Publicidade

05 de Abril de 2014 - 07:00

Embates entre gangues rivais são frequentes nos fins de semana e têm feito movimento do comércio do entorno cair; população cobra mais policiamento

Por Michele Meireles

Compartilhar
 

Um local que deveria ser de lazer está se tornando sinônimo de insegurança. As frequentes brigas entre grupos rivais na Praça 31 de Maio, no Bairro Alto dos Passos, Zona Sul, vêm afugentando frequentadores e fazendo cair o movimento no comércio aos finais de semana no entorno do espaço público. Além das brigas, denúncias dão conta de que a praça tem sido utilizada para venda e consumo de entorpecentes e consumo exagerado de bebida alcoólica por adolescentes. O estopim aconteceu na noite do último sábado, quando comissários de Justiça foram recebidos a garrafadas por jovens que estavam local. O temor de comerciantes e residentes da região é de que a situação fuja do controle e a violência gratuita passe a acontecer também durante a semana. A cobrança da maioria é por mais policiamento.

Na briga do último sábado, registrada em vídeo pelo leitor Filipe Freitas (ver abaixo), jovens aparecem jogando objetos contra comissários. Um dos suspeitos é imobilizado no chão pelo agente, enquanto um dos comissários é visto com um cassetete, instrumento de uso proibido para a categoria. A confusão se estende para o outro lado da rua, é possível ver agentes e garotos correndo em meio aos carros.

Conforme o gerente de uma lanchonete, que pediu para não ser identificado, casos como o ocorrido no último sábado vêm se tornando comuns no espaço, e as brigas estariam sendo combinadas pelas redes sociais. Geralmente, elas acontecem nas noites de sexta-feira e sábado. Para não perder mais clientes, a empresa precisou contratar um segurança para tentar inibir ações criminosas. "Depois que um jovem ensanguentado entrou aqui, fugindo de uma briga, tivemos que contratar segurança. Nos fins de semana, era quando tínhamos um movimento maior. Agora, com estas confusões, já tivemos uma queda nas vendas. É triste ver o que vem acontecendo." Segundo ele, houve disparos de arma de fogo em três episódios ocorridos em fevereiro.

Enderson Pereira é proprietário de um bar que fica em frente à praça. De acordo com o comerciante, a concentração dos grupos começa por volta das 20h, e os embates acontecem entre 21h e 22h. "Está tendo confusão aqui quase todo fim de semana. Quando começa a confusão, os clientes vão embora. É prejuízo pra nós, sem contar o medo de que a briga chegue aqui dentro", afirmou, acrescentando que é preciso mais policiamento para inibir os casos. Ele afirmou que o bar teve que baixar as portas em uma das brigas.

Um frentista do posto de combustível que fica nas proximidades ressaltou que, em uma briga ocorrida em março, um motorista que passava acabou ferido por estilhaços de vidro. Dois ambulantes que trabalham no entorno lamentaram. "Aqui era muito tranquilo. Agora está difícil, eu trabalhava até 1h, 2h da madrugada. Agora tenho ido embora cedo, prefiro ter prejuízo que me expor a riscos."

A preocupação com os episódios violentos se estende para a Rua Morais e Castro. Segundo vendedores e proprietários de lojas, um tumulto envolvendo diversos jovens já acabou dentro do shopping. "Nunca sabemos o que pode acontecer, principalmente aos sábados, ficamos apreensivos. Além disso, preciso passar perto da praça para pegar ônibus", disse a vendedora de uma loja de roupas. A esteticista Joana Assis, moradora da Rua Dom Silvério, contou que fica temerosa nos fins de semana. "Sempre gostei de passear por aqui, mas tem ficado complicado. São muitos jovens que se reúnem aqui para brigar, e, na fuga, podem ir para qualquer lugar."

 

Consumo exagerado de bebidas e drogas

Além das confusões envolvendo os jovens, comerciantes e residentes denunciaram que é comum flagrar adolescentes consumindo bebida alcoólica na Praça 31 de Maio, no Alto dos Passos. Alguns afirmam ainda que há venda de entorpecentes no local. "É difícil controlar. Há adultos que compram bebidas alcoólicas para os adolescentes, e vira isto. O que precisa é de mais controle das autoridades", disse um lojista.

No último sábado, quando os comissários foram hostilizados, eles estavam averiguando as irregularidades. Conforme o coordenador do Comissariado de Menores, Maurício Gonçalves Alvim, os 35 agentes da cidade concentram as fiscalizações em festas fechadas. Do total, 17 são efetivos, ou seja, funcionários da Vara da Infância e Adolescência, já os outros 16 são voluntários, escolhidos entre cidadãos juiz-foranos que se candidatam para apoiar a fiscalização. No dia do episódio a equipe era formada por sete comissários. "Temos um número reduzido de comissários para atuarmos em ambiente abertos, como praças. Com poucos agentes, é impossível. É preciso que sejam feitas operações conjuntas com as polícias, e costumamos realizar estas ações."

No vídeo do leitor, é possível ver um dos jovens imobilizados no chão da praça por três agentes, enquanto isso, outros arremessam garrafas. Um dos comissários usa um cassetete, o que, segundo a Vara da Infância e da Juventude, é proibido. Segundo pessoas que presenciaram a briga, os agentes também teriam agredido pessoas. "Um rapaz estava usando droga, os comissários viram e deram voz de prisão. O jovem reagiu, e três comissários começaram a agredi-lo, o pessoal revoltou e começou a tampar garrafas e mais garrafas", disse um leitor. Maurício Alvim disse que o uso de cassetetes e as supostas agressões serão investigadas.

 

Comunidade reivindica volta do POV

Apesar dos relatos de rixas constantes pelos comerciantes do entorno, a Polícia Militar fez apenas um boletim de ocorrência de confronto este ano no local. Segundo os lojistas, a explicação para a falta de registro é que, quando os policiais chegam, a confusão já dispersou. A Tribuna esteve na área e conversou com moradores e comerciantes. O pedido por mais segurança é uma demanda antiga. Em outubro passado, cerca de 20 comerciantes e moradores do bairro realizaram uma lavação simbólica do Posto de Observação e Vigilância (POV) que fica na Rua Morais e Castro. A ação teve como objetivo chamar a atenção das autoridades para a segurança na região e pedir que o posto policial seja reativado. A reivindicação é que um policial seja mantido em tempo integral na estrutura, para tentar reduzir a violência na área. "Não adianta uma viatura passar aqui às 19h e ir embora. Precisamos de policiamento ostensivo, a volta do POV, ou então, a permanência de um PM aqui iria inibir estas confusões", defendeu o dono de uma lanchonete.

O assessor de comunicação interino do 27º Batalhão, tenente Iuri Straus, afirmou que, segundo levantamento, no último trimestre, foram realizadas 23 operações repressivas e preventivas na Praça 31 de maio, e houve quatro solicitações de atendimento de rixas no local. De acordo com os dados, somente uma dessas solicitações foi confirmada, no dia 28 de fevereiro. "O crime de rixa é uma modalidade complexa e que ocorre e se exaure subitamente, muitas vezes antes da chegada da guarnição policial onde se deu o fato. Realmente nos fins semanas há uma grande concentração de pessoas, principalmente adolescentes oriundos de diversos bairros." O assessor pontuou que há patrulhamento constante na praça e no entorno.

Publicidade

Publicidade

Mais comentários

Ainda não é assinante?

Compartilhe

Publicidade

Encontre um tema na

Pesquisa

Edição impressa

Enquete

Você está fazendo pesquisa de preços para controlar o orçamento?