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10 de Janeiro de 2014 - 07:00

Tribuna registrou flagrantes de situações que podem facilitar a proliferação do Aedes aegypti

Por Tribuna

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Materiais de construção e entulhos expostos ao tempo no Santo Antônio
Materiais de construção e entulhos expostos ao tempo no Santo Antônio
Ferros-velhos, como este no Francisco Bernardino, estão entre os pontos que exigem atenção
Ferros-velhos, como este no Francisco Bernardino, estão entre os pontos que exigem atenção

Mesmo com os dados alarmantes da dengue no ano passado, quando a cidade registrou 5.261 casos e quatro mortes pela doença, muitos juiz-foranos continuam negligenciando os cuidados para evitar nova epidemia. Em pleno verão, quando o número de ocorrências costuma crescer significativamente, a Tribuna registrou flagrantes de descaso e situações de perigo, que propiciam a proliferação do mosquito transmissor da moléstia. O Levantamento do Índice Rápido de Infestação do Aedes aegypti (Liraa) aponta que cerca de 80% dos focos são encontrados dentro e ao redor dos domicílios, em vasos, frascos com água, fontes ornamentais e material de construção. Cemitérios e ferros-velhos também estão entre os locais que exigem atenção redobrada.

No Milho Branco, Zona Norte, um dos bairros mais infestados, uma casa da Rua Ivan Baptista Oliveira, acumula grande quantidade de objetos expostos ao tempo, como garrafas de plástico, latas e até um fogão. Quase em frente à residência, há um lote com lajotas e madeiras na mesma situação. 

Em um terreno na Rua Paulo Rodrigues também foi verificada a presença de materiais de construção e até de uma betoneira expostos ao tempo. Mesmo diante desses flagrantes, o presidente da Sociedade Pró-Melhoramentos do bairro, Itamar Mendes de Faria, contou que os moradores da região estão mais conscientes e colaborando para combater o mosquito. "Nosso maior problema está sendo a praça. Quando chove, ela fica empoçada por cerca de quatro dias."

No Monte Castelo, mesma região, foram observados terrenos com materiais plásticos, móveis e churrasqueira jogadas ao tempo. No Vitorino Braga, região Sudeste, em uma área localizada na Avenida Brasil, havia copos e sacolas de plástico, uma grande quantidade de cocos, além de um pneu, considerado um dos grandes vilões do combate à dengue. Já no Bairro Santo Antônio, grande quantidade de madeira, telhas e restos de construção foi verificada em um terreno na Rua Francisco Pereira, esquina com a Rua Pedro Trogo. 

A conselheira local de Saúde, Zeneide Barbosa, reclamou que na Rua Pedro Trogo há muitas bocas de lobo sem tampa, onde as pessoas jogam lixo. "Até pneu já jogaram. E quando chove, a enxurrada traz muito lixo." 

 

Cerco e treinamento

De acordo com a chefe do Departamento de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde, Mônica Santana, ações de cerco à doença estão sendo realizadas. "Reforçamos o treinamento dos nossos agentes. Agendamos reuniões com entidades, como conselhos locais e de pastores, para angariar parceiros, no sentido de divulgar a importância do combate à dengue, porque sozinhos não temos essa força toda." 

Nos primeiros dias de janeiro, quatro casos de dengue já foram notificados em Juiz de Fora, sendo um confirmado e dois descartados. A quarta notificação ainda aguarda resultado de exames. 

A Zona Norte é a região com maior número de focos do mosquito Aedes aegypti. No ranking por bairros, o Monte Castelo aparece em primeiro lugar, seguido pelo Bandeirantes, Jardim Natal, Manoel Honório e Milho Branco. O último Liraa, divulgado em novembro do ano passado, mostrou que 2% das residências de Juiz de Fora apresentam infestação do mosquito. O percentual considerado seguro é de 1%, conforme o Ministério da Saúde.

 

Agravamento

O secretário de Saúde de Juiz de Fora, José Laerte Barbosa, afirma que a pasta sempre considera a possibilidade de agravamento no quadro. Por isso, embora a situação ainda seja tranquila e considerando que o pico da doença acontece em março, o Plano de Contingência da Dengue já foi elaborado e aprovado pelo Conselho Municipal de Saúde. "Também temos um programa treinamentos, tanto nas unidades de saúde quanto na urgência e emergência, a fim de garantir que o médico esteja atento para o diagnóstico, e lembre-se da necessidade de fazer notificação." 

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