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12 de Junho de 2014 - 07:00

Agentes cumprem mandados de busca e apreensão em imóveis de juiz da Vara de Execuções Criminais

Por Daniela Arbex e Michele Meireles

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Após busca e apreensão em apartamento, juiz seguiu com agentes e juiz corregedor para granja
Após busca e apreensão em apartamento, juiz seguiu com agentes e juiz corregedor para granja
Veículo Camaro branco avaliado em cerca de R$ 200 mil foi apreendido
Veículo Camaro branco avaliado em cerca de R$ 200 mil foi apreendido
Maconha, cocaína e insumos para preparo da droga foram encontrados na casa usada por um dos presos
Maconha, cocaína e insumos para preparo da droga foram encontrados na casa usada por um dos presos
Ponto onde droga era refinada foi estourado na última terça-feira
Ponto onde droga era refinada foi estourado na última terça-feira

A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em dois imóveis do juiz da Vara de Execuções Criminais, Amaury de Lima e Souza, localizados no Bairro Alto dos Passos e no Graminha, ambos na Zona Sul.A ação foi realizada após autorização do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). No Sítio Santa Rosa, no Graminha, que teve movimentação intensa de policiais federais até o início da madrugada, foram apreendidos vários materiais, ainda não divulgados, e um veículo Camaro branco avaliado em cerca de R$ 200 mil. Mais cedo, em reunião realizada com 25 desembargadores, na capital mineira, foi decidido o afastamento do magistrado da função. A previsão era que Amaury fosse para Belo Horizonte, onde deveria ser apresentado ao TJMG. A defesa disse que essa audiência seria apenas para esclarecimento. No entanto, até o início da madrugada, ele ainda não havia deixado a granja.

Na véspera, a Polícia Federal já havia realizado a operação "Athos", que levou para a cadeia 12 pessoas da cidade  por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Na manobra desta quarta, agentes federais cumpriram os mandados e entraram no apartamento onde estava o magistrado, na Rua Morais e Castro, antes das 18h. Eles estavam com o juiz auxiliar da Corregedoria de Belo Horizonte, Sérgio André da Fonseca Xavier, que veio à cidade para acompanhar o caso. 

Depois de quase uma hora no local, os policiais foram para a granja. Amaury seguiu com o grupo e, antes, na saída do prédio, disse que não poderia dar informações à Tribuna. Já no Graminha, policiais federais fizeram uma varredura. 

Um dos braços da investigação da Polícia Federal apura a ligação do juiz com a advogada Andrea Elizabeth Leão Rodrigues, presa na operação "Athos". Informações obtidas com exclusividade pela Tribuna indicam que, há pouco mais de dois meses, a advogada deu entrada em um hotel da cidade no mesmo dia e horário que um homem condenado por tráfico de drogas em Fortaleza (CE). Transferido para Juiz de Fora por Amaury, o sentenciado deveria estar em prisão domiciliar, mas foi filmado no estabelecimento onde consta seu registro como hóspede. No mesmo dia e local, Andrea também foi vista conversando com Peterson Pereira Monteiro, o "Zói", um dos irmãos Metralha, outro preso na "Athos" (ver quadro). Mais tarde, o magistrado se encontrou com a advogada no saguão do estabelecimento, seguindo ao lado dela para a garagem. O encontro durou menos de três minutos. 

 

Transferência

Além da busca e apreensão nos endereços de Amaury, parte das 12 pessoas detidas provisoriamente no município durante a operação "Athos", uma das maiores já deflagradas pela Polícia Federal no país, foram transferidas nesta quarta para a Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem. A advogada Andrea está em outro complexo. O grupo detido é suspeito de participar de um esquema milionário de tráfico de drogas internacional e lavagem de dinheiro. Além de Juiz de Fora, a operação incluiu as cidades de Belo Horizonte, Curitiba (PR), Brasília (DF) e São Paulo (SP). Ao todo, foram decretados 22 mandados de prisão, sendo 17 deles cumpridos. No total, 18 carros foram apreendidos, duas lanchas e dois aviões, um deles mantido em Juiz de Fora. No Facebook, há fotos de um dos presos junto ao avião que está apreendido na cidade sob a responsabilidade da Polícia Federal.

 

Laboratório pertencia a um dos presos

 

A Polícia Federal apresentou, na tarde desta quarta, o material que havia sido apreendido em um laboratório de refino, localizado no Bairro Santa Lúcia, Zona Norte. O local foi estourado no primeiro dia da operação "Athos". 

Segundo o chefe da delegacia da cidade, delegado Cláudio Dornelas, chamou a atenção a quantidade de insumos e ferramentas utilizadas no imóvel. De acordo com ele, o fato sugere que, no espaço,era feito o refino de grande quantidade de entorpecente. "O local era de propriedade de um dos presos, que, além do mandado de prisão, foi autuado em flagrante. Com ele, também encontramos uma pistola Walter 765", comentou. 

De acordo com a Polícia Federal, foram apreendidos 196 tabletes de maconha, que somam 270kg, cerca de 7kg de cocaína e 34kg de insumos. Além disso, agentes recolheram cinco macacos hidráulicos, prensa, fogões, liquidificadores, moedor de fermento, forno micro-ondas, diversas bacias plásticas e vasto material para embalar os tóxicos.  "O estouro deste laboratório demonstra que, além de o grupo distribuir droga na cidade e região, também fabricava o entorpecente", finalizou.

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