Atualizado às 21h07
Um homem não identificado foi brutalmente assassinado a pedradas e jogado em um bueiro com o rosto desfigurado, na madrugada desta quinta-feira(31), no Ipiranga, Zona Sul. O homicídio aconteceu na Avenida Darcy Vargas, perto da praça do bairro, e foi denunciado por populares, já que, segundo a Polícia Militar, os assassinos teriam tentado esconder o corpo, jogando o rapaz no buraco, na altura do número 600. Com base nas características dos envolvidos repassadas ao Centro de Operações da PM, militares conseguiram deter três suspeitos, de 15, 17, e 22 anos. Um deles estava com a mão cortada. Policiais se mobilizaram nas buscas pela vítima e, depois de a encontrarem no bueiro, acionaram o Corpo de Bombeiros, que fez a retirada. Ela ainda foi levada para o Hospital de Pronto Socorro (HPS), mas não resistiu aos ferimentos, e o óbito foi constatado na unidade.
Como não portava documentos e estava com a face desfigurada, o homem não foi identificado por moradores, e o corpo foi levado para necropsia no Instituto Médico Legal (IML). Ele é de cor parda, aparenta 32 anos, vestia bermuda brim preta com cinto verde e estava sem camisa. O rapaz tem duas tatuagens: uma mulher com uma águia na panturrilha esquerda e uma imagem de Jesus Cristo no braço esquerdo.
A PM obteve informação de que os agressores usaram as pedras para bater contra a cabeça e o rosto dele. O suspeito, 17, que estava com a mão cortada, foi medicado no HPS antes de ser conduzido à 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil. Em depoimento, os três envolvidos negaram participação na morte da vítima. Durante as investigações iniciais, houve informação de que o adulto teria pego o jovem em um bar, quando ele comprava cigarro, dado um golpe de gravata nele e o arrastado para a rua. A motivação do crime não foi esclarecida, mas a suspeita é de que tenha relação com desavenças anteriores entre os envolvidos.
O delegado de plantão Rogério Woyame autuou o homem por homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, impossibilidade de defesa da vítima e meio cruel. O suspeito foi encaminhado ao Ceresp. Já os adolescentes, foram autuados por ato infracional análogo ao mesmo crime e apresentados à Vara da Infância e Juventude.
Ainda na delegacia, a mãe do adolescente de 17 anos suspeito de participação no homicídio contou que foi acordada pelos policiais. "Eu não sei o que aconteceu. Me falaram que meu filho tinha se envolvido em confusão. Fiquei assustada. Ele falou que um rapaz tinha cortado a mão dele, mas não sei direito. Estamos até com medo", contou a mulher, 31, mãe de outros quatro filhos, de 7, 9, 12, e 14 anos. "Ele tinha ficado um ano sem estudar, mas ia voltar este ano", contou.
O assessor de comunicação da 4ª Região da PM, major Paulo Alex Moreira, destacou a atuação da Patrulha de Prevenção a Homicídios e lamentou o brutal assassinato. "Isso mostra que os jovens não estão valorizando a vida. Mataram por motivo fútil." Para ele, o ato reflete uma "degradação da saúde social". "Trabalhamos intensamente para combater esses crimes, mas é lamentável que um jovem banalize a vida. Temos que envolver família, escola e legislação, que muitas vezes dá brecha a crimes. Estamos do mesmo lado que o cidadão ordeiro. Tudo depende de um conjunto de esforços. Estamos fazendo a nossa parte, abordando prendendo."
'Quem não tem argumento vira bicho'
Para o psicólogo social Lélio Lourenço, está claro que o crime não foi resultado de uma discussão. Ele diz que a brutalidade do ato mostra a ligação com grupos rivais e gangues, por exemplo. "A situação está começando a se repetir de forma preocupante para a sociedade e para o município." Lourenço acredita que os jovens de classe desfavorecida passam a ter nas galeras uma identidade. Eles seguiriam o modelo de ação do grupo para serem aceitos. O psicólogo aposta na superarticulação entre o poder local, a polícia e a instância federal, além do investimento em inteligência, para solucionar o problema.
O psicólogo Michael Moura acredita que os agressores teriam um transtorno antissocial de personalidade ou estariam sob o efeito de drogas. "Só isso pode justificar esse nível de agressividade", comenta. Para ele, os infratores abdicariam do bem social em prol de um impulso individual. "Eles interagem com os outros sem respeito, invadem o direito do outro."
A psicoterapeuta da criança e da família Cássia Sartori avalia que a falta de estrutura nas famílias reflete no próprio indivíduo. "Geralmente a mãe sai para trabalhar e delega ao filho a função de liderar a casa, atividade que ele não está pronto para exercer." Para ela, os crimes estariam cada vez mais bárbaros, já que a própria autoridade é banalizada. "O adolescente busca a lei externa. Mas a lei deve ser colocada ainda na primeira infância, dentro de casa," Segundo Cássia, a solução seria uma melhor estruturação das famílias e o investimento em educação. "Quem não tem argumento, vira bicho, parte para o ato. A agressividade dele está pulsando, então ele vai lá e mata."



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