Publicidade

01 de Fevereiro de 2014 - 07:00

Janeiro foi o mês mais quente e seco das últimas três décadas no município

Por Eduardo Valente

Compartilhar
 
Média das temperaturas máximas foi de 30,2 graus, quando o normal seria 27,5 graus
Média das temperaturas máximas foi de 30,2 graus, quando o normal seria 27,5 graus

O mês de janeiro deste ano, encerrado nesta sexta-feira (31), foi o mais quente e o mais seco dos últimos 30 anos. De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a média das temperaturas máximas foi de 30,2 graus, quando o normal seria 27,5 graus, conforme observações registradas nas últimas três décadas. Além disso, o volume de precipitações, que ficou em apenas 43% do esperado, é o mais baixo desde 1979. Tais recordes, porém, não foram os únicos observados neste mês atípico. O termômetro do Inmet, instalado no Campus da UFJF, por exemplo, registrou índices superiores a 30 graus durante 18 dias, um fato inédito nos últimos 30 anos. Até mesmo as madrugadas foram quentes, já que, por 28 dias, a temperatura ficou acima dos 20 graus. Isso não ocorria desde 1988, quando a mesma situação se repetiu 29 vezes.

Os recordes do mês de janeiro foram observados em várias cidades da região Sudeste do Brasil. Os fenômenos são explicados pela ausência de chuvas significativas causadas pela atuação de uma forte massa de ar seco e quente, a qual impede a aproximação das frentes frias. Apesar da estiagem e a ausência de nuvens, a umidade relativa do ar se manteve acima dos 30% ao longo deste mês em Juiz de Fora. Este patamar é considerado o limite para que não haja danos à saúde humana, conforme preconiza a Organização Mundial da Saúde (OMS).

No entanto, o calor em excesso, sobretudo nas madrugadas, provoca uma série de malefícios ao corpo. Conforme a neurologista Celeste Negrão, especialista em distúrbios do sono, a qualidade do descanso piora muito com estas condições. "As pessoas acordam muito à noite, porque consomem mais água e vão mais ao banheiro. E isso se reflete ao longo do dia, porque muitas ficam irritadas e de mau humor. Isso afeta a concentração e até os reflexos. O problema é que não existem muitas soluções, pois nem todas as pessoas podem ter um quarto com ar-condicionado ou ventilador, e a medicação não é indicada para casos ambientais", informou, acrescentando que a temperatura noturna ideal no ambiente de sono é aquela que fique entre 21 e 25 graus.

No ambiente externo, teoricamente mais frio, os termômetros chegaram a registrar 25,3 graus, na madrugada de 4 de janeiro. No dia 27, o segundo com noite mais quente, a temperatura foi de 24,7 graus, conforme levantamento da Tribuna, realizado com dados do Inmet, entre meia-noite e 6h. Par amenizar os danos, a especialista recomenda uma alimentação leve à noite e banho morno antes de dormir. Estimulantes, como café, álcool e refrigerantes à base de cola, não são indicados.

 

Consumo de água

A escassez de chuvas também reflete no abastecimento de água. De acordo com o diretor técnico operacional da Cesama, Márcio Pessoa, o consumo está muito elevado este mês e, embora não tenha como precisar dados de janeiro, nesta época, a demanda por água chega a ser 10% maior que o restante do ano. Em horários de pico, entre 10h e 16h, este patamar sobe para até 20%. Embora os mananciais estejam com nível de água 10% abaixo do esperado, este índice não preocupa a companhia ainda, visto que o período chuvoso só se encerra em março. "O que preocupa mesmo é o consumo, porque encontramos dificuldades para distribuir água em áreas mais periféricas. Isso só será resolvido com a conclusão das obras de melhorias na rede, que já estão em andamento e devem ser concluídas até o fim do ano. Por isso, pedimos que a população não desperdice água, principalmente nos horários de pico, para que não haja sobrecarga no sistema."

Segundo o Inmet, o volume de chuvas em janeiro somou 130,5 milímetros, sendo que a média histórica previa 299,8 milímetros. Conforme o meteorologista Ruibran dos Reis, diretor regional do Climatempo, a massa de ar seco e quente deve continuar atuando na primeira quinzena de fevereiro, quando as chuvas deverão continuar com baixa intensidade. Em sua opinião, os recordes observados são reflexos do aquecimento global, que prevê aumento nas temperaturas mínimas, tanto no verão como no inverno. "Este ano mesmo, a média das mínimas se manteve 1,2 grau acima do normal."

Publicidade

Publicidade

Mais comentários

Ainda não é assinante?

Compartilhe

Publicidade

Encontre um tema na

Pesquisa

Edição impressa

Enquete

Você já presenciou manifestações de intolerância religiosa?