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22 de Janeiro de 2014 - 07:00

Bombas de efeito moral foram usadas para entrada de agentes no local

Por Sandra Zanella

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Cela do Ceresp foi cercada com colchões
Cela do Ceresp foi cercada com colchões

Uma bomba de efeito moral foi usada por agentes penitenciários em um dos corredores do Ceresp para conter um tumulto em uma das celas, no início da manhã desta terça-feira (21), no Bairro Linhares, Zona Leste. O barulho do artefato e o alvoroço dos detentos deixaram apreensivos parentes de acautelados na unidade, já que muitos familiares aguardavam do lado de fora para entregar sacolas, com alimentos e outros produtos, destinadas aos presos. O diretor do Ceresp, Giovane de Moraes Gomes, esclareceu que ninguém ficou ferido. Segundo ele, o procedimento foi realizado depois de presos terem tampado a grade de uma unidade com colchões. Como no meio prisional a atitude é conhecida quando um grupo pretende espancar um colega de cela, o Grupo de Intervenção Rápida do Centro de Remanejamento entrou em ação e tentou desfazer a "proteção". No entanto, houve resistência em permitir o acesso dos agentes, que optaram por lançar a bomba de efeito moral.

"A bomba foi usada na frente da cela para dispersar os presos, que forçavam os colchões contra a grade", explicou o diretor. Ainda conforme ele, o "disfarce" feito com os colchões na realidade estava acobertando a embalagem de drogas. "Não era espancamento, como pensamos." No interior da cela foram apreendidas 20 buchas de maconha, que chegam a ser comercializadas por R$ 100 no interior da unidade, dois carregadores de celular artesanais, uma serrinha usada supostamente para fracionar o entorpecente, além de um chuço, espécie de arma artesanal feita por presos. Desta vez, o instrumento foi confeccionado a partir de uma vergalhão que teria sido retirado da própria laje da cela.

Segundo Giovane, a unidade onde houve o problema estava com 20 detentos. Um deles assumiu a posse da droga e outros cinco também poderão ser penalizados. "Normalmente, são 30 dias de punição, e o juiz é comunicado para que tome as providências cabíveis. Provavelmente terão seus regimes regredidos pelo crime de tráfico." A suspeita é de que o entorpecente chegou às mãos de um acautelado durante a visita de parentes no final de semana. Apesar das revistas rigorosas, materiais ilícitos acabam entrando escondidos no corpo de visitantes, como drogas e celulares. "Nossa tolerância é zero com celulares, drogas e espancamentos." De acordo com o diretor, o recebimento das sacolas levadas por familiares prosseguiu após o episódio.

 

Superlotação

Nesta terça-feira, o Ceresp abrigava 930 presos, praticamente o triplo da capacidade, de 332 detentos, segundo dados da direção. Diante da superlotação, recursos estão sendo buscados junto a empresários e ao próprio Município. "Estamos somando esforços para a construção de um pavilhão com capacidade para 200 presos", anunciou Giovane. Segundo ele, os dez alojamentos, com 20 vagas e quatro banheiros cada, seriam destinados aos acautelados que trabalham em sistema de remuneração e remissão de pena. Conforme ele, essa seria uma forma de preservar essas pessoas, diminuindo a chance de elas voltarem a cometer delitos. "Vai ser quase uma unidade independente do Ceresp."

Ainda de acordo com a direção, atualmente 91 presos estão trabalhando, 48 desses com remuneração. "Hoje, cerca de 60 deles já têm celas separadas", informou Giovane. Eles atuam em duas malharias, uma fábrica de blocos e outra de embalagem plástica. A previsão é de que uma terceira malharia, com capacidade para 50 detentos, e uma padaria integrem o projeto em breve.

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