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12 de Março de 2014 - 10:08

Comunidade reclama de falta de médicos e de infraestrutura

Por Renata Brum

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Com cartazes nas mãos, moradores manifestavam
Com cartazes nas mãos, moradores manifestavam

Atualizada às 19h51

A falta de médicos, medicamentos e infraestrutura levou a comunidade da Zona Norte a realizar um protesto, na manhã de ontem, em frente à Unidade de Atenção Primária à Saúde de Benfica (Uaps). Com cartazes nas mãos, cerca de 200 moradores da região, representantes do Conselho Local de Saúde e do Movimento "Benfica bem melhor" se reuniram em frente ao prédio onde funcionava a policlínica para denunciar o sucateamento e apontaram os problemas aos representantes da Secretaria de Saúde que estavam no local e aos vereadores  Wanderson Castelar (PT) e José Fiorilo (PDT), integrantes da Comissão de Saúde da Câmara dos Vereadores, que realizaram inspeção na unidade. 

Presidente do Conselho Local de Saúde, Geraldo Zeferino, ressaltou que, além da falta de profissionais, a estrutura da unidade está abandonada. "Somente a  população de Benfica é formada por cerca de 23 mil pessoas, e a atenção primária não funciona. Médico deveria ser em tempo integral, mas geralmente não há. Também não há mais atendimento para grupos de hipertensos, idosos, gestantes e dependentes químicos. Que atenção primária é essa? Se for observar a parte física elétrica e hidráulica do prédio, tudo deixa a desejar, e o que é pior, estão retirando o que ainda permaneceu, como ar-condicionado, e querendo levar o aparelho de raios X. Se não ficarmos atentos, vamos ficar só com os tijolos", alertou Zeferino.  

"Eu dependo de medicação de uso contínuo e não encontro aqui. É preciso ir até a farmácia da Rua Espírito Santo (no Centro). Há 15 dias, fiz fotos da unidade fechada por volta das 16h e postei na rede social. É muito descaso", reclamou o aposentado Maurício Lima, 52. 

Para a presidente da Associação de Moradores do Bairro Benfica, Aline Junqueira, o sucateamento na unidade de atenção primária compromete também o serviço prestado pela Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Norte. "Estamos questionando a retirada de serviços da unidade e até de equipamentos, como o raios X. A alegação é que aqui não há demanda, mas não há por falta de profissionais. Enquanto isso, há inchaço na UPA Norte. Não está havendo distribuição de atendimentos."

Segundo as lideranças, os problemas na Uaps de Benfica e na UPA Norte já foram levados ao conhecimento da Prefeitura e da Câmara. O vereador Wanderson Castelar destacou que o relatório com os problemas encontrados serão encaminhados ao Executivo. "O maior problema é a falta de médicos já que Benfica recebe também demanda de bairros vizinhos e da área rural. Durante muitos anos, a unidade funcionou como policlínica, mesmo desqualificada, então no imaginário da população ali ainda é a referência. Pelo que apuramos, há necessidade de pelo menos dois clínicos para atendimento. Além disso, há a velha falta de medicamentos, o desencontro permanente entre a necessidade e a oferta, porque, muitas vezes, o remédio não está na unidade, mas no almoxarifado. Vamos cobrar ainda a requalificação da unidade para abrigar o Centro de Especialidades, o que garantiria atendimento especializado também."

A possibilidade de retomar o atendimento secundário na região por meio da implantação de um Centro de Especialidades foi apontada pela Prefeitura, mas, de acordo com a presidente da Associação de Moradores de Benfica, Aline Junqueira, até agora, não houve definição do cronograma de ações. "Isso vem sendo discutido desde julho passado. Não aguentamos mais falar a mesma coisa e não ver qualquer ação nesse sentido." As entidades cobram plano de trabalho e cronograma de execuções do centro, que já teria sido negociado com o Conselho Municipal de Saúde e Prefeitura e tem indicação de emenda parlamentar da deputada federal Margarida Salomão (PT)

Chefe do Departamento de Desenvolvimento da Atenção Primária de Saúde, Cláudia Rocha disse que a manutenção dos equipamentos no prédio, sobretudo do aparelho de raios X, foi resultado do empenho da secretaria. Ela ainda informou que a disponibilização de mais médicos para atendimento na unidade depende do fim da tramitação do processo seletivo de novos profissionais pela Secretaria de Administração e Recursos Humanos (SARH). "Estamos no oitavo processo seletivo para contratação de novos profissionais e só estamos aguardando a alocação desses médicos nas Uaps. Como a unidade é tradicional, com atendimento de clínico, pediatra e ginecologista, a previsão é recebermos pelo menos mais dois clínicos. Acontece também que na região, além da população local, há um trânsito muito elevado de pessoas, o que faz a unidade ser surpreendida com atendimento de tantos outros usuários. Diante disso, estamos realizando a normatização do cadastro para dimensionar a demanda atual", garantiu. 

 

UPA Norte

A situação na UPA Norte também é considerada grave pelos manifestantes. Segundo as lideranças da região, a falta de médicos é frequente na unidade. Além disso, acadêmicos de medicina e outros profissionais de saúde estariam trabalhando sem supervisão adequada. Segundo o presidente do Conselho Local de Saúde, Geraldo Zeferino, foi feito questionamento junto ao Conselho Municipal em razão de óbitos de pacientes que estariam na triagem com a identificação verde, ou seja, sem urgência no atendimento, mas até hoje não houve retorno. A UPA também está na lista de unidades a serem visitadas pela Comissão de Saúde da Câmara dos Vereadores. 

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