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25 de Maio de 2014 - 07:00

Estrutura sobre a linha férrea estaria expondo comunidade a riscos

Por BÁRBARA RIOLINO

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Tempo médio de travessia, cronometrado pela Tribuna, foi de 3 minutos e 16 segundos
Tempo médio de travessia, cronometrado pela Tribuna, foi de 3 minutos e 16 segundos

O fechamento da passagem de nível no final da Rua Dom Lasagna, ocorrido há pouco mais de quatro meses, vem causando uma série de transtornos para moradores do Morro da Glória e para quem circula pelo trecho. Atualmente a passagem só é permitida pela passarela construída sobre a linha férrea. Na avaliação de populares, a estrutura, que deveria aumentar a segurança da comunidade, tem representado risco, não por causa dos trens, mas pelo suposto crescimento de ações criminosas, como assaltos. A situação já estaria até mesmo provocando mudança no comportamento das pessoas que utilizam a travessia para chegar ao trabalho ou em casa.

Proprietário de uma farmácia na Avenida dos Andradas, João Carlos Alvim de Lima, leva a funcionária de carro ao ponto de ônibus todos os dias. "O caminho tornou-se perigoso com o fechamento da passagem", afirma o comerciante, acrescentando que a passarela também diminuiu o movimento em sua loja.

Tatiana Assis, a balconista da farmácia, conta que, nas duas vezes em que precisou utilizar a passarela, sentiu medo. "Quando venho trabalhar ou quando meu patrão não pode me levar, preciso dar uma volta danada, seja pelo final da Andradas ou até o Mergulhão. Além disso, perco o horário do meu ônibus e chego mais tarde em casa."

O vice-presidente da Associação de Moradores do Morro da Glória e adjacências, Cristovan Rocha do Carmo, conta que pais e mães que deixavam seus filhos próximo à Praça Agassis, no Mariano Procópio, para que eles se deslocassem até a escola usando a antiga passagem, não fazem mais isso por conta de pessoas suspeitas que circulam na região. "Isso tem causado um transtorno enorme ao trânsito, principalmente na hora do almoço. Acabou com o movimento de pedestres pelo Morro da Glória. É um absurdo a MRS (Logística) tomar uma providência como esta e prejudicar todas estas pessoas", desabafa.

No momento em que a reportagem esteve na passarela, a dentista Raquel Simões, que ia buscar a filha na escola, também queixou-se do transtorno. "Preciso passar aqui todos os dias, pois o único lugar em que consigo achar vaga para estacionar é perto da praça. Nunca fui assaltada aqui, mas evito passar durante a noite. Desde que fecharam a passagem, o acesso piorou."

O designer gráfico Bruno Souza e a esposa, a psicóloga Marcela Braga, resolveram mudar todo o itinerário para levar e buscar o filho no colégio. "Hoje prefiro subir e descer o morro a usar a passarela. O trajeto era feito em segundos, agora gasto muito mais, porém, é mais seguro", comenta Bruno. "Só utilizo a passarela na hora do almoço, quando vejo que tem outros pais passando por ela", pontua Marcela. A Tribuna cronometrou o tempo médio gasto para atravessar a passarela: 3 minutos e 16 segundos.

 Assaltos em residências

Das cinco residências instaladas na Rua Mariano Procópio, que fica em frente à passarela, duas foram assaltadas nos últimos meses. Uma moradora, que não quis se identificar, teve a casa invadida em abril, enquanto estava no terraço. "O assaltante entrou pela janela do segundo andar, que estava aberta. Constantemente, vejo homens na passarela olhando para dentro das casas, como se estivessem analisando como podem entrar. Tive um prejuízo de mais de R$ 12 mil, pois levaram joias, dinheiro e celulares. Agora estou subindo um muro e fazendo orçamentos para a instalação de cercas elétricas, além de ter colocado um papelão nos vidros das janelas. Não temos mais sossego".

  Outro vizinho, o empresário Arthur Arantes, conta que dois dias depois do assalto anterior, os criminosos furtaram em sua casa um casaco de couro e uma bicicleta de alumínio, que totalizavam cerca de R$ 2 mil. "Temos cercas elétricas em volta de toda a residência, menos no muro que dividimos com o vizinho, foi esse ponto que eles usaram para entrar. Aqui sempre foi muito tranquilo, mas, desde que as obras da passarela começaram, nossa vida mudou. Agora estamos expostos a todo tipo de risco." 

MRS Logística

 Com relação às reclamações, a assessoria de comunicação da MRS Logística informou que as passarelas são equipamentos urbanos, e não ferroviários, para melhorar a segurança, com benefício real e imediato para as comunidades. A informação é de que elas não são fontes de violência ou insegurança, pois os problemas sociais enfrentados atualmente estão presentes em todos os bairros. Entre as medidas que a empresa pode tomar para aumentar a segurança estão a iluminação - que depende de articulação junto à Prefeitura - e trabalhos coordenados com a Polícia Militar. 

  A concessionária descartou a possibilidade de reabertura das passagens de nível. Para a empresa, a eliminação dos cruzamentos de pedestres e/ou veículos no mesmo nível da ferrovia (passarelas, passagens inferiores e viadutos) são a única forma com 100% de retorno na eliminação de acidentes.

 

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