Publicidade

15 de Abril de 2014 - 07:00

Filha de ex-prefeito foi encontrada sem vida em sua residência; caso está sendo tratado como suicídio

Por Sandra Zanella e Marcos Araújo

Compartilhar
 

O titular da 6ª Delegacia de Polícia Civil, Rodrigo Rolli, informou nesta segunda-feira (14) que vai aguardar o laudo do exame de necropsia de Tatiana dos Santos Bejani, 28 anos, e do levantamento de local feito pela perícia, na casa onde ela morava e foi encontrada morta, para concluir o inquérito que apura a morte da filha do ex-prefeito de Juiz de Fora Carlos Aberto Bejani. Diligências preliminares também foram instauradas para apurar o caso. Conforme o delegado, as primeiras informações colhidas no imóvel onde a moça foi encontrada dão conta de que não houve violência no lugar e que, por isso, o caso está sendo tratado como suicídio. Ainda por meio da assessoria de comunicação do 4º Departamento de Polícia Civil, o delegado disse que o laudo de necropsia costuma ser concluído entre 20 e 30 dias após o exame, mas ele afirmou estar tentando redução desse prazo.

Tatiana chegou a ficar presa recentemente, na Penitenciária Ariosvaldo Campos Pires, e indiciada por estelionato porque, por meio da internet, oferecia locação de casas de veraneio inexistentes no litoral do Rio de Janeiro. Ela havia sido capturada no dia 22 de janeiro em um salão de beleza no Centro, por meio de mandado de prisão, mas já havia deixado a unidade prisional. Atualmente cumpria pena restritiva de direito e prestação de serviço à comunidade por estelionato contra uma joalheria em 2007. Ela foi encontrada sem vida, no final da tarde de domingo, dentro da casa onde residia no Bairro de Lourdes, Zona Sudeste do município. De acordo com informações da Polícia Militar, por volta das 17h, o companheiro dela, um taxista de 32 anos, acionou a PM e disse ter chegado à residência e visto a mulher já sem vida, dependurada por uma corda feita com lençol enrolada ao pescoço e presa à porta de um quarto. Próximo ao corpo, havia um banco de plástico.

Ainda conforme o registro policial, o homem revelou ter recebido uma mensagem de Tatiana pelo celular na qual dizia que iria se matar. O texto teria sido enviado por volta das 13h de domingo, mas ele só teria lido o mesmo pouco antes das 17h, porque o celular havia sido esquecido em um táxi. Ao chegar no endereço da companheira, ela não respondeu aos seus chamados, e o taxista entrou no imóvel usando uma chave que ficava na janela.

Peritos da Polícia Civil estiveram na casa de Tatiana realizando os levantamentos e encontraram cartelas de remédios vazias, sugerindo que os medicamentos podem ter sido ingeridos por ela. Uma carta na qual ela assumia a intenção de se matar também foi achada pelos policiais. A ocorrência foi registrada pela PM como suicídio, e o corpo foi encaminhado para necropsia no Instituto Médico Legal (IML). O exame foi realizado na manhã desta segunda e deverá apontar a causa da morte. A filha do ex-prefeito foi velada e sepultada à tarde no Cemitério Municipal. O sepultamento estava marcado para as 15h, mas foi antecipado para as 14h e contou com a presença de Alberto Bejani.

 

 

Bejani se diz abalado com morte trágica

Por telefone, o ex-prefeito Alberto Bejani falou à Tribuna que está muito abalado com a perda de filha de forma tão trágica. "Como qualquer pai, fomos criados e orientados com o sentimento de que nós vamos na frente do filho e, quando acontece o contrário, é uma dor muito forte", desabafou. Ele disse que recebeu a notícia sobre o suicídio de Tatiana, por meio de ligação telefônica e ficou muito amargurado. "Só vamos entender o que realmente aconteceu após a conclusão das investigações da polícia, mas estou muito intrigado: como uma moça usa um lençol e faz uma corda conhecida como "teresa", toma diversos calmantes e se pendura em uma porta, dorme e morre? Não estou culpando ninguém, mas não estou convicto de um suicídio. Na verdade, é como se isso tudo fosse um conto. Ou parece que ela inventou uma nova forma de suicídio."

Bejani afirmou que conversou com Tatiana pela última vez na sexta-feira, quando ele estava em Belo Horizonte. Nessa conversa, combinou com a filha que a encontraria nesta quarta-feira. "Infelizmente esse encontro não pôde acontecer. Ela pode ter cometido erros, mas é minha filha. Nessa hora, busco as palavras da Bíblia: quem não tem pecados que atire a primeira pedra." Sobre a filha de Tatiana, uma garota de 4 anos, Bejani afirmou que a criança deverá ficar com o pai e com os avós paternos. "Mas nossa porta está aberta para essa criança, é minha neta, e não vamos deixar de ampará-la."

Na rede social, a advogada Carla Oliveira Bejani, lamentou a perda da irmã Tatiana. "Bom, como começar uma coisa assim, mas acho que Deus sabe o que faz. Meus amigos sabem que não tinha contato com minha meia irmã Tatiana dos Santos Bejani, que, em vários momentos, vim ao Facebook me manifestar sobre as coisas erradas que ela andava fazendo. Mas como cristã, e amor ao próximo, estou sentindo a morte dela hoje. Ela se suicidou, deixou uma menina de 4 anos", diz o texto da advogada, que comenta, em outras postagens na rede, que chegou a ser confundida com a irmã por algumas pessoas lesadas. "Infelizmente errou muito na vida, mas quem somos nós para julgarmos. Que ela possa encontrar o amor que nunca alcançou. Vá em paz", finaliza Carla.

Publicidade

Publicidade

Mais comentários

Ainda não é assinante?

Compartilhe

Publicidade

Encontre um tema na

Pesquisa

Edição impressa

Enquete

Você acha que a realização de blitze seria a solução para fazer cumprir a lei que proíbe jogar lixo nas ruas?