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04 de Dezembro de 2013 - 07:00

Estudante de JF é suspeita de participar de esquema aplicado em 17 municípios

Por Tribuna

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Vinte e uma pessoas foram presas na manhã desta terça-feira (3) por suspeita de envolvimento com uma quadrilha que vendia vagas em cursos de medicina de faculdades particulares nos Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro. O grupo vinha sendo investigado pela Polícia Civil de Minas há pelo menos oito meses e chegou a movimentar milhões de reais na venda de vagas em instituições particulares mineiras e fluminenses. Em Juiz de Fora, uma estudante, 33 anos, foi detida em sua residência, no Bairro São Mateus, suspeita de ter comprado a transferência para a Faculdade Universidade Presidente Antônio Carlos (Unipac), considerada como vítima pela Polícia Civil. Ainda conforme a investigação, a aluna também é suspeita de angariar novos clientes para a quadrilha. As investigações apontaram que a organização criminosa auxiliava o candidato a ingressar ilicitamente no curso de medicina, cobrando pelo "serviço" valores que variavam entre R$30 mil a R$140 mil, dependendo da modalidade de fraude utilizada. O método podia ser aplicado por meio de telefone celular, ponto eletrônico, vaga direta, terceiros que faziam a prova no lugar do candidato ou pela falsificação de históricos escolares.

Além da equipe que realizou a prisão da estudante em Juiz de Fora, comandada pelo delegado Armando Avolio Neto, mais de 20 policiais civis da cidade, coordenados pela delegada regional Sheila Oliveira e pelo delegado Rogério Woyame, viajaram para o Rio de Janeiro para cumprir cinco mandados de prisão em Bangu e Nova Iguaçu, resultando na prisão de quatro mulheres e um homem. No total, a ação aconteceu paralelamente em 17 municípios mineiros e fluminenses, incluindo as duas capitais. As instituições envolvidas como vítimas são a Unipac de Juiz de Fora, PUC e Faminas de Belo Horizonte, Unec de Caratinga, UI de Itaúna, Unig de Itaperuna e Nova Iguaçu (RJ), Unifeso de Teresópolis (RJ), FMP de Petrópolis (RJ), Univaço de Ipatinga e Funjob de Barbacena. Entretanto, conforme a polícia, elas também serão investigadas na modalidade da venda direta.

No início da tarde, os 21 presos foram apresentados em Caratinga, município mineiro, onde teve início as investigações. Um funcionário público, 63 anos, e uma mulher, 37, são considerados os coordenadores do grupo. Entre os outros 19 detidos está um fazendeiro, vários estudantes de medicina, dentista, fisioterapeuta e um policial reformado do Rio, 60 anos. Com a quadrilha foram apreendidos cerca de R$ 500 mil em dinheiro, sendo U$ 25 mil, celulares, documentos, pontos eletrônicos, munições de uso restrito e um veículo de passeio.

Toda ação foi coordenada pelo superintendente de Investigações e Polícia Judiciária, delegado Jeferson Botelho. Segundo Botelho, os presos por envolvimento no esquema poderão responder por crimes como fraude de certames de interesse público, estelionato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

"As prisões e apreensões fecham uma etapa importante da investigação, mas o trabalho não termina aqui. Pelo contrário, vamos aprofundar os levantamentos a fim de solidificar ainda mais a nossa convicção de que desvendamos um esquema criminoso altamente rentável e que permitia a entrada de profissionais despreparados no mercado da medicina", ressaltou Botelho. A operação foi denominada "Hemostase" em referência ao conjunto de procedimentos cirúrgicos para estancar uma hemorragia.

Diretor administrativo e financeiro da Unipac de Juiz de Fora, Gilberto Esteves, informou no final da tarde desta terça que a instituição ainda não havia sido comunicada oficialmente a respeito da prisão da aluna, que cursava o terceiro período do curso de medicina. Segundo ele, a estudante não fez vestibular na Unipac e ingressou na universidade, no segundo período, por meio de um pedido de transferência. "Ela apresentou toda a documentação necessária, que estava legal, e foi aceita", explicou o diretor. Ele ainda ressaltou que o exame vestibular realizado pela Unipac é elaborado de forma terceirizada por uma fundação ligada a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). "Desse modo, podemos assegurar que nosso vestibular é seguro."

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