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14 de Fevereiro de 2014 - 07:00

Nove pessoas foram detidas, e drogas, munições, balança de precisão e motos que teriam sido usadas em crimes, apreendidas

Por Sandra Zanella

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Ação social foi realizada durante operação
Ação social foi realizada durante operação

As polícias Civil e Militar desencadearam nessa quinta-feira (13) mais um edição da operação "Impacto", com o objetivo de cumprir 28 mandados de busca e apreensão e quatro de prisão para capturar suspeitos e frear a criminalidade no município, que já acumula 22 mortes violentas este ano. Logo no início da manhã, mais de 120 policiais, sendo 90 deles militares, se espalharam por várias regiões da cidade. No São Benedito e Vila Alpina, Zona Leste, tiros e fogos de artifício surpreenderam a polícia. O helicóptero Pégasus sobrevoou a área, mas nenhum suspeito de disparar e lançar os artefatos foi localizado. No total, nove jovens foram conduzidos para a 1ª Delegacia Regional, a maioria com idades entre 19 e 21 anos. Três deles já tinham a prisão preventiva decretada por envolvimento em homicídios e tentativas de assassinatos. Os outros seis foram detidos em flagrante por delitos como tráfico e posse ilegal de munições. De acordo com a Polícia Civil, dos nove detidos, três assinaram Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e foram liberadas. Os outros seis foram encaminhados ao Ceresp. Também foram recolhidas porções de drogas diversas, munições, balança de precisão e motos que teriam sido usadas em crimes violentos contra a vida.

"Nosso objetivo é dar uma resposta a essa eclosão de homicídios em Juiz de Fora", enfatizou o comandante do 27º Batalhão da PM, tenente-coronel Moisés Ricardo Pinto. Embora grande parte dos assassinatos de 2014 tenha sido cometida com uso de revólveres ou pistolas - apenas um dos óbitos foi ocasionado por facadas, e outro por golpes de caco de vidro e pedradas -, nenhuma arma de fogo foi apreendida. Para o tenente-coronel Moisés, isso reforçou, mais um vez, a suspeita de que as armas circulam de mão em mão e não ficam apenas na posse de um criminoso, o que dificulta a apreensão dos armamentos. "Tínhamos a expectativa de encontrar revólveres e pistolas usados em homicídios e tentativas, mas a impressão que temos é de que essas armas transitam entre as pessoas."

A delegada regional, Sheila Oliveira, considerou positivo o balanço da operação "Impacto". "Nosso principal objetivo foi realizar esse trabalho integrado para fazer a prisão de pessoas envolvidas em crimes de homicídio. Três dos presos encaminhados ao Ceresp estavam com mandados de prisão por envolvimento em homicídios tentados e consumados."

 

Tiros e fogos

A ousadia de criminosos do São Benedito e Vila Alpina, que chegaram a efetuar disparos e soltar fogos de artifício, em uma suposta tentativa de avisar terceiros sobre a presença de policias na região, está sendo apurada pelo Serviço de Inteligência da PM, conforme informou quinta o comandante do 2º Batalhão, tenente-coronel Renato Sampaio Preste. "O Serviço de Inteligência já tem informações, e vamos ampliá-las para identificar os envolvidos." Segundo ele, nenhum tiro foi disparado diretamente contra policiais ou viaturas, e ninguém ficou ferido. "Parece que foram feitos mais no sentido de avisar a chegada da polícia", concluiu. Além do helicóptero, militares do Grupamento de Ações Táticas Especiais (Gate) deram apoio no local.

Só nesses dois bairros da região Leste e na Vila Olavo Costa, Zona Sudeste, quatro pessoas foram presas no cumprimento de seis mandados de busca, que resultaram na apreensão de uma carabina de pressão, 27 papelotes de cocaína, um tablete de maconha e R$ 5.070 em dinheiro. Uma das prisões aconteceu em decorrência de crime ambiental, após a localização de um pássaro coleiro mantido em cativeiro sem a autorização do Ibama. Já no Parque das Torres, Zona Norte, um jovem foi flagrado com duas munições calibre 38 e uma pedra de crack, além de materiais para embalagem de entorpecentes. No São Judas Tadeu, mesma região, dois rapazes foram presos, e duas munições calibre 38 e três buchas de maconha apreendidas. A manobra também foi desencadeada em outros bairros como Santa Luzia, Zona Sul, Caiçaras, Cidade Alta, Vila Esperança e Parque das Águas, região Norte, e Santa Cândida, Zona Leste.

