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06 de Março de 2013 - 11:13

Presos chegaram a ocupar o andar superior da unidade

Por Tribuna

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Um motim no interior do Ceresp, na noite de terça-feira, terminou com dois detentos feridos a tiros de borracha por agentes penitenciários e causou tumulto na unidade prisional no Bairro Linhares, Zona Leste. De acordo com o boletim de ocorrência da Polícia Militar, presos da cela 40 da galeria superior teriam tentado dominar funcionários para tomarem o complexo com o possível objetivo de fuga. A ação teria sido motivada porque os acautelados estariam insatisfeitos com a alimentação servida. Pouco antes das 19h, um detento, 39 anos, teria simulado passar mal e, quando a equipe de plantão deslocou-se até a cela para atender o suposto enfermo, o homem, junto com os demais colegas, investiram contra os agentes, que responderam disparando três tiros de munição não letal, para conterem a agressão dos presos.
Quando a situação foi controlada, dois feridos foram socorridos e levados para o Hospital de Pronto Socorro (HPS). Um jovem, 22, sofreu ferimento no ombro direito. Já um homem, 25, foi atingido na face. Ambos foram medicados e liberados. Ainda conforme a PM, os dois envolvidos não foram conduzidos à delegacia pelos militares porque já estariam de volta à cela 40 no momento do registro da ocorrência, e o deslocamento poderia causar transtornos e o risco de um novo motim. Para manter a segurança no Ceresp, foi realizada uma busca superficial na galeria, sendo apreendidos três chuços. As armas artesanais, feitas de vergalhão e ferro, estavam dentro de um tambor de lixo. Na mesma noite, um agente penitenciário, 39, registrou outro boletim de ocorrência, desta vez de ameaça. O homem relatou aos militares ter sido informado por terceiros que o mesmo suspeito de ter liderado o tumulto havia dito que um parente dele iria acertar as contas com a vítima, por ele não ter gostado da abordagem na cela 40. Os casos foram encaminhados para investigação na Polícia Civil.
 De acordo com o diretor geral do Ceresp, Giovane de Moraes Gomes, o tumulto teria se iniciado depois que presos começaram a reclamar  da alimentação e a jogá-la nas galerias. Quando os agentes penitenciários tentavam sanar a situação por meio de verbalização, o prisioneiro que estava na cela 40 teria simulado estar passando mal. "Ao tentar socorrê-lo, no momento em que os agentes abriram a porta, o detento se negou a sair e ainda teria empurrado outros dois prisioneiros contra os agentes. Como forma de evitar uma fuga e até uma possível rebelião com reféns, os funcionários tiveram que utilizar armamento com munição de borracha", apontou o diretor.
Ainda conforme Giovane, o prisioneiro que teria causado o tumulto também se feriu e foi medicado e liberado no HPS. "Como ele também incitou a massa carcerária contra os agentes, para evitar mal maior, hoje (ontem) ele foi transferido para uma unidade prisional na região metropolitana de Belo Horizonte", afirmou o diretor. Sobre a reclamação da comida servida, o dirigente disse que a empresa que fornece alimento para unidade é recém contratada e está em caráter de adaptação. "Acreditamos que o contrato está sendo cumprido com qualidade. Gostaria de ressaltar que também me alimento do que vem na marmita que é a mesma que vai para os presos. Se eu ou qualquer outro funcionário constatar irregularidade nessa alimentação, ela não será aceita", reforçou o gestor.

Agente e advogados detidos
Já no final da tarde de ontem, um agente penitenciário, 27 anos, e um advogado, 29, foram levados à delegacia por suspeita de repassarem um celular a um detento,47. Segundo a Polícia Militar, a administração do Ceresp recebeu informação de que o fato ocorreria, e, em revista pessoal, detectou o aparelho em posse do preso. Ele teria confirmado que o advogado entregou o celular ao agente, que teria passado ao encarcerado. Os três foram levados para a delegacia. Até o fechamento desta edição, eles ainda prestavam depoimento.

 

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