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19 de Dezembro de 2013 - 19:19

Por Tribuna

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Os desdobramentos da operação da Polícia Civil que investiga fraude em vestibulares de medicina apontam que a mesma quadrilha que agia nos vestibulares é suspeita de ter aplicado golpes em provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2013. De acordo com informações da Polícia, Barbacena é uma das cidades onde teria ocorrido a fraude. Um dos integrantes da organização criminosa, 41 anos, teria subornado um fiscal, ainda não identificado, pagando R$ 10 mil para receber os dois cadernos de prova amarela, referentes aos dois dias de aplicação do exame, em outubro deste ano. As investigações apontam que o preço pago pelos candidatos aos fraudadores variava de R$ 70 mil a R$ 100 mil.

O inquérito, presidido pelo delegado de Caratinga, Fernando José Barbosa Lima, foi entregue ontem à Polícia Federal, e as investigações sobre o Enem ficarão a cargo do delegado federal regional de Investigação de Combate ao Crime Organizado, Paulo Henrique Barbosa. Conforme a assessoria de comunicação da Polícia Civil, o suspeito de coordenar a quadrilha passava as questões para outros membros responsáveis pela correção da prova, em seguida, o gabarito era enviado a ele, que disparava as respostas aos candidatos do exame via SMS e por ponto eletrônico. Os policiais acreditam que a quadrilha aproveitava a falta de detectores de metais na fiscalização do Enem para fazer uso de escutas pelos candidatos envolvidos na fraude.

Dois cadernos amarelos foram apreendidos com o homem, em Barbacena, durante a operação "Hemostase", no dia 3 de dezembro. Também estão no inquérito cerca de 30 gravações de conversas entre ele, apontado como chefe do grupo, e um aposentado, 63, que, segundo a polícia, também liderava a quadrilha. A Polícia Civil informou ainda que há mensagens de SMS contendo parte dos gabaritos e outras em que os integrantes comemoram o índice de acerto das provas.

O delegado federal Paulo Henrique afirmou que, "numa analise preliminar, tudo indica que foi uma fraude pontual no município de Barbacena". Ele acrescentou que a PF vai iniciar um trabalho visando confirmar o crime e identificar os beneficiados. Ainda não há informações sobre o número de alunos que podem ter participado do esquema.

A quadrilha foi descoberta durante as investigações da operação "Hemostase", que apurou irregularidades em vestibulares para vagas de medicina em 11 instituições de ensino. Ao todo, 36 pessoas foram indiciadas, sendo que 21 foram presas no dia da operação, mas apenas cinco permanecem detidas, entre elas, o homem que teria subornado o fiscal.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que organiza o Enem, informou, em nota, que "a segurança do Exame Nacional do Ensino Médio é realizada antes, durante e após a aplicação das provas, com o acompanhamento da Polícia Federal, o que tem permitido, ao longo dos anos, o aprimoramento do processo. O Inep está acompanhando, juntamente com a Polícia Federal, os desdobramentos da operação. Até o momento, de acordo com a Policia Federal, não existe qualquer elemento que indique, mesmo de forma pontual, que qualquer candidato tenha sido beneficiado". O Inep reforçou ainda que, conforme prevê o edital do exame, os candidatos identificados, que tiverem utilizado aparelhos eletrônicos durante as provas, serão eliminados.

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