"Todas as áreas da cidade foram vistoriadas, mas os locais onde ocorreram homicídios e tentativas (de assassinato) recentemente tiveram prioridade", disse o tenente-coronel Moisés. Conforme ele, a operação continuou durante todo o dia, com blitze nos principais corredores de tráfego e pontos estratégicos. Ainda segundo o comandante, o foco principal foi a abordagem a motocicletas, tipo de veículo mais utilizado em crimes violentos, como roubos e mortes violentas.

 

 

Durante 'Impacto', PM leva música a crianças na Olavo Costa

Em meio a ações repressivas, com o cumprimento de mandados e prisões, uma atividade dentro da operação "Impacto" chamou a atenção: policiais militares, junto com a banda do 2º Batalhão, conseguiram reunir mais de 200 crianças, com idades entre 7 e 12 anos, na sede do Curumim da Vila Olavo Costa, Zona Sudeste. Os alunos da instituição e de mais de três escolas públicas da região se divertiram com as músicas, brincadeiras e ainda receberam orientações relacionadas a drogas e violência. Segundo o comandante do 2º Batalhão, tenente-coronel Renato Preste, a iniciativa partiu da ideia de realizar uma ação social, que pode render bons frutos no futuro, ao mesmo tempo em que a criminalidade atual é combatida.

Presente no evento, o comandante da 135ª Companhia da PM, capitão Marcelo Monteiro de Castro, reforçou: "Estamos tentando fazer a diferença. Além da repressão ao tráfico e crimes mais graves, também estamos conseguindo dar uma resposta à questão social. Essa interação é importante para prevenir drogas e a violência, valorizando profissionais da educação. Esse trabalho de polícia comunitária também visa a aproximar os policiais dessas crianças, que serão nossos adultos de amanhã."

Moradora da Olavo Costa há mais de 30 anos, a auxiliar de serviços gerais Maria Aparecida Custódio Valério, 54, mostrou satisfação com a presença da PM. "Acho muito importante essa aproximação para as crianças não acharem que a polícia só vem ao bairro para prender." Mãe de três filhos, ela demonstra orgulho em ter conseguido manter os homens, de 23, 24 e 30 anos, longe da violência. "Sou abençoada. Um dos meus filhos foi educado aqui (no Curumim) e hoje é educador. Só porque moramos em bairro pobre não quer dizer que não temos direito de estudar."

 

 

2º Batalhão define triângulo para atuação no Centro

Dentro das ações de combate à criminalidade, há duas semanas o 2º Batalhão da Polícia Militar está com novas estratégias de atuação no Centro. Segundo o comandante da unidade, tenente-coronel Renato Preste, por meio de levantamentos, foi traçado uma espécie de triângulo, compreendido entre a Rua José Calil Ahouagi, Praça dos Três Poderes e Mergulhão, onde estão sendo concentrados os esforços para conter delitos. "Estamos desenvolvendo ações de repressão qualificada nessa triangulação, onde há uma cifra de ocorrências ligadas a crimes violentos."

Ainda de acordo com o tenente-coronel Preste, frequentadores dessa região também estariam migrando para outras partes da cidade a fim de cometerem atividades criminosas. Conforme ele, a concentração de usuários de drogas nessa área pode estar ligada ao cometimento de furtos e roubos. Para trazer de volta a segurança na região, ele destacou o empenho de uma Base Comunitária Móvel na Calil Ahouagi, além do policiamento constante, com apoio de viaturas da 3ª Companhia de Missões Especiais (CME), como Gate, Rotam, canil e cavalaria.

Matéria publicada pela Tribuna domingo mostrou que o Centro da cidade, por onde circulam cerca de 150 mil pessoas por dia, registra a maioria dos assaltos a pedestres, com destaque para o Mergulhão e o Parque Halfeld. "Nesse triângulo que traçamos, os roubos a pedestres não são maioria, há também furtos e crimes de tráfico", ponderou o comandante.

 

 

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