês de janeiro, seis estavam na faixa etária dos 18 a 35 anos. Como ano passado, elas são a maioria nesta modalidade criminosa. De acordo com o diretor do Centro de Pesquisas Sociais da UFJF, Paulo Fraga, estudos apontam que, nesta faixa etária, os crimes se caracterizam como execução, com as vítimas sendo baleadas, sem que nada seja roubado. Como no caso registrado em 5 de janeiro, quando um jovem de 18 anos foi assassinado a tiros.

Já quando se trata de um homicídio envolvendo pessoa com mais de 40 anos, a motivação estaria ligada a desavenças, assaltos e outras razões. "É preciso caracterizar as vítimas, para pensar políticas públicas a fim de evitar os crimes de acordo com os perfis delas. É preciso traçar ações diferenciadas, para tratar esses crimes. As mulheres precisam de medidas diferentes daquelas voltadas ao homem. É necessário distinguir iniciativas para enfrentar o crime contra os jovens, contra os velhos. Além disso, pensar em resultados a curto, médio e longo prazos", pontua o especialista, lembrando que dados estatísticos só têm valor se o Poder Público souber usá-los para enfrentar a criminalidade.

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